Diário da Serra

Cota zero

Leonardo Lima 06/02/2020 Artigos

A preservação dos peixes não é comprometida pelos pescadores de finais de semana

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A falta de vontade dos governantes e a corrupção que assola nosso país em todos os poderes, traz prejuízos enormes à prática da pesca, seja ela de subsistência ou esportiva, afetando também o turismo e lazer e diversas áreas do comércio das cidades que margeiam nossos rios.


A principal questão não é quanto tempo necessita-se proibir a pesca e em quais rios essa determinação será aplicada. A preservação das espécies aquáticas de nossa fauna não é comprometida pelos pescadores de finais de semana, amadores, esportivos ou turistas.


Já observaram quantos vídeos, matérias e reportagens tem sido veiculadas com flagrantes ou prisões e apreensões de pescadores utilizando redes e tarrafas, cometendo o crime ambiental da pesca predatória? Notaram que até mesmo no período do Defeso da Piracema esses infratores passam redes, pescam com tarrafas, anzol de galho e espinhel? Imaginem quando não estamos no período proibitivo, que praticamente não há fiscalização!mportante mensurar o desequilíbrio ambiental que a pesca predatória ocasiona aos rios, uma vez que algumas determinadas espécies de pescado são mais apreciadas que outras para comercialização e consumo. Soma-se a tal desastre a quantidade de peixes de outras bacias que são despejadas ano após ano nos rios, advindos de represas e criadouros que não suportam a força das chuvas ou, simplesmente, por mera falta e estrutura em sua construção. Então, qual a solução para os nossos rios? O que fazer para que sejam, novamente, repovoados de peixes nativos cada qual à sua bacia?


Fiscalização é a saída. Quando há investimentos em estrutura e efetivo para fiscalizar, o combate torna-se eficaz e a apreensão e responsabilização dos infratores torna-se uma realidade.


Imaginem um cenário onde a fiscalização que ocorre durante o periodo proibitivo, a piracema, passa a ocorrer durante todo o ano. Continuando nisto, que aos olhos do poder executivo possa parecer um exagero mas que pode ser a solução definitiva, um governo que dobre o valor destinado a esse trabalho, recurso este a ser aplicado em efetivo, embarcações, veículos e equipamentos de última geração como câmeras instaladas em pontos estratégicos dos rios, drones e outros.


Acrescente, agora, a conscientização das comunidades através de palestras, cursos e outras formas de preparo, estratégia e formação de técnicos das próprias comunidades, ribeirinhos ou não, para colaborar com essa fiscalização, sendo remunerados para isso.


É necessária a elaboração de projetos coerentes em conjunto com órgãos de proteção ao meio ambiente, universidades e pesquisadores que certamente, já possuem dados seguros para apresentação, análise e implementação de ações que alcançariam, com mais rapidez e eficácia, o resultado esperado.


Basta vontade de quem pode e manda! Não à cota zero!


 
LEONARDO LIMA é microempresário, morador de Cuiabá, pescador Amador e amante da Pesca.

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