Diário da Serra

A LITERATURA INFANTIL NA EDUCAÇÃO DOS SURDOS: DESAFIOS EM SALA DE AULA

Cláudia Regina Delarcos 10/11/2020 Artigos

(...) devem procurar literaturas que somem as culturas preexistentes de cada criança surda

Artigos

A Educação Infantil é uma etapa de grande importância para o processo de formação do indivíduo. É na relação íntima da criança com uma obra literária que há a possibilidade de formar-se um leitor. Assim, nas etapas iniciais de educação, os livros infantis, com suas histórias clássicas mergulhadas em fantasias, se configuram como um método fundamental para o incentivo e desenvolvimento da criatividade. (BERNARDINELLI & CARVALHO, 2011)


Esse é um ponto relevante e fundamental também na educação de crianças surdas, porém, no contexto escolar percebe-se a escassez de recursos e materiais que promovam a diversidade cultural quando em comparação com comunidades surdas. A leitura de outros textos e imagens que ressignifiquem o ser diferente com abordagens que tragam representações e identidades próprias.


Com relação aos profissionais envolvidos, as dúvidas pairam sobre se todo o arcabouço existente está de fato produzindo significados entre os surdos. A tradução de experiências visuais que construam e envolvam o enredo da estória.


As diferentes produções culturais dependem da criatividade dos respectivos autores e compiladores cujas raízes são os costumes, os idiomas e isto impacta de modo bastante significativo as produções literárias, pois o surdo não está geograficamente em um só lugar, tampouco a sua visão de mundo é a mesma.


O intérprete ou o professor devem procurar literaturas que somem as culturas preexistentes de cada criança surda. Um bom exemplo são os Contos de Fadas que dão contribuições psicológicas positivas ao crescimento da criança e significação a sua vida, quando trazidos à sua identidade promovem nelas a sensação de pertencimento.


A boa tradução destes sentimentos de dualidade presentes, por exemplo nos Contos de Fadas, forma inconscientemente nas crianças surdas grande parte das demandas psico sociais e sócio culturais que ela precisará para a vida adulta. Os signos linguísticos usados na Língua de Sinais devem contemplar toda a atmosfera da estória.


Para tanto, o Contador de Estórias deve ter um nível fluente da linguagem de sinais, com um vocabulário amplo, bem como expressão corporal e facial que traduzam a ambientação e os sentimentos dos personagens. Ou seja, o papel do Contador de Estórias é antes de tudo emocionar.


Torna-se relevante a sociedade ouvinte compreender que com a utilização de materiais e formação pedagógica específica e assertiva dos professores e intérpretes é possível obter resultados que irão promover a inclusão da Literatura Surda nas escolas.

CLÁUDIA REGINA DELARCOS

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