Diário da Serra

SAMUEL CORSINO: O paraense que em Tangará da Serra cresceu

Fabíola Tormes / Redação DS 19/09/2019 Memória

Ele desembarcou em solo tangaraense em outubro de 1962, com apenas 16 anos

Samuel Corsino

SAMUEL CORSINO - O paraense que em Tangará da Serra cresceu

Dia 31 de maio de 1946, em Jataizinho (registro em Sertanópolis), nascia Samuel Corsino, um paranaense que, na Terra dos Tangarás, cresceu, trabalhou e formou sua família.


Filho dos pioneiros José Corsino e Etelvina Gomes Corsino, Samuel viveu a maior parte de sua vida em Tangará da Serra. Ao lado de toda família – pais e irmãos: Moisés Corsino, Nair Corsino de Jesus, Talita Corsino e Silas Corsino – desembarcou em solo tangaraense em outubro de 1962, com apenas 16 anos.
“Chegamos em Tangará da Serra em 2 de outubro de 1962. Ficamos por um tempo na sede, em um barracão emprestado pelo senhor Jonas Lopes, até que fizéssemos a queimada e construíssemos nosso rancho no sítio. Digo isso porque era um barraco de tábuas de Mulungu (um tipo de paineira), coberto com tabuinhas e iluminado pela luz do luar. Feito isso, mudamos para o sítio que ficava a quatro quilômetros da sede, Estrada da Reserva, Córrego Palmital”, conta o irmão caçula, Silas Corsino.


Já em 1966 uma nova mudança, dentro da pequena e em crescimento Tangará da Serra: a família trocou as terras do Palmital por outras no Córrego das Pedras. “Começamos tudo de novo. Eram 15 quilômetros de estrada ruim, e dois quilômetros de trilha no meio da mata. Tudo era carregado nas costas até fazer a derrubada, esperar para a queima e construir o barraco”, relembra o irmão mais novo, ao recordar que ficavam os quatro homens da família – pai, José Corsino e os filhos, Moisés, Samuel e ele, Silas, semanas e semanas no mato. Já Dona Etelvina cuidava da Pensão Mineira, propriedade que adquiriram no centro da cidade. Ela foi construída para ser uma pensão, com nove quartos, que atendia a demanda da época. “A mãe abraçou sozinha a pensão: cozinhar, servir, lavar, cuidar dos hóspedes, atender peões, caminhoneiros, viajantes, doentes. Muito trabalho”, descreve Silas, ao relatar que assim foi até 1977. A pensão ficava na Rua 8, entre a Avenida Brasil e a Rua Antonio Hortolani, onde hoje funciona o Laboratório Bioclínica.


Com a mudança, além de terras novas e produtivas para a família Corsino viver e trabalhar, Samuel vivia também mudanças em sua vida pessoal – conheceu aquela que seria sua mulher, Zulmira Teixeira Corsino e com quem dividiria a vida por mais de 25 anos.


Samuel Corsino e Zulmira Teixeira Corsino se casaram em 1966

Assim como Samuel, Zulmira Teixeira Corsino também é filha de pioneiros, Tereza Teixeira Fernandes Franco e Miguel Teixeira Franco, que chegaram em Tangará da Serra em 1963.


Ainda adolescentes, ambos se dedicavam a ajudar seus pais nas ‘lidas’ do campo e, no caso de Zulmira, também lavando e passando roupas para terceiros. “Conheci toda a família quando eles vieram morar na cidade [época em que a mãe de Samuel montou a Pensão Mineira]. Eles tinham as terras no Córrego das Pedras, mas a mãe ficava na cidade”, relembra Zulmira, ao contar como se conheceram. “Meu pai tinha comprado uma Chácara e já estava morando no Shangri-lá”.


Mas a aproximação ficou maior ainda com a família Corsino quando Maria, que era casada com o Moisés, irmão do Samuel, a convidava para dormir na casa dela, “porque o Moisés sempre ia para o sítio, aí que peguei conhecimento”.


