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  Tangará da Serra, 20 de julho de 2018.  
Tangará da Serra - MT


Em 10/06/2017
José Luiz de Souza, o servo vencedor de distâncias


José Luiz de Souza


“Meu avô não sabia dirigir. Não tinha moto nem mesmo bicicleta, mas isso nunca o impediu de levar a Palavra de Deus. Nunca houve distância que o impossibilitasse de falar de Deus”.
Assim José Luiz de Souza é lembrado pelos familiares. Essa definição partiu do neto Roberto Luiz de Oliveira, que nos ajuda a contar a trajetória de vida de um verdadeiro homem de Deus, que eu inclusive tive o grande prazer de conhecer e com quem convivi muito de perto. Inclusive sou testemunha das palavras do neto, pois muitas vezes o encontrei do outro lado da cidade, como por exemplo nas proximidades da Vila Olímpica, e olha que ele morava na Vila Portuguesa. E muitas dessas vezes o sol era escaldante. Quando perguntado se queria carona, respondia: “Não. Já tô pertim”, coisa de mineiro.
Nasceu em um lar evangélico em Tarumirim, Minas Gerais, aos 06 dias de junho de 1915, onde morava com a mãe, uma irmã, um primo e os avós, uma vez que o pai nunca chegou a  conhecer. “Meu avô era um homem muito calado e quando meu pai ainda era de colo, bem pequeno, ele chegou arriou um cavalo que tinha e pediu que a esposa arrumasse suas coisas, porque iria dar uma saída. Mas antes de ir, fez uma coisa que sempre fazia, pegou meu avô e deu uma volta a cavalo com ele. Depois entregou ele para minha avó e disse a ela: -Até o dia do juízo final, e foi embora”, relembra a filha.  Nazira.

Homem de Deus,  que por  amor a Palavra aprendeu a ler na Bíblia

Chegando aqui José Luiz voltou a morar no Córrego do Mutum, mas depois  comprou um terreno na Vila Portuguesa e construiu sua moradia, passando a congregar na igreja Presbiteriana Central, mas na primeira oportunidade sonhou uma igreja nas proximidades onde morava.
Antes da igreja os cultos aconteciam em sua casa. Foi um dos primeiros presbíteros da igreja assim que fundada.
Era muito conciliador, amoroso e temente a Deus, tanto que aprendeu a ler na Bíblia, por ter frequentado a escola por  somente três meses.
“A gente trabalhava o dia inteirinho e quando chegava em casa ele mandava tomar banho porque tinha culto na casa de algum irmão e se não fosse ele brigava”.
Era inteiro temor e amor, inclusive eu mesma por várias vezes presenciei suas pregações. Seu José Luiz foi o pregador do culto de Ação de Graças quando Deus me deu minha casa. Ele levou praticamente toda a igreja no culto de agradecimento. Era um pregador excepcional. De palavra doce e certeira que nunca aumentava o tom da voz para atingir os corações.

O patriarca de uma grande  geração

A família morava em Córrego do  Nhonhepe (MG), onde conheceu sua esposa, Manoela e aos 24 anos se casou. “Quando ele conheceu minha avó ela também não tinha o pai, era órfã. Passado algum tempo a mãe dela faleceu, deixando além de minha avó, quatro filhos pequenos que os dois adotaram e criaram com todo amor”, revela o neto emocionado. Após o casamento, o casal foi agraciado com dez  filhos: Alberoni Luiz de Souza, Maria Ângela de Souza, Nazira Ângela de Souza, Nair Ângela, Neusa Ângela, Cleuza Ângela, José Luiz Filho, João Luiz, Marta e Obede Luiz.
A família segue morando ali e no ano de 1964, através de seu Gabriel Ângelo, ouve falar de Tangará da Serra, o que desperta a vontade no filho Alberoni de conhecer o lugar, e assim o fez, em 1964, mudando-se logo depois, onde permaneceu por cerca de nove meses retornando para sua terra natal.
Alberoni ficou um tempo por ali e acabou por convencer o pai a vir para Tangará, isso já em 1966. “Viemos 18 famílias em dois caminhões pau de arara.  Naquele tempo,  aquela serra ali era dois trilheiros dos pneus dos caminhões. As mulheres vinham dentro do caminhão e os homens atrás, calçando o pneu com pedra para ele não voltar. Foi um dia inteirinho para subir aqueles dois caminhões. E hoje são três pistas”, admira Alberoni.
Chegando aqui,  a família se estabeleceu no Córrego do Mutum,  ali inclusive nasce uma congregação Presbiteriana.
Em 1967 a família retornou para Minas, mas em 1968 voltarem para Tangará trazendo mais onze famílias. “Quando chegamos em Rondonópolis no pau de arara um homem perguntou para onde você estão levando essas crianças? A gente disse, para Tangará e ele disse, meu Deus vai morrer tudo lá. Tá dando uma febre e matando todo mundo. Se vocês quiserem dar tempo de vir no médico  vai nessas farmácias e compra Cambuquim e Aralem. Acho que não ficou nenhum desses remédios na farmácia”,  recorda o filho. “Sei que tudo que nos acontece até hoje é pela obediência e temor de meu avô. “Desse remédio ninguém de nossa família bebeu um. Todos foram dados para quem adoecia. Deus cuida dos seus, porque durante a viagem paramos num lugar que disseram que tinha muita raia e tinha muita gente, muita criança e ninguém foi ferrado”, lembram os filhos. Ouvindo essa história, me recordo da coluna de fogo que seguia o povo de Deus à noite, iluminando o caminho e da nuvem que os cobria durante o dia, protegendo do sol e chuva.

A Homenagem

Era lúcido e ágil ao extremo, apesar dos 95 anos quando faleceu. Dava inveja em muitos mais novos. Partiu no dia 05 de dezembro de 2010, quando participava de um culto de Ação de Graças na igreja que tanto amou. Teve uma parada cardiorrespiratória e morreu instantaneamente, sem apresentar problemas ou reclamar de nada. Tinha a saúde perfeita.
Por ter tantos serviços prestados ao município, recebeu uma singela, mas admirável homenagem do Poder Público que denominou a Unidade Básica de Saúde do Jardim Figueira como, José Luiz de Souza.




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