Diário da Serra

Pioneiro que contribuiu com a criação do bairro Santa Terezinha

Fabíola Tormes / Redação DS 03/10/2019 Memória

Em 28 de dezembro de 1972 a família Malaco chega a Tangará

Memória

Pioneiro que contribuiu com o Santa Terezinha

No dia 28 de setembro de 1936, no município de Quatá, no Estado de São Paulo, nascia Waldemar Malaco. Homem da terra, da música e do esporte, que cresceu nos Estados de São Paulo e Paraná, porém, no Mato Grosso, mais precisamente em Tangará da Serra, que passou maior parte de sua vida.


Waldemar Malaco era casado com a também paulista, de Itaju, Maurinda Giocopini Malaco, a Dona Maura, que, acompanhada da filha Nilza Aparecida Malaco, nos recebeu em sua casa, cercada de muitas flores e alegria, para contar a história do seu grande amor. “Conheci ele num baile, dançando, em Terra Boa, no Paraná”, inicia a história, ao recordar que tinha apenas 16 anos e ele 20 anos.


Assim que se conheceram, Waldemar pediu em namoro aquela jovem moça, que anos depois veio a ser sua esposa. “Ele me pediu em namoro logo que nos conhecemos e respondi: ‘Eu não te conheço. Nunca te vi. Vai ficar para o próximo [encontro]’”, relembra Dona Maura, ao contar que ele jogava bola com seu irmão e eles marcaram de se encontrar nos jogos. “Mas deu varicela em mim e fiquei dois meses sem ver ele, até que meu irmão fez um baile em casa para adquirir dinheiro para o campo de bola e ele chegou lá, todo sujo (…) e lá que eu dei a resposta”.


Depois deste ‘sim’ para o namoro, Waldemar e Maurinda não mais se largaram. “Namoramos dois anos e dois meses e casamos”. O casamento aconteceu no dia 11 de outubro de 1958, em Terra Boa-PR, sendo que desta união nasceram os quatro filhos do casal – Neide Aparecida Malaco, Nilza Aparecida Malaco, Valdir Aparecido Malaco e Neusa Aparecida Malaco.  Todos nasceram em Terra Boa.


28 de dezembro de 1972 a família Malaco chega a Tangará

Assim que casaram, Waldemar e Maurinda Malaco foram morar no sítio do sogro, trabalhando com café. Depois disso se mudaram para Caarapó, no Mato Grosso do Sul, e, finalmente, para o Estado de Mato Grosso, onde cravaram raízes. “Meu marido veio aqui [Tangará] em 70, época em que estava dando aquela malária, e ele ficou com medo e voltou. Veio com amigos, vizinhos nossos, que vieram também comprar terra”.


Nessa primeira oportunidade nenhum negócio foi fechado. “Quando foi em 72 ele veio de novo, comprou terras, e viemos, todos, depois”. E assim, em 28 de dezembro de 1972 a família Malaco chegava a Tangará da Serra, fixando residência em uma chácara de 10 alqueires, onde anos mais tarde se tornaria o bairro Santa Terezinha.


“Nessa quadra mesmo [onde moram hoje – Rua18, nº 876-S], tinha uma casinha de quatro cômodos, uma área no fundo e uma na frente. Nela moramos três anos, quando construímos outra, de madeira, grande que só. Ia uma lata de cera grande para encerar a casa e uma na área, de tão grande que era. Depois que loteou a casa ficou no meio da rua e por isso tivemos que mudar”, relembra, saudosa, Dona Maura.


Assim construíram a terceira casa, onde Maurinda mora até hoje. Nesse local os filhos cresceram, estudaram e também formaram suas famílias. “Morava só a Dona Amélia ali e o seu Milédio do outro lado. As vezes a noite íamos visitá-los. Tudo no escuro. Não tinha energia. E assim vivíamos sossegado”, recorda a filha Nilza, ao contar que durante o dia todos iam para a escola – estudavam na Escola 29 de Novembro – e a tarde trabalhavam no sítio da família, perto da Unemat. “Estudávamos, trabalhávamos e quando chegávamos em casa ainda íamos cuidar da horta, tratar dos porcos e fazer as tarefas com a lamparina, felizes”.


