BUSCA DE NOTÍCIAS:
  Tangará da Serra, 22 de maio de 2017.  
Tangará da Serra - MT


Em 29/10/2016
Zuelina Cadete Bento, a primeira parteira de Tangará da Serra


Uma parte dela era amor. A outra também


O Memória de hoje contará a história de uma das personalidades mais conhecidas de Tangará da serra, Zuelina Cadete Bento, que talvez pelo nome em si não será de imediato lembrada, mas se dissermos o apelido, com certeza os leitores se recordarão imediatamente.
Zuelina é a Tia Lina, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 28/ 09/ 1935, descendente direta de escravos africanos trazidos para o Brasil.
Durante sua trajetória de vida, Tia Lina deixou ensinamentos e um legado de fé e doação ao próximo. Sua vida foi marcada pelo amor e doação a seus semelhantes. Zuelina ainda muito cedo perdeu os pais, que devido aos maus tratos e forçados pelos trabalhos escravos, morreram bem jovens. Perdeu a mãe aos  três meses de vida e ficou órfã de pai aos dezoito meses, o que lhe restou então foi a bondade de estranhos e incerteza de um futuro. “Minha mãe contava para nós que, lembrava ainda de quando vieram buscar ela e um dos irmãos e os pegaram pelos bracinhos e levaram embora”, conta o filho, Hélio Cadete, deixando as lágrimas rolarem pelo rosto saudoso.
Mas, Lina fez da tristeza seu ponto mais forte e  bonito. Buscou levar nesse cenário alegria aos que como ela necessitavam. No orfanato aprendeu as virtudes de amar e servir, bem como, umas poucas letras, até a quarta série primária.
Após longos anos, saiu do orfanato e foi morar com a madrinha, quando conheceu com 13 anos, aquele que viria a ser seu esposo. João Batista Bento, que já era homem feito, mas quando a viu, garantiu que seria sua mulher e assim se fez. Com a recusa da família que cuidava de Lina, o casal optou  por fugir. Quando a família descobre, vai em busca dos dois e realiza o casamento como forma de consertar o erro.
Após o casamento, o casal muda-se para São Paulo, onde moraram ccom os pais de  João. Ele continua a lidar na terra e Lina cuida dos filhos que começam a chegar, sendo no total de 23, dos quais somente oito sobrevivem. sempre companheira e pronta a ajudar o esposo na lida da terra, com a lavoura cafeeira. Ali Lina inicia seus trabalhos de parteira, começa a auxiliar mulheres mais  experientes na profissão, o que aprende com facilidade, descobrindo então, um dos muitos, dos dons a ela confiados.

Tia Lina, a mulher que plantou amor e colheu gratidão

Morando em Naviraí, ficam sabendo de Tangará da Serra e decidem para cá mudar, encantados com a expectativa das lavouras do café. Assim que chegou aqui, Lina percebeu a falta de médicos e remédios, o que fazia com que a população sofresse muito e muitas vidas se perdessem. Compadecendo-se do sofrimento e agora já parteira de profissão, seu nome explode  no povoado, que começa a lhe procurar em busca de tratamento. Com conhecimentos ainda não explicados, Lina inicia sua obra social, preparando garrafadas e distribuindo-as entre os doentes, ficando em pouquíssimo tempo conhecida. “O dom de minha mãe era incrível, pois ela nunca teve quem lhe ensinasse. Quando alguém a procurava ela já dizia o que tinha que tomar e me mandava ir até o mato, dava a local certinho onde encontrar a planta para a garrafada. Nunca cobrou pela consulta ou pelo remédio, apenas pedia que a pessoa trouxesse o litro, que na época era muito difícil. O pagamento era o que a pessoa deixasse sobre a mesa. Minha mãe era incrível”, lembra o filho.
Sua fama foi tamanha que chegava a atender cerca de 100 pessoas por dia, que vinham em busca de toda espécie de conforto, desde o espiritual até os benzimentos.
Pela falta de acomodações, Lina acolhia em sua casa os doentes ou parturientes, o que  inclusive, a fez ampliar sua residência bastante humilde para acomodar os necessitados. Criou seis leitos onde ficavam acomodados até que tivessem condições de voltar para casa, tamanha era sua responsabilidade. “Ela colocou berços e cuidava da mãe e da criança recém nascida até que a mãe pudesse retornar a sua residência. Alimentava e fazia toda a higiene dessas pessoas com recursos próprios. E quando atendia ensinava com toda dedicação e paciência as jovens mães a cuidar do presente que tinham recebido. O dom de minha mãe foi somente dela, porque nem eu que a acompanhei bastante de perto consegui desenvolver o mesmo. Hoje conheço pouca coisa do que aprendi. Ela levou consigo seus ensinamentos”.


