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Altura do rio Paraguai entra em fase de recuperação, diz Serviço Geológico

Diário Corumbaense 12/11/2020 Geral

O nível do rio vem subindo há quase duas semanas consecutivas. A marca mínima foi de -32 centímetros

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O nível do rio Paraguai em Ladário apresenta tendência de recuperação. É o que indicam as projeções do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Segundo a empresa pública, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, “em Ladário, o rio Paraguai tem mostrado uma tendência de recuperação de níveis e, de acordo com os dados históricos, é improvável que o rio retorne ao regime de recessão neste local, após retomada a recuperação de níveis. Ainda assim, os níveis levarão tempo para se recuperarem”.  
 

Nesta quarta-feira, 11 de novembro, a altura do rio Paraguai, na régua do 6° Distrito Naval de Ladário, alcançou a marca negativa de 1 centímetro (-0,01 cm). O nível do rio vem subindo há quase duas semanas consecutivas. A marca mínima foi de -32 centímetros, atingido nos dias 23 e 25 de outubro. Foram as menores alturas desde 1973, quando a régua da Marinha ladarense marcou -2 centímetros em 19 de outubro daquele ano.


A partir da marca mínima – em outubro deste ano – teve início o período de recuperação. Em 14 dias, as projeções apontam para índice positivo com altura de 5 centímetros na centenária régua de Ladário. 
 

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o modelo de previsão indica que há “em geral, uma recuperação dos rios da bacia. Por exemplo, em Cáceres, os níveis mínimos já parecem ter sido observados e os rios mostram tendência de retomada dos níveis”. Ainda segundo o CPRM, a recuperação dos níveis será lenta em razão de as chuvas previstas ficarem “levemente abaixo da normal para os próximos 15 dias”.
 

Contudo, em todas as estações de monitoramento da Região Hidrográfica da Bacia do Rio Paraguai, os níveis encontram-se abaixo dos normais para este período do ano e dentro da zona de atenção para mínimas. Em Cáceres, Cuiabá, Santo Antônio do Leverger, Acima Córrego Grande e Porto Conceição, os rios estão na mínima histórica.
 

Maior vazante em quase 5 décadas
 

Embora seja possível visualizar bancos de areia em trechos do rio, o nível negativo não significa que as pessoas podem "atravessar a pé" o rio Paraguai. A explicação para isso é que a centenária régua ladarense foi instalada num local de fácil leitura (margem direita do rio), assim, o zero da régua não corresponde ao local mais profundo. Mesmo com a marca de zero centímetro, o rio tem largura aproximada de 250 metros e uma profundidade média de 4 metros. Daí a explicação para o fato dessa régua já ter registrado valores negativos, como ocorreu em 1964, quando o nível ficou 61 centímetros abaixo do zero.
 

Dados do CPRM mostram que três das cinco vazantes mais rigorosas, em Ladário, aconteceram em setembro e duas em outubro. Em 1964 o rio alcançou a menor marca chegando aos -61 cm (em setembro). Em 1971 mediu -57 cm (setembro). Em 1967 alcançou -53 cm (outubro). Dois anos depois, em 1969, a régua do 6º Distrito Naval registrou os mesmos -53 centímetros (setembro). A quinta maior vazante aconteceu em 1910 com -48 cm (outubro).
 

Região Hidrográfica do Paraguai
 

A Região Hidrográfica do Paraguai ocupa 4,3% do território brasileiro (363.446km²), abrangendo parte de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o que inclui a maioria do Pantanal, maior área úmida contínua do planeta. Os principais cursos d’água são: rio Paraguai, Taquari, São Lourenço, Cuiabá, Itiquira, Miranda, Aquidauana, Negro, Apa e Jauru.
 

Na RH do Paraguai moram 2,39 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo 87% em áreas urbanas. A maior das 78 cidades da RH do Paraguai é a capital de Mato Grosso: Cuiabá. Outras cidades também possuem contingente populacional significativo, como: Várzea Grande (MT), Rondonópolis (MT), Corumbá (MS), Cáceres (MT), Tangará da Serra (MT) e Aquidauana (MS).

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