Diário da Serra

Estudantes de Tangará da Serra vencem concurso de redação da Nasa

Fabíola Tormes / Redação DS 29/05/2020 Educação

Sabrina Silva e João Guilherme venceram a etapa nacional da 17ª edição do Concurso Cientista por um dia

Vencedores

A estudante do 6º ano do Centro Municipal de Ensino Joana D’Arc, Sabrina Silva Cordeiro, 10 anos, e o aluno João Guilherme de Assis Rossi, do 9º ano da Colégio Avance, ambos de Tangará da Serra venceram a etapa nacional da 17ª edição do Concurso Cientista por um dia -  2019-2020, realizado pela Agência Espacial Americana (Nasa) e parceiros. Eles são os únicos mato-grossenses que venceram.
 

“Foi uma decisão muito difícil. Recebemos excelentes redações produzidas por estudantes dos seguintes estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Piauí, Paraná, Bahia e Maranhão. Agradecemos a todos os estudantes, responsáveis e professores que participaram do Concurso”, parabenizou o Clube de Astronomia Louis Cruls, ao anunciar os vencedores. 
 

O concurso de redação foi criado para dar aos estudantes do mundo inteiro uma oportunidade de experimentarem como é a vida de um cientista na Nasa. Como premiação, os escolhidos terão direito de conhecer as instalações da Nasa, nos Estados Unidos, e ser cientista por um dia. “Possivelmente ela vai conhecer a Nasa, assim como a aluna do 13 de Maio, Maria Gisllany Bezerra, que foi em 2015 por ter ganho o mesmo concurso de redação”, explica a professora Silvana Copceski, que foi a orientadora da aluna Sabrina, ao parabenizar ainda o aluno João Guilherme.
 

Atualmente a professora é a Coordenadora-Geral de Popularização da Ciência e Tecnologia, da Assessoria Especial de Assuntos Institucionais do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, chefiado pelo astronauta Marcos César Pontes.


Relação completa dos vencedores:

Categoria Ensino Fundamental I

Estudante: Sabrina Silva Cordeiro
Idade: 10 anos (6o ano)
Professoras: Priscila Alves Cordeiro Silva e Silvana Copceski Stoinski
Escola: Centro Municipal de Ensino Joana D’Arc – Tangará da Serra – MT

 

Estudante: Mariana Sanglard Furtado e Carvalho
Idade:   (estudante do 7o ano)
Responsável: Ronei Nunes Carvalho
Escola: Manhuaçu - MG

 

Categoria Ensino Fundamental II

Estudante: Lucas Henrique Gonçalves Ribeiro 
Idade: 17 anos (9o ano)
Professora: Marcela Barreto
Escola: Colégio Estadual Constantino Fernandes – Campos dos Goytacazes – RJ

 

Estudante: João Guilherme De Assis Rossi 
Idade:    (estudante do 9o ano)
Professora: Patricia Casagrande 
Escola: Avance Colégio e Cursos - Tangará da Serra - MT

 

Categoria Ensino Médio

Estudante: Myllena Roberto de Farias
Idade: 15 anos (1o ano)
Professora: Denilso G. Delfrate
Escola: Colégio Vicentino São José – Curitiba – PR

 

Estudante: João Paulo Santos Malaquias
Idade: 17 anos
Professora: Lara Rodrigues
Escola: Colégio Objetivo – Uberlância – MG


CONFIRA A PRODUÇÃO DOS TANGARAENSES

 

A lua teimosinha
Enfim a noite chegou! Eu e minha família amamos observar as estrelas e a linda lua. Ah, como eu queria ter uma janela que me permitisse chegar rapidinho em outros planetas! Por enquanto, eu uso minha imaginação, que vai além de qualquer tecnologia!
Minha mãe, professora de geografia, me inspira para um dia ser astrônoma e criar uma janela de verdade para chegar no espaço. Em nossa última aventura espacial imaginária, ela falou sobre o planeta Netuno, que é bem gelado e tem a minha cor preferida: azul. Como eu sou muito curiosa, descobri que Netuno tem várias luas com nomes lindos. Tritão, a maior lua, me chamou a atenção por girar no sentido oposto às demais. Como assim? Uma lua teimosinha que gira ao contrário de suas amigas... só podia esconder muitos mistérios.
Naquela noite fiquei horas com Tritão em meus pensamentos: – Poderia existir vida em Tritão? Imaginem morar em uma lua? Isso seria bem legal! – perdida em meus pensamentos, adormeci...
Na madrugada ouvi um barulho e o Robin começou a latir. Fiquei assustada, mas minha curiosidade foi maior que o medo. Pelo cantinho da cortina olhei e fiquei pasma: – Uma espaçonave chamada Trident no quintal de casa? – Robin entrou pela pequena porta que tinha o símbolo da NASA. Era meu sonho conhecer uma espaçonave de verdade. Não hesitei e em um piscar de olhos eu já estava lá dentro, a pequena porta se fechou e a espaçonave decolou.
– Para onde estamos indo? – Gritei – e ouvi uma voz robotizada:
– Nosso destino é Tritão, lua de Netuno!
Eu sabia que apenas a sonda Voyager II tinha chegado tão perto de Netuno em 1989, mas inexplicavelmente eu também estava indo para lá e já avistava o planeta Terra, uma bolinha azul no espaço.
Eu segurei o Robin e trêmulos, entramos na atmosfera de Tritão em minutos. – Mas é claro que não vamos sair, Robin! Aqui a temperatura é congelante e se aproxima de -235°C. Nem pinguim meu amigo!
A espaçonave pousou no lado de Tritão que estava clarinho. Quando a sonda passou por aqui em 1989 estava escuro. Eu avistei um campo nevado imenso com crateras na superfície que cuspiam plumas gigantes e assustadoras. Pelo compartimento pressurizado, jogamos um pequeno objeto na superfície de Tritão, onde formou uma rachadura e espirrou jatos de água. – Certamente nas profundezas dessas crateras havia um oceano imenso de água! - Eu fiquei pensando... – nada poderia habitar este lugar além de micróbios –. Além de entediante, nada tinha cor, apenas micróbios conseguiriam viver em locais assim tão entediantes.
– Qual o objetivo de terem me trazido até Tritão? – Perguntei. A voz robótica respondeu:
– Olá Sabrina, você foi enviada em missão e suas conclusões sobre existência de água e microrganismos são valiosas.
Ouço vozes e me assusto: – Seres extraterrestres congelantes para me capturar? – Mas, uma voz dócil e conhecida diz:
– Filha, acorde, vai se arrumar para ir à escola!
– Como assim, era apenas um sonho?
– Filha, nunca desista dos seus sonhos – disse minha mãe.

