A família do jovem Daniel do Nascimento, de 22 anos, vítima da colisão entre duas motocicletas ocorrida em Tangará da Serra, na madrugada da última quinta-feira, dia 16, próximo ao frigorífico da cidade, denúncia descaso no Instituto Médico Legal (IML). Isso porque o rapaz gravemente ferido foi levado para Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 Horas) e faleceu por volta das 16h, mas não havia médico legista nem técnico em necropsia de plantão para fazer a perícia no corpo.
Com isso, o corpo de Daniel do Nascimento ficou aguardando necropsia até sexta-feira, 17, pela manhã. A situação revoltou seu tio Raul Ruas do Nascimento, técnico em necropsia aposentado, que trabalhou no IML de Mato Grosso durante três décadas. Outros dois familiares da vítima também são aposentados da Politec.
“Isso é um descaso muito grande com a população, que paga impostos e não tem os serviços quando precisa. Eu e meus irmãos trabalhamos a vida inteira no IML e quando precisamos, não fomos atendidos. O corpo do meu sobrinho passou a madrugada em cima da mesa, aumentando o sofrimento da família. Como uma cidade da importância de Tangará da Serra não tem um legista e um técnico de plantão?”, desabafou.
Raul Ruas do Nascimento ainda lembra que antigamente o IML não tinha pessoal nem estrutura. No entanto, diz que hoje foi modernizado e precisa atender a população com agilidade.
“Na minha época, a estrutura era precária. Não tinha sequer viaturas. Hoje, tem tudo à disposição. O pessoal recebe em dia e o governador ainda antecipa salário. Esse descaso de falta de plantonista não pode acontecer”, completa.
Daniel do Nascimento saia do trabalho pilotando sua motocicleta quando foi atingido por outra moto, que trafegava em alta velocidade. Gravemente ferido, faleceu na UPA 24h. O corpo chegou no IML na quinta à tarde e só foi liberado por volta das 10h de sexta. O sepultamento foi no sábado, 18, às 8h.
Outro Lado
De acordo com a Politec, por meio da assessoria de comunicação, “a necropsia foi realizada no dia seguinte pois não havia papiloscopista na escala para realizar a identificação”.
A assessoria da Politec também informou que foram nomeados dois papiloscopistas para Tangará da Serra, mas por enquanto, somente um tomou posse e ainda passará por treinamento.
Também informa que quando o corpo aguarda necropsia é guardado na câmara fria e não fica sobre a mesa.
De acordo com a assessoria da Politec, a necropsia é uma “perícia complexa” e leva tempo para concluída. Diz ainda que próprio Código de Processo Penal (CPP), no artigo 162, aponta que o exame de necropsia só pode ser iniciado 6h após o óbito.
Com isso, de acordo com a assessoria da Politec, o exame de necropsia, assim como a identificação do corpo, após a entrada do corpo no IML, demora em média 12h.




