Diário da Serra

Representante da Sita, Sebastião Barreto apresentou Tangará da Serra a pioneiros

Fabíola Tormes / Redação DS 10/10/2019 Memória

Seu Barreto era funcionário da Sita e assim ajudou a ‘vender’ Tangará

Sebastião Barreto

Representante da Sita, Sebastião Barreto apresentou Tangará da Serra a pioneiros

O Município de Tangará da Serra originou-se em 1959, emergente do antigo povoado surgido pelo loteamento das glebas Santa Fé, Esmeralda e Juntinho, localizadas no município de Barra do Bugres.


Foi neste ano que a Companhia de Terras instalou-se em Tangará da Serra com o objetivo de implantar uma colônia de terras e o cultivo de café, arroz, milho e feijão. Atraídos pela excelente condição de clima e solo fértil, os senhores Júlio Martinez Benevides, Fábio Lissere, Joaquim Aderaldo de Souza e Joaquim Oléa fundam a Sociedade Imobiliária Tupã para a Agricultura (SITA), iniciando assim a história de Tangará da Serra.


Nesta oportunidade, em 1960, Sebastião Barreto – então funcionário/representante da Sita, conhece Tangará da Serra. Natural de Itapirema, no Estado de São Paulo (nasceu no dia 20 de fevereiro de 1920), Sebastião Barreto, o Seu Barreto, foi um dos grandes responsáveis pela colonização de Tangará da Serra, pois, era o ‘vendedor de sonhos’. “Ele trazia gente, compradores para as terras de Tangará”, contam as filhas Alzira Barreto Gurisan e Alvina Barreto Vieira.


“Vendeu muito lote, muito terreno (…) Ele trouxe o Bila, Antonio, um monte de gente (...)”, recordam as irmãs, que neste tempo ficavam até seis meses sem ver o pai. A viagem para Tangará da Serra, segunda as filhas, demorava um mês. “Ele falava que demorava um mês para chegar aqui”.


A família morava em Tupi Paulista-SP e o pai vivia viajando em busca de compradores para as promissoras terras do então loteamento Tangará.  Assim ele trabalhou durante quase 13 anos, convivendo com sua família a distância, até que em 19 de janeiro de 1973 conseguiu trazer todos os familiares para a terra dos Tangarás.


Em janeiro de 1973 a família desembarca em Tangará

Depois de 10 anos, entre idas e vindas, de São Paulo a Mato Grosso, Sebastião Barreto conseguiu trazer sua família para Tangará da Serra.


Um caminhão trazia a mudança da família de Tupi Paulista a Tangará da Serra e os integrantes, em um Fusca, logo atrás. “Minha mãe veio no caminhão e nós viemos de fusca”, lembra Alvina. Na mudança vieram a matriarca, Rosa Marqueto Barreto, a filha Alzira Barreto Gurisan, o genro Natalin Gurisan e a pequena Silvana Gurisan (com apenas 11 meses), e ainda Alvina Barreto Vieira, que na época tinha apenas 18 anos, assim como Luiz e Maria Odete Sepulveda, filhos de criação do casal.


“Foi com muita briga que viemos morar em Tangará. Nós chegamos aqui e não tinha nada. Deu uma revolta, que queríamos voltar. Nós tínhamos uma vida em São Paulo que era confortável e viemos morar em Tangará sem nada (…) sem luz, sem televisão, sem nada. Sofremos bastante”, conta Alvina. “Dava vontade de ir embora”, completa Alzira.


Mas, com o passar dos anos, as meninas foram aquietando o coração e assim como os pais, formaram suas famílias e até hoje moram em Tangará.


Toda família saiu de Tupi Paulista, direto para Tangará. Quando aqui chegaram, moraram na casa de Saturnino Masson, bem no centro da cidade. “Ele cedeu uma casinha para o meu pai, até que a nossa casa, que estava sendo construída, ficasse pronta”.


Tempo depois se mudaram para a casa da família, na chácara (hoje Jardim América), onde cultivavam café e criavam gado. Antes mesmo desta mudança para a casa própria, contam as filhas, Seu Barreto já tinha comprado a Fazenda Triângulo (perto do Joaquim do Boche, Água Branca), onde plantavam arroz e também criavam gado.


Anos depois, debilitado, Seu Barreto vendeu a fazenda e comprou alguns terrenos bem no centro da cidade, que hoje pertencem as filhas Alzira e Alvina. Juntas, as irmãs deram continuidade ao legado da família: foram sócias da Farmácia Drogaria Center, sociedade desfeita anos depois. Hoje são as proprietárias dos imóveis das esquinas da Avenida Brasil, com a rua Sebastião Barreto.


Casamento e família

Em 26 de junho de 1943, na cidade Mendonça, São Paulo, Sebastião Barreto se casou com Rosa Marqueto Barreto (nascida em 31 de maio de 1924, em Monte Alto-SP e falecida em 31 de janeiro de 2006, em Tangará). Dessa união nasceram Antonio Barreto (que morreu aos dois anos), Alzira Barreto Gurisan e Alvina Barreto Vieira, hoje com 70 e 67 anos, respectivamente, além de dois filhos de criação, Luiz Carlos Sepulveda e Maria Odete Sepulveda – filhos da sua irmã, que morreu ao dar a luz ao sexto filho.


Todos os filhos, assim como a primeira neta, Silvana Gurisan, nasceram em São Paulo. Todos os demais, netos e bisnetos, nasceram em Tangará da Serra, terra que Seu Barreto ajudou a construir. “Lembro que o vovô ajudava muita gente. Lembro que minha avó ficava brava, mas se ele pudesse tirar dele e dar para os outros, ele fazia”, recorda, com saudades, a neta Silvana. “Muita gente hoje, nesta cidade, tem terras porque meu avó ajudou. Ele trouxe muitas famílias, muita gente para Tangará”.


Hoje, Sebastião Barreto e Rosa Marqueto Barreto somam cinco netos – Silvana Gurisan, Sílvio César Gurisan, Sérgio Fabiano Gurisan, Marcelo Domingos Barreto Vieira e Daniela Domingos Barreto – e quatro bisnetos, Danilo de Castro Gurisan, Vinícius de Castro Gurisan, Lais Sampaio Domingos Barreto e Lorenzo Sampaio Domingos Barreto.


Homenagem

Sebastião Barreto faleceu em 20 de outubro de 1987, em Tangará da Serra, vítima de complicações de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).


Em sua homenagem, através do Projeto de Lei nº 19, de 17 de março de 1989, de autoria do vereador Osvaldo Barbosa e sancionada por Manoel Ferreira de Andrade, a rua 8 – localizada bem no coração de Tangará da Serra – passou a se chamar Sebastião Barreto.



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