BUSCA DE NOTÍCIAS:
  Tangará da Serra, 17 de novembro de 2017.  
Tangará da Serra - MT


Em 10/06/2017
José Luiz de Souza, o servo vencedor de distâncias


José Luiz de Souza


“Meu avô não sabia dirigir. Não tinha moto nem mesmo bicicleta, mas isso nunca o impediu de levar a Palavra de Deus. Nunca houve distância que o impossibilitasse de falar de Deus”.
Assim José Luiz de Souza é lembrado pelos familiares. Essa definição partiu do neto Roberto Luiz de Oliveira, que nos ajuda a contar a trajetória de vida de um verdadeiro homem de Deus, que eu inclusive tive o grande prazer de conhecer e com quem convivi muito de perto. Inclusive sou testemunha das palavras do neto, pois muitas vezes o encontrei do outro lado da cidade, como por exemplo nas proximidades da Vila Olímpica, e olha que ele morava na Vila Portuguesa. E muitas dessas vezes o sol era escaldante. Quando perguntado se queria carona, respondia: “Não. Já tô pertim”, coisa de mineiro.
Nasceu em um lar evangélico em Tarumirim, Minas Gerais, aos 06 dias de junho de 1915, onde morava com a mãe, uma irmã, um primo e os avós, uma vez que o pai nunca chegou a  conhecer. “Meu avô era um homem muito calado e quando meu pai ainda era de colo, bem pequeno, ele chegou arriou um cavalo que tinha e pediu que a esposa arrumasse suas coisas, porque iria dar uma saída. Mas antes de ir, fez uma coisa que sempre fazia, pegou meu avô e deu uma volta a cavalo com ele. Depois entregou ele para minha avó e disse a ela: -Até o dia do juízo final, e foi embora”, relembra a filha.  Nazira.

Homem de Deus,  que por  amor a Palavra aprendeu a ler na Bíblia

Chegando aqui José Luiz voltou a morar no Córrego do Mutum, mas depois  comprou um terreno na Vila Portuguesa e construiu sua moradia, passando a congregar na igreja Presbiteriana Central, mas na primeira oportunidade sonhou uma igreja nas proximidades onde morava.
Antes da igreja os cultos aconteciam em sua casa. Foi um dos primeiros presbíteros da igreja assim que fundada.
Era muito conciliador, amoroso e temente a Deus, tanto que aprendeu a ler na Bíblia, por ter frequentado a escola por  somente três meses.
“A gente trabalhava o dia inteirinho e quando chegava em casa ele mandava tomar banho porque tinha culto na casa de algum irmão e se não fosse ele brigava”.
Era inteiro temor e amor, inclusive eu mesma por várias vezes presenciei suas pregações. Seu José Luiz foi o pregador do culto de Ação de Graças quando Deus me deu minha casa. Ele levou praticamente toda a igreja no culto de agradecimento. Era um pregador excepcional. De palavra doce e certeira que nunca aumentava o tom da voz para atingir os corações.

O patriarca de uma grande  geração

A família morava em Córrego do  Nhonhepe (MG), onde conheceu sua esposa, Manoela e aos 24 anos se casou. “Quando ele conheceu minha avó ela também não tinha o pai, era órfã. Passado algum tempo a mãe dela faleceu, deixando além de minha avó, quatro filhos pequenos que os dois adotaram e criaram com todo amor”, revela o neto emocionado. Após o casamento, o casal foi agraciado com dez  filhos: Alberoni Luiz de Souza, Maria Ângela de Souza, Nazira Ângela de Souza, Nair Ângela, Neusa Ângela, Cleuza Ângela, José Luiz Filho, João Luiz, Marta e Obede Luiz.
A família segue morando ali e no ano de 1964, através de seu Gabriel Ângelo, ouve falar de Tangará da Serra, o que desperta a vontade no filho Alberoni de conhecer o lugar, e assim o fez, em 1964, mudando-se logo depois, onde permaneceu por cerca de nove meses retornando para sua terra natal.
Alberoni ficou um tempo por ali e acabou por convencer o pai a vir para Tangará, isso já em 1966. “Viemos 18 famílias em dois caminhões pau de arara.  Naquele tempo,  aquela serra ali era dois trilheiros dos pneus dos caminhões. As mulheres vinham dentro do caminhão e os homens atrás, calçando o pneu com pedra para ele não voltar. Foi um dia inteirinho para subir aqueles dois caminhões. E hoje são três pistas”, admira Alberoni.
Chegando aqui,  a família se estabeleceu no Córrego do Mutum,  ali inclusive nasce uma congregação Presbiteriana.
Em 1967 a família retornou para Minas, mas em 1968 voltarem para Tangará trazendo mais onze famílias. “Quando chegamos em Rondonópolis no pau de arara um homem perguntou para onde você estão levando essas crianças? A gente disse, para Tangará e ele disse, meu Deus vai morrer tudo lá. Tá dando uma febre e matando todo mundo. Se vocês quiserem dar tempo de vir no médico  vai nessas farmácias e compra Cambuquim e Aralem. Acho que não ficou nenhum desses remédios na farmácia”,  recorda o filho. “Sei que tudo que nos acontece até hoje é pela obediência e temor de meu avô. “Desse remédio ninguém de nossa família bebeu um. Todos foram dados para quem adoecia. Deus cuida dos seus, porque durante a viagem paramos num lugar que disseram que tinha muita raia e tinha muita gente, muita criança e ninguém foi ferrado”, lembram os filhos. Ouvindo essa história, me recordo da coluna de fogo que seguia o povo de Deus à noite, iluminando o caminho e da nuvem que os cobria durante o dia, protegendo do sol e chuva.

