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EDUCAÇÃO INDÍGENA – Unemat é pioneira em ensino superior exclusivo para povos indígenas na América Latina e no mundo

Diones Krinski / Estágio de Jornalismo 17/12/2025 Educação

São cerca de 600 professores indígenas formados, além de mestres em ensino intercultural

Educação

O recente anúncio do Governo Federal sobre a criação da Universidade Indígena do Brasil (UNIND), apresentado no Palácio do Planalto, reacendeu um capítulo que Mato Grosso já escreve há mais de duas décadas. Antes do projeto federal chegar ao Congresso, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) havia fincado um marco histórico: foi a primeira instituição do país e da América Latina a criar uma faculdade exclusivamente voltada à formação de estudantes indígenas.

A experiência começou em 2001, com a criação da Faculdade Indígena Intercultural (FAINDI), no campus de Barra do Bugres. E sua vanguarda não parou ali, pois recentemente a Unemat tornou-se também a primeira instituição de ensino superior do mundo inteiro a ofertar o curso de Enfermagem exclusivamente para a população indígena, experiência inédita que fortalece a autonomia sanitária dos povos originários.

Para o diretor da unidade, professor Dr. José Wilson Pires Carvalho, o protagonismo é motivo de orgulho.

“Não é só a oferta exclusiva, mas o currículo pensado a partir dos territórios, das culturas e das línguas. Isso nos diferencia e fez com que outras instituições se inspirassem no nosso modelo”,

afirmou.

Ao longo de quase 25 anos, o impacto ultrapassou muros acadêmicos. Segundo o diretor, já são cerca de 600 professores indígenas formados, além de mestres em ensino intercultural.

“São profissionais que voltam às aldeias e passam a cuidar do próprio povo com formação qualificada. Esse impacto é imensurável”,

destacou.

Enquanto a futura universidade federal ainda está em fase de projeto de lei, a Unemat já pratica um modelo considerado único: alterna formação presencial no campus e nas próprias aldeias.

“A gente não espera o aluno vir até a universidade. A universidade vai até onde ele está”,

finaliza José Wilson.



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