Mas do dia em que se conheceram, até o início do namoro, muita coisa aconteceu. Ambos viveram paixões de adolescente – namoro naquela época, segundo Zulmira, nem se pegava na mão – e trabalhavam. “Naquele tempo a cidade era uma corrutela. Não tinha para onde as moças andar, passear (…) a gente só brincava de passa anel, de esconder, de cantar de roda. Nós ficávamos jogando verso para os rapazes e eles pra gente. Era melhor que hoje. Era um tempo mais alegre”, relembra, com os olhos cheios de lágrimas. “Dia de domingo, juntava as moças e ia passear naquelas ruas que não tinha nada. Ia pra cima e pra baixo, andando, naquelas ruas que não tinha nada”.


Numa dessas passeadas, de domingo Zulmira avistou Samuel e, de iniciativa, o conquistou. “Falei para minha amiga: ‘Você quer ver como se conquista um rapaz?’ Ela disse que sim e falei. ‘Então espera para ver, deixa chegar perto’. Foi chegando perto, falei assim: ‘Boa tarde, como que vão?’ E falei assim pro Samuel, que estava com um relógio: ‘Você sabe falar a hora que você tem aí?’ Já falei dando risada, brincando. Ele olhou e falou a hora. Depois falei pra minha amiga: ‘Não falei pra você, de hoje em diante nós seremos namorados’. Ela riu e assim foi”.


Samuel e Zulmira casaram em 1966 e ficaram juntos por mais de 25 anos. 


Dessa união nasceram Sidineia Teixeira Corsino, em 25 de dezembro de 1968 (in memoriam – morreu com 48 anos); Sidnei Teixeira Corsino, em 13 de maio de 1970; e Servion Túlio Teixeira Corsino, em 5 de novembro (in memoriam – morreu com sete anos). Zulmira e Samuel são ainda avós de Paula e Eduardo (filhos de Sidnei).


“Foi uma pessoa muito boa”

Depois que se casaram, Zulmira e Samuel foram morar em uma casinha, construída por ele, um pouco afastada da cidade, numa corrutela, onde a família viveu por alguns anos, seguindo depois para o Araputanga e depois ao Córrego das Pedras. Neste último local, a família já estava completa, com os três filhos. “Fiquei 20 anos lá [Córrego das Pedras]. Era um lugar muito bom”.


Assim como o lugar, cercado de frutas, naquela casa Zulmira viveu anos muito felizes ao lado de Samuel e dos filhos. “Foi uma pessoa muito boa. Muito bom para mim. Nós brincávamos igual criança. Ele corria atrás de mim e eu corria atrás dele, para ver quem pegava o outro primeiro. Você precisava ver como nos dávamos bem”, conta Zulmira, que ficou ao lado de Samuel até os últimos momentos.


Samuel Corsino faleceu aos 46 anos, ocasionado por um edema pulmonar e insuficiência cardíaca (conforme relatado em certidão de óbito), em 26 de julho de 1992, às 4 horas da manhã, no Hospital Santa Ângela.
Depois disso, Zulmira mudou-se para a propriedade dos pais, onde mora até hoje, próximo ao Alto da Boa Vista. “Nunca deixou faltar nada para os filhos e para mim. Foi muito bom o que a gente viveu”.


Homenagem

A família Corsino é parte da história de Tangará da Serra e para marcar a contribuição ao município tangaraense, a família eterniza seus nomes em três diferentes ruas.


José Corsino eterniza seu nome em uma das principais ruas de Tangará da Serra, a movimentada Rua 12 e a Rua 29, no Jardim Shangri-lá, em toda sua extensão, recebeu o nome de Rua Etelvina Gomes Corsino.


Já Samuel Corsino, através do Projeto de Lei nº 34, de 1996, por autoria do vereador João Batista de Morais, eternizou seu nome na Rua  27 dos bairros Jardim Shangri-lá e Rio Preto.



Notícias da editoria