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  Tangará da Serra, 20 de julho de 2018.  
Tangará da Serra - MT


Em 08/03/2017
Francisco Bernardo do NascimentoCearence, lavrador e líder comunitário


Francisco Bernardo do Nascimento, conhecido como Franco, natural de Porteira, Ceará. Nasceu em 28 de novembro de 1943. É o segundo filho do casal Bernardo e Lourdes. Ajudou os pais a trabalhar para sustentar os dez irmãos e alguns primos que sempre vivera


Francisco nunca conheceu preguiça, sempre trabalhou com a terra e da terra tirou o sustento da família. A geada de 1975 deslocou a família do Paraná para Barra do Bugres e no ano seguinte, em busca de novas oportunidades, para Tangará da Serra. “Vim conhecer Tangará e achar um lugar para trabalhar e cuidar da família. Seu Pedrão tinha um sítio na região do Pé-de-galinha para derrubar a mata e formar café, ele fez a proposta para eu derrubar três alqueires de mata e plantar 6 mil covas de café, durante os três primeiros anos o que eu plantasse era meu e depois tudo que colhesse era dividido a metade. Aceitei e fui buscar a família na Barra do Bugres.”
A viagem do município vizinho até aqui foi demorada. Quando subiram a serra já era noite. Dona Alzira lembra que “Na serra o caminhão não conseguia subir, teve que ser escorado com pedra, pois estava voltando. Depois já na madrugada, chegando perto do local onde íamos morar o caminhão atolou. O jeito foi chegar a pé. No escuro, somente com uma lanterna. Chegando ao barraco, todas as crianças estavam com fome e sede e resolvemos buscar um balde no caminhão para tirar a água do poço, só que dentro balde tinha derramado querosene das lamparinas. O balde sujou toda a água do poço que não serviu para beber. Só restou dormir com fome e sede até que o dia clareasse para pedir socorro a uma vizinha.”
Seu Francisco conta que enfrentou com a foice, o machado e o traçador a  derrubada da mata para construir a casa que foi feita com lasca de coqueiro, cobertura de tabuinha e chão batido “As paredes foram todas passadas barros e no chão também”, lembra dona Alzira que ajudou a construir a casa.
Seu Francisco lembra “na mata tinha muito bicho, veado, capivara, cutia, macaco e muitos pássaros. Tinha muita cobra também, surucucu, jiboia, coral jararaca. O meu filho mais velho, o Eliezer, quando pequeno foi picado por uma jararaca e foi socorrido com ajuda dos vizinhos”.
Seu Franco, como é conhecido desde solteiro, sempre gostou de fazer “gambira”, ou seja, trocar uma coisa por outra. Ele contou que “uma vez troquei cinco sacas de arroz com casca por um rádio de fabricação de 1973. Tenho o rádio até hoje e funcionando. No mesmo dia troquei uma espingarda por uma porca e recebi 5 mil cruzeiros de volta e, também, troquei um relógio numa bicicleta.” Ele contou que toda vez que saia de casa fazia um ‘rolo’, o importante era negociar, lembra com risos.


A Família

Francisco e Alzira, são casados há 47 anos, educaram os oito filhos com o princípio da honestidade, pela força do trabalho e pela educação, a quem proporcionou estudo até o ensino médio a todos, pois, eram as condições permitida na vida, mas incentivando-os a conquistarem outros espaços de acordo com a identificação pessoal. Hoje, os filhos são professores, bombeiro, técnico agrícola, agente de trânsito, artesã, funileiro, manicure e deram-lhes 16 netos que estão sempre rodeando os avós.
Hoje, seu Francisco está aposentado, com alguns problemas de saúde, porém com a mesma determinação que durante toda a vida teve, às vezes genioso, outras agindo com o coração mole e sensível. É o verdadeiro patriarca agregando genros, noras, filhos e netos ao seu redor com reuniões familiares. Todos os dias e momentos da vida são motivos a serem comemorados em família.

Homenagem

Seu Franco recebeu de seus conterrâneos a homenagem do CTN - Centro de Tradições Nordestino, em maio de 2006, pois como bom cearense sempre gostou de repente, cordel e comidas típicas.
Recebeu da Câmara Municipal no ano de 2014 o título de Cidadão Tangaraense como reconhecimento dos serviços prestados nessa cidade

A lavoura e produção

Depois de derrubar a mata plantou arroz, milho, feijão e cultivou café “colhi muito arroz no cutelo, bati feijão no cambão e debulhei milho na máquina manual, depois que veio a ‘trilhadeira’ e tudo ficou mais fácil”.
AGRICULTOR E CARPINTEIRO - Entremeio a safra seu Franco exercia a função de carpinteiro. Ele construiu as primeiras casas de tábua com piso de cimento das Comunidades Córrego das Pedras, Acampamento e Aterro, e lembrou que uma vez foi bater um prego e este escapou e bateu no olho, chegou a sangrar, mas não perdeu a visão.

Líder Sindical

No Sindicato dos Trabalhadores Rurais, já participava desde o Paraná. Aqui em Tangará da Serra iniciou como representante dos produtores rurais, depois participou da diretoria no Conselho Fiscal, Tesoureiro, Vice-presidente e Presidente por dois mandatos, nos anos 80, “enfrentei muita luta com os agricultores rurais aqui em Tangará, na época do Assentamento Antônio Conselheiro eu estava na frente e na luta com eles participando de muitas reuniões aqui, e em Cuiabá. Quando fui presidente consegui o primeiro carro para o Sindicato, através do programa PRATIC, de 148 projetos. O projeto de Tangará foi aprovado e com o dinheiro do projeto compramos um carro, uma filmadora, retro projetor e mobiliário para a sede.”




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