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  Tangará da Serra, 17 de novembro de 2017.  
Tangará da Serra - MT


Em 12/11/2016
Olivo Tormes - O patriarca de uma grande família


Olivo Tormes com os pais Lídia Vargas e Basílio Francisco Tormes, Olivo ao lado do pai biológico, Dirceu Gomes de Almeida, em 2005, Casamento Olivo e Erna Tormes, em 29 de julho de 1961 , Filhos do casal: Venildo, Airton, Elizanara, Roseli e Evanir


“A vida é para nós o que concebemos nela”, Fernando Pessoa.

Ao longo dos últimos seis anos o Diário da Serra vem publicando em suas páginas, histórias de ilustres personalidades que diante do trabalho e dedicação a Tangará da Serra foram homenageados em diferentes espaços públicos ou ruas. Esses topônimos, porém, já partiram e suas histórias são eternizadas através de familiares que com eles viveram.
Hoje o Diário da Serra contará novamente uma história de vida inspiradora, porém narrada pelo próprio homenageado – Olivo de Almeida Tormes. Ele foi lembrado pelo filho e nora, Evanir e Silvana Tormes, que inauguraram um Espaço de Memória do Diário da Serra com seu nome.
Olivo de Almeida Tormes nasceu no dia 20 de novembro de 1940, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Filho de Lídia Vargas de Almeida e Basílio Francisco Tormes, ele é o primogênito da família e tem outros três irmãos, além de outros 13 do primeiro casamento do pai Basílio Tormes. Porém, dentro desta grande família, Olivo tem ainda um outro pai. Aos 65 anos ele descobriu que seu tio, Dirceu Gomes de Almeida, era verdadeiramente seu pai (este faleceu há três anos). Desta inusitada história de família, além de ganhar dois pais, Olivo ganhou também mais cinco irmãos do lado do pai biológico, totalizando 21 irmãos.
Seu Olivo, como é conhecido, passou a maior parte da sua vida nos Estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, onde trabalhou em diferentes atividades e constituiu sua família. “Nasci em 1940 e em 61 viemos para o Paraná [pai, mãe e irmãos do segundo casamento do pai de criação]. No Paraná ficamos de 1961 a 1985, morando em diferentes cidades: Capanema, Realeza e Capitão Leonidas Marques, e em 1985 viemos para o Mato Grosso. Moramos lá em Cuiabá uns 20 anos e alguns meses e viemos morar em Tangará em março de 2006”.
Nesta história de vida, porém, não poderia faltar uma paixão. O amor por Erna Maria Knebel iniciou de forma inusitada. “Conheci ela numa história boa. Nós fomos num casamento da minha prima Iracema, em Três Passos [RS], e deu uma chuvarada muito grande e não conseguia passar o Rio Buricá e então fiquei na casa do pai da Dona Erna. Fiquei lá uns três dias ajudando plantar trigo e ela ficou me perturbando”, brinca Seu Olivo, ao relatar que o namoro durou aproximadamente três anos. “Até que um dia eu criei coragem e fui na casa dela. O velho [pai da Dona Erna] ficou revoltado porque eu era negro [dando risada], mas consegui dobrar ele e casamos no dia 29 de julho de 1961. Eu estava com 21 anos”.
Depois do matrimônio o casal mudou para Capanema, onde iniciaram a família. “O Venildo e o Evanir (Mano) são de Capanema. O Airton, a finada Roseli e a Elizanara são de Capitão Leonidas Marques”. Hoje eles são avós de 11 netos e quatro bisnetos.

Da roça a sonorização volante. Olivo Tormes e suas várias atividades

Mesmo tendo estudado somente até o quarto ano do ensino primário, Olivo de Almeida Tormes tem uma inteligência e percepção de mundo extraordinária.
Prestes a completar 76 anos de idade, ele esbanja vitalidade, alegria e muita vontade de viver ao lado de sua família, ainda trabalhando todos os dias com sonorização volante em Tangará da Serra. “Comecei a trabalhar com 12 anos na roça: carpindo, roçando, lavrando junta de boi [é o nome popular dado a uma dupla de bois utilizados para desenvolver trabalhos de tração em atividades rurais]”, lembra, ao recordar que aos 21 anos foi morar no município de Crissiumal, ainda no Rio Grande do Sul, onde continuou trabalhando na roça, plantando fumo de galpão (produção de tabaco) até ir morar em Capanema, no Paraná.
Nesta época, segundo Olivo, ele já estava casado com Dona Erna, ocasião em que mudou de atividade, iniciando no ramo do comércio de tecidos e confecções. “Tivemos alguns comércios até que em 1º de setembro de 1965 fomos morar em Capitão Leonidas Marques, onde trabalhamos com salão de baile, loja de disco, cinema por 18 anos e 10 anos de emissora de rádio, a Rádio Havaí, que funciona até hoje”, conta.
Após isso, em 1985, o casal e os filhos (que estavam quase todos casados) se mudaram para Cuiabá, em Mato Grosso, onde montaram mercados em diferentes bairros, assim como Olivo e Erna Tormes construíram o Hotel Cascavel, empreendimento que tocaram sozinhos por 17 anos. “Depois viemos para Tangará da Serra, onde até hoje trabalho com sonorização”.
Além de todos esses trabalhos, Olivo Tormes tinha ainda como hobby a música. “Eu tocava baile. Tinha um conjunto, um trio e uma dupla de música. Tocávamos na Argentina, Três Passos, Santa Rosa, Horizontina, Crissiumal... eu tocava violão elétrico e bateria. Depois no Paraná toquei mais uns anos, até me dedicar a loja de discos, cinema, salão de baile e a emissora de rádio”.

>> Fabíola Tormes - Especial DS




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