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  Tangará da Serra, 16 de janeiro de 2018.  
Tangará da Serra - MT


Em 17/09/2016
Francisco Carneiro da Silva, um homem a frente de seu tempo


Aos treze anos, nosso homenageado de hoje já carregava sobre si uma grande responsabilidade


O Memória de hoje conta a história de Francisco Carneiro da Silva, o filho  mais velho de uma família de mais três irmãos, que muito cedo tomou para si a responsabilidade de suprir e manter a família, quando muito cedo  o pai foi acometido de uma cegueira que acabou por limitar-lhe a vida.
Aos treze anos,   nosso homenageado de hoje já carregava sobre si uma grande responsabilidade, que desempenhou de forma maestral, casando os irmãos e mantendo os pais até o final de suas vidas.
Quando tinha 19 anos, casou-se pela primeira vez e com a esposa teve seis filhos, sendo que destes, somente três viveram. Quando da gravidez do sexto filho, Francisco infelizmente perdeu a esposa após um parto bastante complicado.
Sua vida então ficou bastante complicada, uma vez que era homem da lida, vivia para o trabalho, e agora com três filhos ainda pequenos, inclusive um bebê, tudo estava confuso.
Certo dia, encontrou por acaso uma moça que conheceu aos treze anos, e isso novamente reacendeu a chama de seu pobre coração abatido. Tão logo a viu, se interessou, mas guardou para si. Como era muito conhecido da família, por ela também era demasiadamente admirado por ser um homem trabalhador e de fibra. Certo dia ouviu da avó de Deusdete, sua futura esposa a seguinte colocação. “Tenho várias netas moças, escolha uma que eu falo para você”. Com a proposta falou da escolhida. “Minha avó se encantou primeiro com ele do que eu. Bem antes de mim, porque ele tinha cuidado muito bem da esposa enquanto viva e muito mais na doença, então ela admirava demais sua atitude”, conta a esposa.  O casal então se casa e passam a criar os filhos de Francisco, que na época era administrador de fazenda, e tinha uma condição financeira razoável, que garantia à esposa uma casa confortável e empregados que a ajudavam na lida com os pequenos.

O visionário que tinha um tino comercial invejável

O casal mudou-se algumas vezes, até ouvir falar de Tangará da Serra, quando Francisco vem conhecer o lugar, e decide para cá mudar-se com toda a família. “Viemos para cá para ele abrir terras de um conhecido e as nossas que ele tinha comprado quando veio conhecer. Minha mãe ficou na cidade para a gente estudar, já que essa era uma das prioridades de meu pai, que apesar de não ter nenhum estudo, se esforçou para que todos os filhos estudassem”.
Francisco e um cunhado com quem tem muita afinidade muda-se então para a Triângulo, onde passam a viver sob lonas e a derrubar mata para realizar as plantações de feijão. “Chegamos lá passando por pinguelas e abrindo estradas no facão. Foram tempos difíceis devido a chuva que era intensa. Aqui tinha seis meses de seca e seis meses de muita chuva. Tanto que para vir à cidade, vinha uns três tratores para arrastar o carro quando  atolava”, narra Francisco, cunhado. Após alguns anos no local, Francisco percebe que a terra já não responde de acordo com  o que propõe, e volta a morar em Tangará da Serra com a família. Aqui monta um mercadinho e uma loja de materiais para construção, de onde a família tira seu sustento. Incentiva os filhos a estudar e a servir na igreja. “Ele não era muito de ir à missa, mas era disposto a ajudar em tudo que a comunidade precisava, principalmente financeiramente. Incentivava a gente para estudar e tinha o sonho de ter uma filha professora, o que viveu para ver”, diz Betinha. Apesar de sua seriedade, era muito alegre, mas era homem de uma palavra só e nem precisava falar para se fazer entender pelos filhos  que foram criados com muito zelo e cuidado. Com um olhar já dizia tudo. Era pai zeloso e ciumento, que buscava sempre o melhor do melhor para os seus.

A Homenagem

Viveu alguns anos a frente de seus negócios, onde os filhos trabalhavam também para aprender o valor das coisas e do trabalho. Mas infelizmente, passou a apresentar algumas complicações de saúde que passaram a limitar sua vida, o que realmente não foi muito bem recebido por Francisco, que era muito ágil, trabalhador, independente, criativo e prático. Partiu, após lutar contra a doença que acabou por vencê-lo. Mas deixou um legado de amor, união e bondade, que foi vivenciado pelos filhos. “Quando alguém lhe pedia fiado para matar a fome dos seus  nunca voltava de mãos abanando”.
Francisco pelo homem que foi, e pelos significativos serviços prestados ao município, foi homenageado tendo seu nome eternizado. Na Vila Alta, uma das ruas do bairro carrega seu nome, lembrando todos os dias que o que se planta em terra firme rende frutos doces e de boa qualidade. Assim como a família saudosa que deixou que continua levando seu nome em direção a fazer Tangará da serra crescer e ser um lugar de paz e felicidade.

>> Rosi Oliveira - Especial Ds




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