Diário da Serra

PROFISSIONAL HUMANIZADO

Mércia Geraldo Pereira 16/09/2019 Artigos

É mais fácil amar o ser inteligente, responsável, o “dito normal” pela sociedade

Artigo

A afetividade produz a solidariedade, a generosidade, a compaixão e a capacidade de amar. Ameniza a dor e aponta caminhos mais sublimes. Toda pessoa é dotada de sentimentos que a capacita a agir afetuosamente, mas que, muitas vezes encontram-se cristalizados em virtude de um mundo que se torna cada vez mais violento e com seres humanos insensíveis. Protelam-se o processo de amar, não permitindo que tal sentimento venha romper barreiras e florescer em atitudes que fariam a diferença em muitas vidas e na própria história. Vive-se “o amar uns aos outros” quando o amor não exige um grande esforço. É mais fácil amar o ser inteligente, responsável, o “dito normal” pela sociedade, o que não discute regras e o que não contraria nossos conceitos. É mais fácil amar o sujeito passivo e educado. Refletir sobre práticas afetivas exige sensibilidade, um coração generosamente humano, desprovido de violência e preconceitos que degradam relacionamentos. Requer contemplar o “ser real” e não “ideal”. Em uma sociedade, cujo cenário traz como discurso o individualismo, e a competição impera nos relacionamentos, torna-se urgente educar com afetividade, trazendo à tona sentimentos e tantos valores esquecidos. Faz-se necessário reavivar temas que estimulem a esperança de um futuro melhor e expectativas que retratem o verdadeiro significado da essência humana.  Muito se fala em formar líderes, pois cabe ressaltar que a maior liderança4 existente discipulou doze pessoas, de diferentes níveis sociais e culturais, no intuito de, através delas, difundir suas ideias e ensinamentos, que há dois mil anos abrangem todo o universo. E a maior característica expressa em sua missão foi o amor; elemento-chave para se viver harmoniosamente e confrontar corações endurecidos, sendo em seus preceitos, este sentimento não somente uma possibilidade ou uma opção para a humanidade, mas um mandamento. Seus princípios priorizam a edificação à destruição; a humildade à arrogância; o ouvir ao falar, o lançar as sementes à somente colher, e estabelece o cultivo do amor incondicional. Amar o próximo como a si mesmo.  Visto que o professor, como em nenhuma outra profissão, influencia consideravelmente a construção do homem, é preciso amar a tarefa de ensinar. É isso precisa-se de gente que ama, construtores de um mundo melhor, que perceba o outro, além de suas limitações e que escreva coletivamente histórias de desafios e conquistas. Gente que compreenda que não há vitórias sem lutas; que a felicidade se percebe após experimentar os dissabores e as turbulências da vida. Gente que tenha a humildade e a sensibilidade de compreender que todos nós erramos e o erro, muitas vezes, é o processo do acerto; que a intolerância gera injustiça; a tolerância gera a paciência e a paciência nos torna mais sensíveis e mais humanos. Gente que não seja contaminada por indivíduos que ridicularizam a busca de um mundo mais humanizado. Que em tudo haja uma lição e a do afeto seja interpretada nas entrelinhas da vida, sendo apreendida e disseminada. No entanto, “ninguém dá o que não tem” e o mundo reclama da urgência em amar e ensinar a amar.

MÉRCIA GERALDO PEREIRA, formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia pela faculdade UniSerra Tangara da Serra MT

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