Diário da Serra

Pesquisa detecta vírus fatal em morcegos na região norte de MT

PNB Online 05/06/2020 Educação

Casos mais graves de hantavirose atacam o pulmão, provocam aceleração dos batimentos cardíacos e tosse seca

Educação

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com outras cinco instituições de ensino superior, identificou a presença do hantavírus em duas espécies de morcego presentes na região norte do estado. O vírus, quando transmitido a seres humanos, pode ser fatal. 


A pesquisa foi conduzida a partir da análise sorológica e molecular de amostras biológicas de 47 exemplares, colhidos na região de Sinop. A presença de hantavírus em morcegos é recente para a ciência e, de acordo com Gustavo Canale, um dos dos professores que conduziu o estudo, vírus estão mais associados à pequenos roedores silvestres, que podem transmitir a hantavirose pela urina.


"A hantavirose pode ser causada por diversos vírus da mesma família. Alguns com sintomas mais leves e outros com sintomas mais graves, mas todos podem levar ao óbito, por isso da preocupação", explica.


Os sintomas de hantavirose nos casos leves podem ser confundidos com outras zoonoses, como dengue e chikungunya, o que, de acordo com o professor, também contribui para uma subnotificação dos casos. Nos casos mais avançados, o vírus ataca o pulmão, causando dificuldade para respirar, aceleração dos batimentos cardíacos e tosse seca, desenvolvendo um quadro de "Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus".
 

Desmatamento
 

A preocupação dos pesquisadores é a possibilidade de um surto da doença causada pelo vírus. "Mato Grosso já tem mais casos que a média do restante do país e vemos índices elevados da doença na região de Sinop, Tangará da Serra e Diamantino, onde já acontecem surtos esporádicos", alerta Gustavo Canale,  do Câmpus de Sinop. 


O desmatamento e a produção de grãos, característicos da região, podem agravar o quadro, uma vez que os morcegos podem usar as culturas como fonte de alimento, aumentando consideravelmente sua população e interagindo mais com as famílias que trabalham nas fazendas e moram nas regiões próximas. 
 

Por causa da forma de transmissão, as populações mais vulneráveis são as que não possuem um saneamento adequado e as que moram em áreas "periurbanas", ou seja, além dos subúrbios de uma cidade, onde atividades rurais e urbanas se misturam.
 

"A melhor medida profilática para a questão dessas doenças é manter as florestas em pé. Floresta saudáveis e com alimento, para que os mamíferos não precisem procurar por comida nas cidades. E onde você tenha um balanço entre o número desses animais e seus predadores e competidores", concluiu.
 

A pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo de Ecologia Aplicada (Geca), da UFMT, em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Centro de Pesquisa em Virologia da Universidade de São Paulo (USP), A Oregon State University e a University of East Anglia.

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