O período é considerado crítico devido à combinação de altas temperaturas e chuvas frequentes
O cenário epidemiológico de Mato Grosso em 2026 exige atenção redobrada das autoridades de saúde e da população. Somente nos dois primeiros meses do ano o estado confirmou quatro mortes decorrentes de arboviroses.
O período é considerado crítico devido à combinação de altas temperaturas e chuvas frequentes, condições que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor das principais arboviroses que circulam no país.
De acordo com dados do painel epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde, entre janeiro e 27 de fevereiro, Mato Grosso contabilizou 3.068 casos prováveis de dengue, o que representa uma taxa de incidência de 78,91 notificações para cada 100 mil habitantes.
No mesmo período, duas mortes provocadas pela doença foram confirmadas. As vítimas são dois homens, de 48 e 67 anos, residentes nos municípios de Cuiabá e Diamantino.
Em relação à chikungunya, o estado registrou 472 casos prováveis, com taxa de incidência de 12,14 casos por 100 mil habitantes. A doença já provocou dois óbitos até 27 de fevereiro: um em Novo São Joaquim, envolvendo uma mulher de 37 anos, e outro em Vila Bela da Santíssima Trindade, que vitimou um bebê de apenas um ano de idade. Já a zika soma 69 casos prováveis no estado até o momento, sem registro de mortes.
Também com cenário preocupante, Tangará da Serra contabilizou até o dia 6 de março 371 notificações de dengue, conforme boletim divulgado pelo Município na sexta-feira, 6. Em relação à chikungunya, o município registrou 15 notificações e um óbito confirmado pela doença. Vale ressaltar que essa morte não havia sido confirmada anteriormente pela Secretaria de Estado de Saúde.
Diante do aumento de casos e da confirmação de mortes no estado, autoridades de saúde reforçam a preocupação com a proliferação do mosquito transmissor e alertam para a importância da prevenção.
A orientação é que a população elimine possíveis criadouros do mosquito, evitando água parada em recipientes como pneus, garrafas, caixas d’água destampadas, vasos de plantas e calhas entupidas. (Com informações Diário de Cuiabá)
Diante do cenário de alerta, em que Tangará da Serra contabiliza quase 400 notificações de doenças emergentes, sendo 371 de dengue e 15 de chikungunya, e um óbito confirmado pela doença, a Secretaria Municipal de Saúde tem intensificado as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti.
Entre as ações realizadas estão os bloqueios com bomba costal, executados pelos Agentes de Combate às Endemias em diversos bairros da cidade. O procedimento consiste na aplicação de inseticida em áreas próximas aos locais onde há notificações de casos suspeitos ou confirmados.
De acordo com o agente de endemias Fagner Brito, somente nos dois primeiros meses deste ano mais de 20 bloqueios já foram realizados, com maior incidência nos bairros Altos da Boa Vista e na região do Tarumã, locais que apresentaram maior número de notificações.
Em entrevista ao Diário da Serra e Rádio Serra FM, enquanto o trabalho era realizado no bairro Santa Terezinha, Brito informou que as ações são direcionadas a partir das notificações registradas nas unidades de saúde.
“Esse bloqueio é realizado onde tem casos notificados. A população procura a unidade de saúde ou até mesmo o hospital particular, é feita a notificação de caso suspeito de dengue, zika ou chikungunya. Através dessas notificações é feita uma triagem aqui no Centro de Endemias, aonde a equipe faz um levantamento e, posteriormente, é feita a borrifação nesses locais”,
explica, ao destacar que o trabalho de monitoramento ocorre em toda a cidade, com mapeamento constante das áreas de risco.
Ele também reforça que a participação da população é fundamental para que as ações possam ser realizadas.
“É só deixar bem claro para a população que para realizar esse bloqueio, essa borrifação, é necessário ter a notificação. Sem a notificação, não temos como disponibilizar a equipe e nem o inseticida para fazer o bloqueio. Por isso é importante, se o morador tiver algum caso suspeito de dengue, zika ou chikungunya, estar procurando médico, estar procurando unidade de saúde para fazer a notificação, porque só através dela conseguiremos realizar esse tipo de trabalho”.