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  Tangará da Serra, 16 de janeiro de 2018.  
Tangará da Serra - MT


Em 29/04/2017
Maria José Freire Duarte - Guerreira que adotou Tangará como mãe


Maria José e a filha Cristiane Freire Duarte


Maria José Freire Duarte nasceu Riachão do Araruna, na Paraíba, mudou-se ainda criança para o Estado de São Paulo, depois Mato Grosso do Sul. E, no ano de 1970, veio para Tangará da Serra, morar com os pais, Senhor Odilon Freire Santana e dona Carmem Aquino Santana que, juntamente com os familiares,  adotou as terras tangaraenses como mãe.
Aqui, Maria José, como é conhecida, constituiu família, carreira, referência e tem um círculo de amizades formado por professores, familiares e de seu credo religioso.
Maria José veio para Tangará da Serra com 20 anos de idade, pouco estudo e vontade para construir sonhos, juntamente com  seus pais que já moravam aqui há um ano. “Chegamos a Tangará da Serra. Aqui não tinha nada. A entrada da cidade era pela Vila Alta. Demoramos oito dias de Fátima do Sul (MS) até chegar aqui. Subimos a serra de à pé, porque não tinha estrada. Cheguei aqui no dia 8 de abril de 1970. Aqui tinha pouca coisa. Tinha um cinema. Os filmes que passavam eram mudos, só apareciam as figuras. Depois  é vieram outros tipos de filmes. Eu gostava muito dos filmes do Mazzarope”, relembra Maria José, ao contar que as festas eram feitas na praça da prefeitura, onde, hoje, está a Praça da Bíblia. 
Os pais de Maria José eram proprietários da Casa Santana, que vendia secos e molhados, na Avenida Brasil. “Meu pai veio no ano de 1969, e abriu um comércio. As mercadorias vinham de fora: Cuiabá, Presidente Prudente. O açúcar, a farinha vinha em sacas de 60 quilos. Aos domingos havia a feira, era em frente nosso comércio. Então, papai na sexta-feira já começava a fazer os pacotinhos de um, dois, três quilos de farinha e açúcar para vender na feira. Ele também vendia produtos da terra, ferramentas, alimentos. Vendia de tudo”, enfatizou Maria José. O pai de Maria José morreu no ano 1980 e a mãe morreu quatro anos depois. Após a morte dos pais, venderam o comércio para fazer o inventário e repartir a herança entre as cinco irmãs. Todas conseguiram comprar casa própria. Maria José comprou a casa no Centro de Tangará da Serra, onde mora até hoje, junto com a irmã Maria do Socorro de Santana. Elas lamentam que até hoje não conseguiram homenagear os pais, colocando seus nomes em lugares públicos.


Professora dedicada e incentivadora

Em 1977, Maria José começou a trabalhar como professora no Distrito de São Joaquim, em uma sala multisseriada, na escola municipal Jarbas Passarinho, mesmo sem ter concluído o Ensino Fundamental. Um ano depois, o marido resolveu mudar para a cidade, e ela teve que abandonar a profissão.
Como não tinha estudo, voltou a ajudar os pais no comércio. Com o fim do casamento, Maria José voltou a estudar na Escola Estadual 13 de Maio por incentivo da mãe, que tinha a preocupação de deixá-la desamparada quando morresse. Retomou os estudos a partir da 7ª série e, no mesmo ano, antes de concluí-la, passou a estudar no Projeto Logos II, no Distrito Progresso onde fez a formação de Magistério.
No ano de 1983 voltou a ser professora e trabalhou até o ano de 2009, quando se aposentou. No início, trabalhava e estudava. Lecionou nas escolas: General Dutra, na comunidade São José; Costa e Silva, na comunidade Pé de Galinha; Escola 15 de Novembro, na Comunidade Reserva; na escola Agrícola Ulisses Guimarães; e depois, cinco anos na Escola Silvio Paternez e os 13 últimos anos trabalhou no Centro Municipal Professor José Nodari. A professora lembra que na escola rural ela fazia a merenda e as crianças ajudavam. “Ali na Reserva tinha muito morcego. Todos os dias tínhamos que lavar a sala e as carteiras para começar a aula. As crianças ajudavam. Tirava água do poço no balde”.
O que ela lembra com saudade é do acolhimento que recebia dos pais. “Ali na São José as mães se organizaram e faziam comida para mim. Cada dia uma mãe mandava comida. Depois a Dona Cleuza, que tinha um bar, passou a fazer a comida para mim. Era muito difícil levar os livros, a comida, daqui de casa até a escola, fazendo essa viagem a pé. Eu saia às 4 horas da manhã, dava aula o dia inteiro e quando chegava em casa já passava das 18:30”, descreve-nos com saudade do carinho recebido e reticente em relação ao percurso ao e do trabalho.
Maria José tem alunos em diversos espaços desse município, nas mais diferentes profissões: advogados, professores, bombeiros, contadores, bancários e tantos outros.


A faculdade e as homenagens

Maria Jose cursou a Faculdade, com inicio em 1998, na ITEC, com muita dificuldade por ter que trabalhar e estudar. Mas venceu com garra mais essa etapa.
Pelo trabalho prestado a este município Maria José já recebeu várias homenagens da Secretária Municipal de Educação, dos secretários Hélio Márcio (2004) e Júnior Schleicher (2009). Também recebeu homenagem da Câmara Municipal de Tangará da Serra.
CURTINDO A VIDA - Hoje, Maria José é professora aposentada, mora com a irmã Maria do Socorro de Santana e curte a filha Cristiane e as netas Ingrid e Laís, realizando passeios e viagens. “Eu andei de avião pela primeira vez no ano passado (2016) quando fui com um grupo fazer excursão para a praia. Foi muito maravilhoso. Esse ano, se Deus quiser, iremos novamente,” brinca com os planos, entre risos. “Sou muito grata a esta cidade. Tangará foi uma mãe para toda minha família” são as palavras que ela escolheu para destacar a importância do município em sua vida, na realização da família.

>> Iolanda e Rodney Garcia - Especial DS




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