Homenagem

Mas no dia seis de novembro de 1986, ainda  aos 51 anos,  apresentou alguns problemas de saúde, que resultaram em um infarto fulminante, que lhe ceifou a vida, deixando famílias inteiras órfãs de carinho e atenção.
Por reconhecimento de seu amor, caridade e dedicação, o Poder Público a homenageou dando seu nome a  creche instalada na Vila esmeralda, que leva educação e esperança de dias melhores aos vários alunos que ali estudam.

>> Rosi Oliveira - Especial DS




Compartilhe:


notícias da editoria
12/05/2017 - Maria José de Matos: Uma portuguesa dura de coração mole
Maria Matos e seu filho João
29/04/2017 - Maria José Freire Duarte - Guerreira que adotou Tangará como mãe
Maria José e a filha Cristiane Freire Duarte
04/03/2017 - Pedro Alberto Tayano, 20 anos vividos com muita intensidade
“Meu filho viveu tudo que tinha que viver, apesar do pouco tempo”, diz mãe saudosa
18/02/2017 - Dionísio Pantaleão Pacheco do êxodo à terra prometida
O casal trouxe cinco filhos e aqui tiveram mais seis filhos
04/02/2017 - Carlos Tayano, aquele que fez um sonho virar realidade
Carlos Tayano e Netos
04/02/2017 - Palmira Moreschi Tayano, sua maior elegância era fazer o bem
Aniversario de seu filho Pedro Alberto em 1971
14/11/2016 - Francisco Serrano, o homem que subiu a serra e viu o Progresso
Casa construída por Francisco, onde a família se abrigou saindo de debaixo da lona
12/11/2016 - Olivo Tormes - O patriarca de uma grande família
Olivo Tormes com os pais Lídia Vargas e Basílio Francisco Tormes, Olivo ao lado do pai biológico, Dirceu Gomes de Almeida, em 2005, Casamento Olivo e Erna Tormes, em 29 de julho de 1961 , Filhos do casal: Venildo, Airton, Elizanara, Roseli e Evanir
12/11/2016 - História com Tangará da Serra começou em 1979
Em Tangará da Serra, durante comemoração das Bodas de Ouro
29/10/2016 - Zuelina Cadete Bento, a primeira parteira de Tangará da Serra
Uma parte dela era amor. A outra também
 
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
22/05/2017 - SAÚDE
Mais de 11 mil pessoas já foram imunizadas contra gripe em Tangará

22/05/2017 - GERAL
Meia tonelada de lixo é retirada do Rio Sepotuba

22/05/2017 - GERAL
3º edição Tangará Minha Cidade

22/05/2017 - GERAL
Comarcas abrem inscrições para juízes eleitorais

22/05/2017 - GERAL
Mais de 2 mil carteiras de trabalho estão ‘esquecidas’

22/05/2017 - GERAL
Empreendedores de Tangarásão homenageados

22/05/2017 - GERAL
Chá Beneficente do Lions Clube repete sucesso em Tangará

22/05/2017 - ESPORTES
Campeonato Municipal de Velocidade na Terra não foi realizado

22/05/2017 - ESPORTES
Campus Multi Service vence Drogamax e fica com o título

22/05/2017 - ESPORTES
Real Tangará coloca as três equipes na grande final

22/05/2017 - POLÍCIA
Jovem é condenada por planejar assalto e morte de casal

22/05/2017 - POLÍCIA
Pai e filha morreram em acidente em Jangada

22/05/2017 - POLÍCIA
MT registra mais de 320 casos de estupro de crianças

22/05/2017 - POLÍCIA
Acusado de tentativa de homicídio é preso em Assarí

19/05/2017 - SAÚDE
Infecções por HIV já chegam a 80% do total registrado em 2016

19/05/2017 - GERAL
Preserve o Rio Sepotuba

Jornal Diário da Serra - Todos os direitos reservados - O primeiro jornal on-line do estado de Mato Grosso