Diário da Serra

Turismo Otaku: mundialização da cultura pop japonesa

Sidney Tapajós 08/11/2020 Artigos

Termo é utilizado apenas para rotular as pessoas que são fãs de animês

Artigo

No presente contexto, muitas são as discussões sobre turismo e turistas. Contudo, poucos estudos têm como alvo específico os novos tipos de turismo, como no caso dos turistas otaku.


A palavra Otaku está relacionada com o ato de “ser fã de algo”, mas no Brasil e em outros países ocidentais, o termo é utilizado apenas para rotular as pessoas que são fãs de animês, mangás e de outros aspectos da cultura pop japonesa.


O objetivo deste artigo é mostrar como os animês e mangás podem estimular os imaginários dos otakus, despertando-os para o deslocamento dos mesmos aos cenários. Estes turistas pesquisam na internet, nas redes sociais e nos blogs a localização exata, aonde ocorrem às histórias que conhecem e muitos deles sentem que fazem partes dessas histórias que assistem ou lêem.


Segundo Okamoto (2009), divulgação das mídias japonesas mangás (revista em quadrinhos) e animes (animações, desenho animado) tem acarretado no surgimento de uma demanda turística que procura conhecer os locais onde suas histórias favoritas aconteceram.


Embora hoje os quadrinhos sejam muito populares, há algum tempo, além da falta de materiais e patrocínios, o custo de sua produção é muito elevado, levando ao abandono de vários animês e mangás.


Em 1930, com o desenvolvimento da ditadura militar japonesa, o governo japonês considerou os quadrinhos uma forma de propaganda, o que acabou levando à perda de custos de produção, sujeita a toda supervisão e censura, a liberdade criativa foi controlada, os artistas que discordarem do sistema serão removidos ou exilados. Com a disseminação e aceitação dos animês e mangás, as pessoas começaram a se interessar em fazer animações para as histórias mais populares, e o primeiro animê apareceu no final do século XIX.


No começo eram desenhos e charges, mostravam o dia a dia. Gradualmente, eles começaram a se tornar mais refinados, contendo histórias, lendas e histórias populares, e posteriormente usados para criar séries e histórias mais complexas, misturando elementos reais com coisas fictícias e tendo estilos diferentes, exemplificando: Shoujo (romântico) Shonen (ação, aventura) ou mesmo conteúdo infinito (pornografia adulta) e assim por diante.


Porém, com o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota do Japão, os americanos destruíram parte dos mangás e animês usado durante o período militarista. Vários cartunistas desistiram, mas Osamu Tezuka insistiu em escrever novas histórias e produziu com sucesso a animação pela primeira vez após a guerra em 1958.


A meta do governo japonês é aumentar o número de turistas estrangeiros de 8,36 milhões em 2012 para 10 milhões em 2013 e ultrapassar 30 milhões até 2030. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, o personagem Goku do mangá/anime Dragon Ball, foi nomeado como um dos embaixadores. Com isso, Goku vai estampar diversas peças promocionais dos jogos, ao lado de outros nomes conhecidos da cultura local, como Naruto, One Piece, Saior Moon, entre outros.


No mundo dos animês e mangás, planejar para o turismo significa comercializar as diferentes verdades do local para tornar a experiência viagem única e, mostrar a animação como um meio de criar nichos emergentes no mercado turístico.


Ultimar que o turismo Otaku deve ocorrer e se consolidar, proveniente da cultura pop japonesa, utilizam como forma de divulgação turística, estas vêm crescendo atualmente como forma de promoção turística e adotada pelos setores públicos e privado para atrair uma nova demanda, pois é uma área que pode adaptar-se às necessidades individuais ou coletivas, principalmente quando se trata de novos paradigmas introduzidos pela modernização.

Sidney Tapajós - Turismólogo e Pedagogo. Especialista em RH e Didática do Ensino Superior.

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