Diário da Serra

DIA DO PROFESSOR – Em salas virtuais, professores se reinventam para continuar ensinando

Fabíola Tormes / Redação DS 14/10/2020 Educação

Dia 15 de outubro, data em que comemoramos o Dia do Professor

Professores

Dar aulas, aplicar e corrigir provas... Ser professor é bem mais que isso. É uma profissão que exige muito esforço, preparo, conhecimento, pesquisa, tempo e dedicação, mais ainda, que requer compromisso e comprometimento com o aluno. Ser professor hoje é uma tarefa bem difícil, mas, segundo todos eles, prazerosa.


E nesta quinta-feira, dia 15 de outubro, data em que comemoramos o Dia do Professor, vamos trazer o depoimento de quatro educadores, de diferentes níveis escolares, para falar desta escolha de vida e dos desafios enfrentados, especialmente neste ano em que a pandemia lançou um grande desafio: um longo período com aulas à distância e para todas as faixas etárias.


Professora Keyla ReginaFormada em Pedagogia desde 2010, a professora Keyla Regina de Lira Nascimento iniciou na educação em 2006, como auxiliar infantil e desde 2012 como professora de educação infantil na prefeitura de Tangará da Serra. Atualmente ela trabalha no Centro Municipal de Ensino Jesu Pimenta. “Desconheço outro emprego onde você recebe flores e abraços quando chega ao trabalho e ainda ouve umas pessoinhas lindas te dizer: Tia você está linda. Isso com toda sinceridade e inocência que só existe nas crianças.


Por isso ser professora neste tempo de pandemia não tem sido uma tarefa fácil, se reinventar, buscando alternativas para estreitar laços desatados pelo distanciamento é desafiador e frustrante também, porque realmente a interações humanas são fundamentais nesta etapa de ensino. Mas estamos buscando novas alternativas através das tecnologias, tentando não perder o vínculo, ao mesmo tempo que buscamos fomentar oportunidades de aprendizagens significativas aos pequenos,  mas a verdade é que nada disso jamais poderá substituir as interações pessoais vivenciadas no espaço escolar”.


Professora Ariane de FariaAssim como aos pequenininhos, no Fundamental a tarefa também está sendo desafiadora. De acordo com a professora da Escola Estadual Pedro Alberto Tayano, Ariane de Faria, ser professora nesta pandemia tem sido algo desafiador em vários aspectos. “Primeiro é o de não ter contato com os alunos”, garante. Outro desafio é a falta de recursos. “Na escola que trabalho optamos pelo sistema apostilado com apoio via wattsapp, pois não são todos que dispõe de internet para acompanhamento de aulas virtuais diárias. E mesmo via watts alcançamos uma pequena parcela de alunos”.


Aliado a isso, a professora destaca  a mudança brusca de rotina. “O volume de trabalho aumentou consideravelmente. Tornou-se algo exclusivamente em frente ao computador e celular (…) Mas creio que o mais difícil para todo professor foi perder essa função de falar, algo tão próprio do professor que tanto gosta de verbalizar, questionar e ensinar com sua fala. Perdemos de uma hora para outra os diálogos, que são tão importantes para a construção do conhecimento dos nossos alunos”.


Professora Elaine Regina Há 20 anos trabalhando com alunos do Ensino Médio nas escolas da rede privada de Tangará da Serra – Ipes e Atec – com as disciplinas de História, Sociologia e Filosofia, a professora Elaine Regina Castoldi garante que está sendo totalmente diferente de todos em que já viveu, desde a mudança de ambiente (sala virtual) e, principalmente, longe do calor de seus alunos. “Sendo historiadora consigo fazer o contraponto da idade moderna, antiga, pré-história, para a atualidade. Consigo analisar a pandemia 2020 com a peste negra, a varíola (…) entender a linha histórica dentro da humanidade. Mas mesmo assim, é difícil explicar o ano que estamos vivendo. Os alunos falam: professora você explica a peste negra tranquilamente. E agora, o coronavírus? Mas explicar o que já aconteceu, que tem uma resposta, é mais fácil. Agora estou vivenciando. Então o mesmo medo que meus alunos tem, eu também tenho. (…) por isso que mais que dar aula, tenho que estar bem para passar tranquilidade a todos eles, me preocupar com o bem estar deles agora. Mas de uma coisa tenho certeza: sempre há uma luz no fim do túnel”, afirma, ao destacar que este dia dos professores os abraços serão virtuais, mas muito em breve todos irão, com segurança, se reencontrar pessoalmente.


Professor Toni AmorimNo Ensino Superior, apesar de muitos acreditarem ser mais fácil essa assimilação de aulas virtuais – por serem todos adultos – o professor da Unemat de Tangará da Serra há 20 anos, Toni Amorim, garante que não. “Mesmo para nós que trabalhamos com adultos, pessoas que estão na faculdade, pessoas que fizeram a escolha de um curso superior, a gente teve um impacto muito grande”, afirma. “A Unemat sempre foi 100% presencial em seus campus universitários e de uma hora para outra a gente se viu nesta situação, com aula a distância, onde contato se dá através do computador, do celular, que eram tecnologias que até então, na maioria das disciplinas do curso superior, não eram utilizadas no dia a dia. Eram para pesquisa ou trabalho, mas não para ambiente de sala de aula (…) e num determinado momento ter que se ver em frente a uma câmera, aprender a falar para uma câmera, a conversar imaginando ou colocando na tua mente que você tem um grupo de 30, 40 alunos, e que está falando para eles”, reflete. “Mas guardadas as devidas proporções, acredito que todo o sistema educacional, desde a base até o ensino superior, todos tiveram impacto, tanto da parte docente, quanto da discente. (…) e todos se reinventaram pelos alunos”.
 

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