Diário da Serra

Escola de samba de SP homenageia liderança quilombola de Mato Grosso

Hiper Notícias 24/02/2020 Cultura
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A escola de samba Barroca Zona Sul, de São Paulo, abriu o primeiro dia de desfiles da capital paulista prestando homenagem à líder quilombola Tereza de Benguela, do Quilombo do Quariterê. A apresentação colocou a escola novamente no radar da elite carnavalesca, na noite de sexta-feira (21).

 

De acordo com o portal UOL, com o samba-enredo “Benguela... a Barroca Clama a Ti, Tereza”, a escola prestou homenagem à liderança que comandou o Quilombo do Quariterê, no atual Vale do Guaporé, por mais de 40 anos.

 

Assinado por Rodrigo Meiners, Rogério Sapo e Yuri Aguiar, o desfile percorreu a avenida ao longo de 65 minutos, período disponibilizados a cada escola, com 21 alas, cinco carros alegóricos e 2.400 componentes.

 

A comissão de frente apresentou Tereza de Benguela, tida como rainha entre os quilombolas, que foi erguida em uma estrutura a mais de quatro metros de altura. Com seu longo vestido dourado, a liderança pairava cercada de divindades africanas e por uma sonoridade oriundo de toques de tambores.

 

Confira a seguir o samba-enredo completo:

 

"Benguela... a Barroca Clama a Ti, Tereza"

Compositores: Acerola de Angola, André Valencio, Ermino, Jairo Roizen, Marcos Thiago, Morganti, Pixulé, Sukata, Tubino Meiners

Intérprete: Pixulé

 

No caminho do amanhã

Obatalá

É a luz que vem do céu

Clareia

Vem de Benguela o clamor de liberdade

Barroca pede tolerância e igualdade

 

Axé, Tereza

Divina alteza meu tambor foi te chamar

Sua luz nessa avenida

Incorpora a chama yabá

Da magia irmanada por odé

Não sucumbe a fé, traz a luta de Angola

 

E a corrente arrastou pro sofrimento

Um sentimento, valentia quilombola

Reluz o ouro que brota em seu chão

Desperta ambição, mas há de raiar o dia

Do Guaporé ser voz de preservação

 

Em plena floresta

Auê auê

Resistência na aldeia

Quariterê

Na mata, sou mestiço, guardião

O meu grito de guerra é por libertação

 

O nosso canto não é apenas um lamento

A coragem vem da alma de quem ergueu o parlamento

Do castigo na senzala à miséria da favela

O povo não se cala, oh Tereza de Benguela

 

Vem plantar a paz por essa terra

A emoção que se liberta

E a pele negra faz a gente refletir

Nossa força, nossa luta

De tantas Terezas por aí



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