Diário da Serra

MANIFESTAÇÃO - Indígenas protestam contra a ferrovia Sinop-Miritituba durante a COP 30

Só Notícias 17/11/2025 Geral

Originários alegam impactos sobre o modo de vida dos indígenas e pressão sobre suas terras

Os indígenas criticam a construção da Ferrogrão

Lideranças do povo Munduruku foram recebidas, em Belém, pelo presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), André Corrêa do Lago, após um protesto pacífico na entrada principal do evento. A manifestação transcorreu sem incidentes e apenas impactou em um tempo maior de entrada dos participantes da COP.

A reunião ocorreu em um edifício anexo ao Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), que fica nas proximidades da Zona Sul, a área oficial de negociações da COP30. Além de Corrêa do Lago, o encontro contou com as presenças das ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima).

Os indígenas criticam a construção da Ferrogrão, uma ferrovia que ligará Sinop até Miritituba, para escoamento de produção agrícola, alegando impactos sobre o modo de vida dos indígenas e pressão sobre suas terras. Eles também pedem que Lula revogue o decreto nº 12.600/2025 que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário, incluindo no rio Tapajós.

Segundo Alessandra Munduruku, o grupo mantém o pedido de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente para revogar o decreto que autoriza a concessão de hidrovia na bacia do Tapajós:

“A gente quer uma resposta do Lula, principalmente (sobre) o decreto”. 

Em nota, o Movimento Munduruku Ipereg Ayu denunciou que o corredor Tapajós-Arco Norte é um dos principais vetores de avanço do agronegócio sobre a Amazônia, de acordo com dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). O povo Munduruku também protesta contra as negociações climáticas internacionais que, segundo eles, tratam as matas nativas como meros ativos de crédito de carbono.
 

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