A Homenagem

Era lúcido e ágil ao extremo, apesar dos 95 anos quando faleceu. Dava inveja em muitos mais novos. Partiu no dia 05 de dezembro de 2010, quando participava de um culto de Ação de Graças na igreja que tanto amou. Teve uma parada cardiorrespiratória e morreu instantaneamente, sem apresentar problemas ou reclamar de nada. Tinha a saúde perfeita.
Por ter tantos serviços prestados ao município, recebeu uma singela, mas admirável homenagem do Poder Público que denominou a Unidade Básica de Saúde do Jardim Figueira como, José Luiz de Souza.




Compartilhe:


notícias da editoria
13/10/2017 - Ranulfo Rodrigues Cunha, o cigano mineiro
Ranulfo Rodrigues Cunha
19/08/2017 - Lenilse – esperança e realizações firmam os passos da educadora
Ao lado dos filhos, amores eternos
12/08/2017 - Gastão Lourenço de Lima, o homem que tocou as nuvens
Gastão nasceu no dia 04 de outubro de 1945
21/07/2017 - Manoel Leal, o matogrossense que repousou em Tangará
Manoel Leal e esposa Maria da Silva
08/07/2017 - Pedro Ferreira de Lima, exemplo de caráter e firmeza
Pedro Ferreira de Lima
24/06/2017 - Dona geralda: entretantos, a esperança
Geralda Serafim
10/06/2017 - José Luiz de Souza, o servo vencedor de distâncias
José Luiz de Souza
03/06/2017 - Idalina Sueza Tayano, exemplo de vivacidade
Natural de São Paulo, Idalina Tayano mora em Tangará da Serra há 40 anos
12/05/2017 - Maria José de Matos: Uma portuguesa dura de coração mole
Maria Matos e seu filho João
29/04/2017 - Maria José Freire Duarte - Guerreira que adotou Tangará como mãe
Maria José e a filha Cristiane Freire Duarte
 
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
17/11/2017 - GERAL
Após habilitação, UPA 24 Horas recebe 1ª parcela de quase R$ 230 mil

17/11/2017 - GERAL
Sinfra realiza melhorias na estrada da Tapera

17/11/2017 - GERAL
Projeto de Lei prevê psicólogo e assistente social em escolas

17/11/2017 - GERAL
Prefeitura de Tangará abre Processo Seletivo com mais de 160 vagas

17/11/2017 - GERAL
Encerram hoje as inscrições para bolsas de estudos na Atec

17/11/2017 - GERAL
Último sarau cultural do ano terá desfile de exaltação a beleza afro

17/11/2017 - POLÍCIA
Um ano depois mãe de Rodrigo Claro diz: “Vamos lutar até o fim”

17/11/2017 - POLÍCIA
Fiscalização apreende 2 mil iscas e 161 kg de pescado irregular

17/11/2017 - POLÍCIA
Polícia prende suspeito de tráfico com 80 kg de maconha em residência

17/11/2017 - POLÍCIA
Em vídeo, detentas exaltam o Comando Vermelho

17/11/2017 - ESPORTES
Dia seguinte ao hepta tem titulares de chinelo e treino para reservas

17/11/2017 - ESPORTES
Semifinais do Mato-grossense Sub-17 estão definidas

17/11/2017 - ESPORTES
Brasil e Costa Rica fazem amistosos em MT

17/11/2017 - ESPORTES
Sorteio da Copa acontece em dezembro

14/11/2017 - POLÍTICA
RGA de servidores da Câmara será votado na semana que vem

14/11/2017 - POLÍTICA
TJ concede e servidores poderão retornar as atividades

Jornal Diário da Serra - Todos os direitos reservados - O primeiro jornal on-line do estado de Mato Grosso