Diário da Serra

FRANCISCO CHABUDÉ – Uma história de luta e superação de um tangaraense de coração

Clairton Weber / Especial DS 22/06/2022 Memória

Em 1981 a família se mudou para Tangará da Serra

Francisco Chabudé

FRANCISCO CHABUDÉ – Uma história de luta e superação de um tangaraense de coração

CLAIRTON WEBER / ESPECIAL DS

Francisco Chabudé veio para Tangará da Serra em 1981, partindo do município de Capitão Leônidas Marques, no Paraná. Chabudé nasceu em Esplendor, Estado de Minhas Gerais, em 3 de novembro de 1933. Sua primeira esposa se chamou Eni Oliveira Chabudé. Com ela Francisco teve seis filhos, todos vivos e morando em Tangará da Serra. Mas esta não foi a única esposa e também estes não são os únicos filhos.

Uma conversa descontraída e agradável com quatro filhos de Francisco no último dia 18 de junho deixou as coisas mais claras e jogou um pouco de luz na trajetória deste homenageado. Cleuseni, Zequias, Josilene e Joseli contaram experiências vividas quando crianças, quando adultos e também sobre questões que chegaram até eles por relatos feitos pelo próprio Francisco.

Com a primeira esposa, Eni Oliveira Chabudé, Francisco teve seis filhos. Na ocasião ele morava no Estado do Rio de Janeiro. A esposa estava grávida esperando o sétimo filho. Francisco não sabia, mas a esposa esperava gêmeos. O casal morava num sítio, com poucos recursos e um pouco distante do centro. Ele contou aos filhos que levou a esposa de bicicleta até os médicos. Ela teve complicações e morreu no parto, ocasião em que morreram os gêmeos. O evento, imaginamos, deixou marcas profundas, pois ele providenciou o enterro da esposa, dos filhos que não haviam nascido e voltou para casa, tendo a difícil missão de administrar a questão junto aos filhos pequenos.

O episódio foi decisivo para Francisco largar o Estado do Rio de Janeiro. Na verdade, ele deixou tudo para trás e nunca mais voltou. Foi morar no Paraguai com os filhos pequenos e lá conheceu sua segunda esposa, Alice da Silva Chabudé. Eles casaram no Paraguai, tiveram uma filha. Depois tiveram que casar de novo no Brasil. Já morando em Capitão Leônidas Marques, no Estado do Paraná, o casal teve outra filha e dois anos depois, em 1981 a família se mudou para Tangará da Serra.

Hoje a propriedade se chama Fazenda Boitanga, mas na época se chamava Canaã. Ali foi a primeira morada. Os filhos contaram que quando chegaram nesta localidade para trabalhar na lavoura de café, a casa a eles destinada ainda estava ocupada e foi necessário improvisar um barraco de lona por mais de uma semana. Ali a família viveu alguns anos, trabalhando na propriedade de Manoel Nobre. Os três últimos filhos do casal nasceram nesse tempo.

Em 1984, Francisco Chabudé se mudou com a família para a comunidade de Triângulo onde trabalhou como meeiro na Fazenda Estrela D’Alva em lavouras no cultivo de banana e feijão, principalmente. Dois anos mais tarde, nova mudança. Desta vez para a Fazenda São Paulino.

Francisco Chabudé nem sempre foi agricultor. Os filhos contaram que ele já foi pescador, vendedor de coco, barbeiro e nos últimos anos, foi cuidador do pátio da empresa Tut Transportes aqui em Tangará da Serra.


Vila Esmeralda/Tangará da Serra: Um Francisco Chabudé da cidade

A mudança ocorreu exatamente em 22 de agosto de 1987. “Não esqueço essa data”, disse com olhar distante, a filha Joseli. O endereço bem que poderia ter sido outro, explicaram os filhos, reportando que o pai já estava com tudo acertado para ir com a família para o município de Juína. Nunca souberam exatamente o que fez o pai mudar de ideia e fixar residência na Vila Esmeralda, onde a viúva Alice vive até hoje com o filho mais novo do casal. A casa foi comprada com uma charrete, um animal e cinco cruzeiros.
Francisco Chabudé tinha dons artísticos. Foi sanfoneiro desde a adolescência. Tocava em bailes e casas noturnas até que um incidente num salão mudou seus hábitos. Durante uma apresentação houve um homicídio e um dos seus equipamentos de música foi danificado. Esse incidente aliado ao já relatado sobre a sua primeira esposa, moldaram o homem sobre o qual falamos agora. O segundo casamento e a religião (Francisco era um membro ativo da Igreja Evangélica Assembleia de Deus) foram também decisivos para isso.

A segunda esposa, dona Alice e todos os filhos estão vivos: Josué, Zequias, Marilene, Cleuseni, Aldemir, Malmedes (do primeiro casamento), Joseli, Josilene, Josiel, Josiane e Joas. Também Márcio que é filho de Alice apenas.


O câncer, sempre ele

Francisco Chabudé faleceu de câncer intestinal em 21 de dezembro de 1995, aos 62 anos. Os filhos contaram que depois de uma maratona de internações nos hospitais de Tangará da Serra, Chiquinho, como era conhecido entre os mais próximos foi internado no Hospital Júlio Muller, em Cuiabá. Foram cinco longos meses onde a família praticamente não teve contato. Por fim, uma intervenção mais profunda foi feita e ele voltou ao município. Isso ocorreu em 1992, portanto, Francisco viveu ainda três anos depois de descobrir que estava doente.

Como era funcionário da Tut Transportes trabalhou muito para que o bairro onde morava tivesse transporte público. A Vila Esmeralda é distante do centro e muitas pessoas dependem do transporte. Sempre ativo e com muita vontade de viver, dizia que voltaria a trabalhar na empresa, o que não mais ocorreu.

“Foi um exemplo de homem. De pai. Foi mãe para nós. Um exemplo de tudo”,
disse a filha Josilene.

Rua Francisco Chabudé: homenagem é iniciativa do legislativo municipal

A família não foi a primeira a se instalar na Vila Esmeralda, mas está recebendo uma justa homenagem.

A Rua 14, na Vila Esmeralda vai se chamar oficialmente Rua Francisco Chabudé, que foi um morador do bairro e tem esposa e filhos ainda morando na localidade, alguns inclusive na própria rua.

A iniciativa da nominação remonta ao curto período em que esteve na Câmara Municipal o suplente de vereador Adilson Gonçalves de Oliveira, o “Paquito”. A proposta foi encampada pelo vereador Sebastian Ramos (Podemos) que concluiu o processo.

O projeto de lei 10/2022 foi aprovado por unanimidade recentemente na 19ª e 20ª sessão ordinária e encaminhado para sansão do Prefeito Municipal.



Notícias da editoria