Além da chácara onde moravam, a família tinha também um sítio na localidade da Unemat, onde plantavam arroz, feijão, milho, café e outras cultivares. Hoje, com problemas de articulação, Dona Maura faz tapetes para passar o tempo e comercialização.


Waldemar contribuiu para o desenvolvimento municipal

“Ele adorava pescar. Quando ele arrumava para pescar, na véspera, ele deixava um papel em cima da mesa e ia escrevendo tudo que ele queria levar. Fazia uma lista e depois juntava aquela tralha toda”, relembra a filha Nilza, ao falar dos passatempos do pai, Waldemar Malaco, como o futebol, em que além de jogar bola, participava na direção da Liga Esportiva do Esporte Clube Vila Alta.


Ele também contribuiu com a comunidade católica do bairro, doando os terrenos onde foi construída a Igreja Matriz da Paróquia Santa Terezinha. “Ele foi presidente oito anos da igreja. (….) quando ia fazer uma quermesse, ele pegava uma folha de papel almaço, ia para as redondezas, sítios, para arrecadar frango, porco… tudo anotado naquela folha, na lista. Quando estava perto da festa voltava recolhendo tudo e trazia aqui para casa, onde a gente limpava, com a ajuda dos vizinhos, assava e levava para as festas da igreja”, completa a filha.


Waldemar Malaco participou também de várias atividades relacionadas ao desenvolvimento municipal, sendo o doador do terreno para construção do Posto de Saúde da Comunidade Vila Santa Terezinha, assim como contribuiu na Associação de Pais da Escola Vereador Ramon Sanches Marques.


Marido amoroso, pai carinhoso, avó e bisavó fora do comum

Waldemar Malaco viveu dignamente até os 79 anos, sempre muito alegre e espalhando amor, segundo a filha Nilza Aparecida Malaco. “Ele era um pai fora do comum (…) Por exemplo, quando alguém tinha uma dor, ele levantava a noite, cuidava, sempre foi assim, muito amoroso. Sempre cuidou muito dos filhos, dos netos. Tinha um amor muito grande pela família, inclusive com os sete netos e os quatro bisnetos”.


Além de amoroso, ele era muito festeiro. Sempre ao lado de Dona Maura, ele nunca perdia um baile. “Ele e a mãe passeavam muito”, revela a filha, ao contar que eles não perdiam um baile e que, inclusive, os filhos iam junto. “Ali no finado Ramon tinha muito baile (…) tinha baile todo o sábado e eles nos levavam, eu e a minha irmã Neide”.


A doença e a rápida partida

Waldemar, segundo a família, não tinha doença nenhuma, não tomava nenhum remédio. Mas, em 2015, começou a reclamar da garganta, que, depois de passar por alguns médicos, foi diagnosticado o câncer. “Em agosto ele começou fazer a quimioterapia, fez radioterapia e faleceu em novembro”, conta Nilza, ao destacar que durante toda a doença, ele nunca reclamou de nada. “O pai estava sempre rindo (…) nunca reclamou de nada”. Ele morreu numa quinta-feira, dia 5 de novembro de 2015.


Por sua contribuição a Tangará da Serra, especialmente na criação e crescimento do bairro Santa Terezinha, Waldemar Malaco segue eternizado na praça localizada ao lado da Igreja Paróquia Santa Terezinha, entre as Ruas Francisco Carneiro da Silva, Rua Osvaldo P. de Araújo e Rua Seis, que pela Lei Nº 5.134, de 20 de maio de 2019, passou a ser nominada oficialmente de Praça Waldemar Malaco.


“A gente fica feliz de que ele foi lembrado. Garanto que ele também está feliz”, finaliza a filha.
 



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