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Sebastiana Gomes de Azevedo – Um esteio para uma família que ainda não aprendeu a dizer adeus

Rosi Oliveira / Especial DS 13/02/2026 Memória

Sebastiana foi exímia artesã em Tangará da Serra

Memória

Sebastiana Gomes de Azevedo nasceu em 31 de janeiro de 1948, no município de Campestre, no estado de Minas Gerais e assim como a maioria das moças de sua época, teve como brinquedo uma enxada e um campo para cultivar. Criada aos moldes antigos, desde cedo acompanhava os pais à lavoura, bem como os 12 irmãos: Lucia Gomes, Lourdes Gomes, Dirce Gomes, Diva do Carmo Gomes, Francisca Gomes, Celia Gomes, Nelson Gomes Rodrigues, Laércio Gomes, Gerson Gomes, José Gomes, Sinésio Gomes e Pedro Aparecido Gomes.

Com o sistema de antigamente, o foco de Sebastiana não foi o estudo, o que não impediu de aprender da vida, do zelo, do capricho e do amor. Era cozinheira exímia. Sua casa reluzia limpeza e as roupas eram tratadas como novas a cada lavada. Eram passadas com cuidado e vincos, além de perfume a brancura.

Sebastiana, em 1966, mudou-se para o estado do Paraná, onde passou a residir na zona rural, juntamente com a família. Na terra cultivavam arroz, milho e criava bicho-da-seda. 

Como divertimento os moradores tinham as festas de comunidades, onde conheceu Ari Gonçalves de Azevedo, com quem namorou por dois anos, casando-se em seguida. Os dois se conheceram em Santa Elisa, onde também se casaram, em 25 de maio 1968. Dessa união, nasceram cinco filhos: Maria Aparecida Gomes Azevedo, José Américo Gomes Azevedo, Izaltino Gomes Azevedo, Antônio Marcos Gomes Azevedo e Agnaldo Gomes Azevedo. 

Sebastiana trabalhou ao lado do esposo sem esmorecer e mesmo grávida, não deixava de ir à lavoura. Tanto que a primeira filha quase nasceu embaixo dos pés de cafés.

“Ela até falava que eu não nasci na roça porque no dia 25 de março, antigamente, era dia da Anunciação de Nossa Senhora, e os católicos guardavam esse dia”,

conta Maria Aparecida, primeira filha do casal.

“Daí, meu pai tinha saído, foi na cidade para comprar umas coisas e minha mãe passou mal”,

relata.

Quem acabou por socorrer Sebastiana foi um vizinho que chamou a parteira.

Trabalhadeira que era, levava a filha à roça. Ali, acomodava-a embaixo dos pés de cafés e a lida seguia.

“O meu segundo irmão nasceu sozinho, só com a minha mãe em casa”,

conta. 


A mulher que ensinou as artes

Em julho de 1980, o esposo Ari que já possuía parentes em Tangará da Serra resolve vir à localidade a fim de conhecer. Aqui, se hospeda em um hotel, onde conhece um senhor que fazia o serviço de corretor e aponta a Ari terras à venda. O esposo fica por uma semana olhando as terras e escolhe uma propriedade no Ararão. Após isso, retorna e busca a família.

Ao chegar a Tangará da Serra, Sebastiana ajudava o esposo, mas como a família já era mais numerosa, passou a se dedicar ao lar, o que não tinha nada de menos trabalhoso. A casa sempre esteve cheia de gente, aos que atendia com almoço, jantar e merendas, sempre com muita satisfação.

Quando os filhos já estavam maiores, atuou como feirante, vendendo café e hortaliças. Participou ativamente da criação e educação de seus netos mais velhos, ensinando-lhes o valor do trabalho, da culinária, do bordado e da costura. Em 2008, mudou-se para a cidade, saindo do sítio, onde passou a se dedicar ao artesanato. Suas peças eram vendidas com orgulho na Casa do Artesão, localizada na antiga praça da prefeitura.


Num de repente, o adeus

Com o passar dos anos a saúde já não era mais a mesma e passou a apresentar alguns problemas que eram acompanhados de perto pela família. Sebastiana apesar de perder o esposo, continuou cuidando dos seus e ajudando em tudo que podia.

Mas como dizem, o coração é traiçoeiro, e assim foi com a jovem senhora cheia de vida e vaidade. Necessitou de um cateterismo, mas não foi alertada da gravidade de seu caso.

“Corria o risco de ela não aguentar a cirurgia, como de fato aconteceu”.

Quando os cardiologistas aguardavam a família para informações mais precisas, teve um infarto, que os médicos conseguiram reverter com a reanimação. Mas ao segundo, infelizmente, não resistiu.

Um dos pontos fortes que recordo, pois a conheci, era sua segurança em relação ao seu matrimônio. Sebastiana não era de festas, mas jamais privou o esposo de ir aos bailes de que gostava muito, uma vez que era grande ‘dançador’.

“Escolhia e passava as roupas para ele ir. E quando ele voltava, era recebido com carinho”.

Sebastiana Gomes de Azevedo faleceu no dia 8 de agosto de 2021, deixando um legado de amor, trabalho e sabedoria às gerações que formou e inspirou. Reconhecendo seus feitos, a Rua 8 do bairro Reserva do Parque, foi nominada oficialmente como Rua Sebastiana Gomes de Azevedo, através da vereadora Dona Neide.



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