Destino: Lua de Netuno, Tritão
Estudante: Sabrina Silva Cordeiro
Idade: 10 anos (6º ano)
Professoras: Priscila Alves Cordeiro Silva e Silvana Copceski Stoinski
Escola: Centro Municipal de Ensino Joana D’Arc – Tangará da Serra – MT


O poder que representa voltar à lua
A lua Miranda foi descoberta em 1948 pelo astrônomo Gerard Kuiper, e, apesar de não ser o maior satélite de Urano, foi dele que a sonda espacial Voyager 2 mais se aproximou. Desde então, o pequeno satélite tornou-se interessante para a astronomia, pois sua superfície é diferente de qualquer outra no sistema solar, com diversos tipos de rocha e gelo.
Miranda é a lua mais próxima de Urano e gira em sentido anti-horário. Muitas teorias são ditas sobre sua forma, como a de que sua irregularidade é devido à colisão com outro corpo celeste o qual, posteriormente, voltou a ser agregado resultando, assim, num objeto “remendado” que é hoje. Essa característica leva-nos a associar Miranda a Frankenstein, personagem que, de acordo com a ciência, é um ser humano perfeito, mas na visão das “pessoas comuns” é um monstro. Certamente tal comparação não foi feita em vão, já que em Miranda possa existir minerais ‘‘perfeitos’’, um mineral com as mesmas propriedades do nióbio, por exemplo, do ferro ou de algum substituto desses recursos tão preciosos para os interesses capitalistas e, consequentemente, para as revoluções tecnológicas que ocorrem no mundo.
A disputa pelo poder do capital mundial está mais acirrada a cada dia e a “conquista” de levar novamente o homem à lua é a maior ação capaz de representar poder e domínio para um país. A expedição é tão importante que, tendo em vista o interesse capitalista atual, a nação capaz de realizar novamente tal façanha teria um avanço tecnológico imensamente maior e seria líder no desenvolvimento da evolução tecnológica. Outro fator importante é que o interesse sobre a exploração de Miranda, as possíveis descobertas e especulações sobre um lugar habitável para o ser humano, certamente, seria motivo de disputa e discórdias entre nações como os Estados Unidos, China, Rússia, entre outras, fator que pode acarretar num provável embate semelhante à Guerra Fria. Isso porque o valor das descobertas e dos materiais coletados é uma incógnita, mas com toda certeza irá custar muitos milhões para a pesquisa.
Do outro lado, ficam os vários países subdesenvolvidos e emergentes, que, atualmente, cada vez mais se distanciam do mercado mundial, pois pouco investem em pesquisa, ciência e tecnologia, como é o caso do Brasil, Argentina, Chile, México, entre outros. Essas nações deveriam ir em busca da oportunidade para evoluir, apoiando-se com seus recursos, já que, após o descobrimento de minérios e de outros recursos, poderiam mandar sondas para descobrir mais coisas sobre o espaço, estando no páreo com as nações mais poderosas do mundo, além das benfeitorias que isso produziria para tais países como a melhoria na educação desses países, desenvolvimento tecnológico e, quem sabe a produção própria de espaçonaves, sondas, ônibus espaciais e muito mais.
Enfim, a disputa pelas descobertas espaciais é o um sonho do ser humano. Porém, esse desejo pode ser um perigo para nós, porque interesses e disputas geram guerras e guerras causam morte e talvez a extinção dos habitantes da Terra. Então, o fascínio pelos mistérios de Miranda pode acarretar em maravilhas e desgraças, mas, com cuidado, tudo poderá ficar bem!

Destino: Lua de Urano, Miranda
Estudante: João Guilherme De Assis Rossi 
Idade:    (estudante do 9o ano)
Professora: Patricia Casagrande 
Escola: Avance Colégio e Cursos - Tangará da Serra - MT

 

As redações vencedores podem ser acessadas no blog do concurso: http://concursocientistaporumdia.blogspot.com



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