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  Tangará da Serra, 20 de agosto de 2017.  
Tangará da Serra - MT


Em 14/11/2016
Francisco Serrano, o homem que subiu a serra e viu o Progresso


Casa construída por Francisco, onde a família se abrigou saindo de debaixo da lona


O Memória de hoje começa de um jeito diferente. Foram vários e vários contatos em busca de pessoas que pudessem nos ajudar a homenagear nossa ilustre personalidade. Os Memórias acontecem de forma sobrenatural, rsrsrs. Quando busco uma família já levo minha lista de ainda não encontrados (homenageados) e pergunto se as pessoas com que estou conversando conhecem. E quase sempre isso acontece. Para esse, entrei em contato com Carlos Tayano em busca de fazer a homenagem com seus parentes, o que acontecerá no próximo. Então lhe perguntei sobre nosso homenageado. Ele me informou e me repassou o celular de um neto, Fabiano (bombeiro em Tangará). Fiz então contato com Fabiano que me repassou o número de uma neta do senhor de que falaremos, Olivia, mas infelizmente não obtive êxito. Voltei então, a buscar contato com Fabiano, rsrsrs (me sinto uma detetive ao fazer o Memória), que me repassou os telefones de uma prima, uma neta e uma filha, sendo, Geni, Isabel e Rosa. Após varias tentativas consegui contato com Rosa, delícia de pessoa, diga-se de passagem, que se prontificou em contar a história de seu pai, Francisco Serrano, uma das pessoas mais conhecidas do Distrito de Progresso e que foi um dos pioneiros   do lugar.
Lembram-se que no início eu disse que esse seria diferente? Pois bem, Dona Rosa não conseguiu precisar as datas específicas da vida do pai. Sendo assim, o Memoria de hoje será contado sob a ótica de Rosa, com fatos de quando ela já era uma adolescente e mudaram-se para o Progresso.
Segundo a entrevistada, a família era bastante humilde, composta pelo pai, nosso homenageado, a esposa  Augustinha e os filhos, Benito, Geraldo, Laura, Rosa, Paulo, Cecilia, Aparecida, sempre trabalhou na roça plantando arroz, milho feijão e tudo que a família necessitasse.

Um patriarca fora do comum. A alegria em pessoa

Rosa lembra-se apenas da fase em que a família residia em Tupã, São Paulo e através de um senhor, Geraldo  Caolho,  que comprava mercadorias lá e trazia para revender aqui ficaram sabendo de Tangará da Serra. “Meu pai ficou sabendo porque esse homem vinha vender umas coisa aqui, mas ele só chegava ate o pé da serra e voltava para trás. Então meu pai veio com ele (o vendedor), subiu a serra e já gostou daqui. Quer dizer, do Progresso”, conta Rosa, sorrindo deliciosamente das lembranças. “Ele veio sozinho, nós ficamos, quando voltou, disse que tinha pego umas terras de um senhor para plantar (não lembra o nome do senhor). Então arrumamos tudo para mudar para cá”, lembra.
Quando Francisco anunciou a mudança, uma das filhas que já namorava, fugiu de casa, para não vir para um local desconhecido, mas depois acabou por acompanhar a família.
“Viemos num caminhão, que deixou a nossa mudança ali no pé da serra. O pai da Dona Josefa  que já morava aqui pegou o carrinho de mão  foi nos encontrar na estrada. Meu pai vinha com um facão abrindo a estrada que era um trilheiro. E nós viemos felizes com a mudança nas costas”, relembra, feliz demais. “Aqui tinha só duas famílias. Minha filha, aqui não tinha carro, nem caminhão. Não tinha nada. Era bruto mesmo. Quando fomos para a fazenda  que ia cuidar, não tinha nem água para beber. Entramos na mata para procurar mina e depois meu pai afundou um poço”.
Segundo Rosa a dificuldade era muito grande, mas valia a pena. “Depois meu pai foi tirar madeira, tabuinha, lasca para fazer a casa. Era cada brecha que de um lado via o outro, mas agente punha lençol para tampar”, sorri.
Francisco chegou aqui já com 45 anos e já não trabalhava tao severamente na terra por causa da idade.
Certo dia, quando trabalhava, uma árvores despencou e atingiu uma das pernas de Francisco, que demorou a ser socorrido porque não tinha medico no lugar. “Aqui só tinha o seu Erotides fez os primeiros socorros e encaminhou para Cuiabá onde foi ingessada, mas com a demora ele teve gangrena. Voltou para casa e gritava de dor. Levou de volta e teve que cortar a perna dele, o que deixou meu pai muito triste e revoltado”.

A Homenagem

Depois disso passou a concertar sapatos e com 76 anos faleceu. “Ele era novo. Morreu jovem. Levantou, lavou o rosto e sentou e foi deitando e morreu. Acho que foi um infarte”. Francisco foi um dos Pioneiros de Progresso, onde os moradores ainda nos dias de hoje se lembram dele com muito carinho. Por ter dedicado parte de sua breve vida ao distrito, o Poder Público em reconhecimento aos seus grandes feitos e pela família grandiosa e amada que deixou, denominou a rua aos fundos da igreja como, Rua Francisco Serrano, eternizando seu nome no local.

>> Rosi Oliveira - Especial DS




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