Diário da Serra

Milésimo quase gol

Lévender Mattos 22/08/2019 Artigos

As vezes durante o caminho, antes do chute, a gente pensa em todas as possibilidades e mesmo assim o gol não sai

Artigo

Desconstruindo a própria história. Esse dia foi louco... me recordo como se fosse ontem. Era final do campeonato local, jogo duro, 45 minutos do segundo tempo, partida empatada e jogadas acirradas, ambos times buscando a vitória, a torcida ensandecida na arquibancada, o jogo era lá e cá, contra-ataque do nosso time, recebo então a “bola do jogo” na ponta direita, marcação em cima, deixo um defensor para trás, entro na área, uso toda minha habilidade desconhecida para cortar o zagueiro e preparar o chute, mas antes de conseguir finalizar o zagueiro me derruba, o juiz apita, é pênalti! Pênalti claro, nem precisa rever no VAR.
A torcida vai a loucura, pego a bola decidido, coloco na marca da cal, olho para arquibancada, foi então que vejo uma fã loira gritando desesperadamente meu nome e fazendo “coraçãozinho” com as mãos, e faz um sinal tipo: "faz esse gol para mim!", penso, vai para cima pai, balança a rede e corre para o abraço. A taça é nossa. A loira é minha.
Tomo distância, espero o apito, o silencio toma conta do estádio, agora é comigo, ouço o apito, goleiro vs eu, bato forte ou colocada, direita ou esquerda, parto para o chute decidido (consigo até ouvir a voz do Galvão Bueno narrando a cena na minha mente), pé direito na BOOOOOLA!... Defendeeeeu! Defende o goleiro.
Não acredito! A torcida grita "huuu..", meus companheiros me xingam, balanço a cabeça desconsolado, esquecemos de voltar para marcar o time adversário, levamos gol, desempate, 2x1, juiz apita, final de partida, somos vice de novo, parece o Vasco.
Perder faz parte, as vezes a gente tem culpa, em outras não, é importante saber das nossas limitações, assumir e apreender com os erros, e principalmente saber que o jogo segue mesmo após o apito final, que a vida segue e a amizade continua. A equipe se cumprimenta, "valeu time", ano que vem tem mais.
A loira da arquibancada se aproxima, sorri e me diz: você até que jogou bem, tira uma foto comigo? (Essa do post). As vezes durante o caminho, antes do chute, a gente pensa em todas as possibilidades e mesmo assim o gol não sai. Mas também tem dia que a gente ganha de goleada... E nem precisa fazer gol para isso. Talvez o segredo seja só tomar distância, e olhar para a torcida.
Não sei, só sei que foi assim, alguns irão duvidar da estória, outros não, mas acredite, estou cada vez mais perto do milésimo gol. Quase gol. Valeu time.

Lévender Mattos
Rabisca como passatempo inspirado pelos filhos Gabriel, Enzo e Théo. É apaixonado pela Paternidade e pela Patrícia Fernanda. É idealizador da página @paiterapia. Meta de 2019 batida, este é o vigésimo e último artigo do ano, achei super estar por aqui. Obrigado e até qualquer dia.



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