Diário da Serra

Perito: AVC que matou aluno bombeiro não tem relação com suposta tortura

RD News 05/11/2019 Polícia
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O médico legista do IML Dionísio José Bochese Andreoni afirmou que não dá para relacionar o AVC (hemorragia cerebral), que levou a morte do aluno bombeiro Rodrigo Claro aos 21 anos, com o esforço físico causado pela suposta tortura ou maus tratos em treinamento aquático dado pela tenente Izadora Ledur, em novembro de 2016.

 

"Esforço físico não rompe vaso (sanguíneo). Rompe vaso ruim. Qualquer esforço – e aí não precisa ser exagerado – pode rompê-lo, ao ponto que, às vezes, as pessoas morrem dormindo", disse a jornalistas depois de prestar depoimento na 11º Vara Militar na tarde desta segunda (4).

 

O juiz Marcos Faleiros também marcou a data de depoimento de Ledur para 12 de março de 2020. A tenente responde pelo crime de tortura. Na época, conversas de WhatsApp entre Rodrigo e sua mãe apontaram que a bombeira estava se excedendo no treinamento e o Ministério Público Estadual (MPE) entendeu que houve perseguição ou castigo na ação.

 

Dionísio é, ao mesmo tempo, testemunha de defesa e acusação no caso da morte de Rodrigo. Em denúncia apresentada a Justiça, o MPE relacionou a morte de Rodrigo aos maus tratos de Ledur, como forma de puni-lo por apresentar mal desempenho nas atividades aquáticas. Mas laudo elaborado por ele próprio no IML aponta, como causa mortis, que Rodrigo foi vítima de AVC.

 

Em diversos pontos da entrevista, Dionísio ressaltou que não existe qualquer relação entre o esforço físico com a hemorragia no cérebro. Explicou que, apesar de ser jovem e ter bom condicionamento físico, o vaso sanguíneo iria se romper, senão na data de sua morte, no dia seguinte, por estar doente ou apresentar má formação. No depoimento, ele afirmou também que afogamento não causa AVC.

 

No dia em que passou mal, Rodrigo atravessou a Lagoa Trevisan a nado em treinamento do Corpo de Bombeiros para salvamento na água. Queixou-se de dor de cabeça ao instrutor. Quando chegou à margem do lago, reclamou que não conseguia continuar por causa da cabeça que doía com muita intensidade.

 

O médico também ressaltou que a hemorragia de Rodrigo foi grave. “O dele já foi catastrófico em um primeiro momento”, disse. Pontuou também que não dá para identificar a origem da hemorragia pela quantidade de vasos sanguíneos, que ficam na região da cabeça.

 

O processo pela suposta tortura ou maus tratos de Rodrigo corre desde 2016 na Justiça. Inicialmente, estava na 7º Vara Criminal. Mas, no ano passado, o juiz Marcos Faleiros declinou de competência para julgar o caso e enviou o processo para a 11º Vara, que julga crimes contra praticados por militares em exercício.

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