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CENÁRIO LOCAL – Violência contra a mulher atinge níveis alarmantes em Tangará da Serra

Pâmela Silva / Redação DS 25/11/2025 Polícia

Em 2025, os casos de perseguição cresceram de 19 para 50 no Município

Chamado para o enfrentamento da violência

Violência contra a mulher atinge níveis alarmantes em Tangará da Serra

O Dia Internacional para a Eliminação das Violências contra a Mulher, celebrado neste 25 de novembro, marca anualmente um chamado urgente para o enfrentamento com mais rigor de uma realidade que permanece devastadora. No Brasil, apenas em 2024, foram 1.492 mulheres vítimas de feminicídio, 63,6% delas negras, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. O mesmo levantamento mostra ainda que 64,3% dessas mortes ocorreram dentro de casa e 97% foram cometidas por homens.

Em Tangará da Serra o cenário local evidencia um aumento alarmante de casos. Segundo dados da Delegacia Especializada da Mulher, apenas nos primeiros meses de 2025, 273 mulheres denunciaram ameaças, número que já supera todas as ocorrências do ano de 2024 quando foram registrados 190 casos. Já os casos de injúria, que geralmente são ligados à violência psicológica, subiram de 71 para 104 no mesmo período.

Além da alta nos números totais, o relatório destaca que a violência doméstica em Tangará ocorre de maneira repetitiva: muitos boletins registram histórico de agressões anteriores. Houve também crescimento nos registros de medidas protetivas descumpridas e aumento de crimes associados, como vias de fato e dano, que costumam indicar escalada de agressividade. O avanço dos números mostra que mais mulheres estão procurando ajuda, seja por maior acesso à informação, seja pelo agravamento das agressões.

É nesse contexto que Tangará da Serra iniciou mais uma edição dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, mobilização coordenada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) que segue até 10 de dezembro com ações presenciais, conteúdos digitais e atividades educativas. Nesta semana, de 24 a 28 de novembro, o foco é consentimento e saúde da mulher, além de uma blitz na Praça da Bíblia. De 1º a 5 de dezembro, as ações abordarão direitos, deficiência e Aids, e no dia 10 de dezembro ocorre o encerramento das atividades.

Mato Grosso registra mais de 18 mil casos de violência doméstica em dois anos

Em 2024, segundo dados divulgados pela Polícia Civil de Mato Grosso, foram registradas 5.625 ocorrências por ameaça, crime que segue como o mais frequente contra mulheres no estado. No mesmo período foram contabilizados 2.315 casos de injúria, 1.406 casos de lesão corporal dolosa por violência doméstica, além de 1.562 registros de violência psicológica. Os dados também apontam 40 feminicídios, sendo 19 praticados dentro do contexto de violência doméstica e outros quatro relacionados à discriminação de gênero ou ao descumprimento de medidas protetivas.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública destaca que

“a região Centro-Oeste foi a única em que todos os estados apresentaram taxa de feminicídio superior à média nacional”.

A publicação também evidencia o avanço de crimes mais recentes no Código Penal, como perseguição e violência psicológica, reforçando que tais práticas se tornaram parte da rotina de muitas mulheres. Segundo o documento,

“ao menos 10 mulheres foram vítimas de perseguição por hora no Brasil em 2024”,

o que demonstra a dimensão do problema no país.

Entre os crimes de violência doméstica, a escalada estadual revela ainda que vias de fato, calúnia e difamação também mantiveram crescimento. Embora representem números proporcionalmente menores quando comparados aos crimes letais ou às ameaças, tais registros evidenciam a persistência de agressões que costumam anteceder episódios mais graves.



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