Deixou saudade e muitas lembranças de que ‘devemos fazer o bem, sem olhar a quem’
“Minha mãe ajudava todo mundo, inclusive, pessoas em situação de rua. Ela alimentava e ainda perguntava se não tinha alguma roupa para lavar”.
Assim Ilda Nieto Vaz é descrita pelos filhos Larissa e Loir Vaz, com quem conversei por bom tempo para contar mais essa história.
Nascida em Linhares, Espírito Santo, em 27 de novembro de 1935, filha de Manoel Dupphé Nietto e Mathilde Dupphé Nietto iniciou sua trajetória lidando na terra ao lado dos pais que eram lavradores. Teve como parceiros de travessuras os irmãos: Alvina Nietto de Freitas, João Batista Nietto, Maria Nietto dos Santos, Sebastião Nietto e Editte Nietto Stocler.
Como as únicas formas de diversão eram as festas de comunidade, ao lado das três irmãs e dos pais, ia passear em quermesses ou mutirões. Em um dos passeios, Ilda, com 16 anos, conheceu o esposo Antonio Vaz, que foi arrebatado de forma imediata ao ver a moça calma e tímida. Ele um pouco mais velho que Ilda e mais vivido, não teve a acolhida da mãe da moça, mas mesmo assim o casamento aconteceu, pouco tempo depois.
“Eles foram morar nas terras que meu avô dividiu com os filhos. Lá, tiveram que derrubar as árvores para não caírem em cima do rancho, onde montaram, em um barraco de lona”,
conta Loir Vaz.
O casal formou uma família numerosa de 15 filhos, sendo: Mariana, Luzia e Geraldo (in memoriam), Maria, Lacidio, Marlene, Matilde, Marcia, José, Isabel, Loir, Irineu, Maria Aparecida, Jorneli e Larissa.
Antonio Vaz, ao inverso de Ilda Nieto Vaz, era mais esquentado, diferença que ela sempre soube contornar, com sua calma e ternura. No ano de 1967 o esposo decide se mudar, devido a um problema. Para conhecer outros locais, chega ao Rio Branco do Acre, mas não gosta do local.
Ao retornar para em Cuiabá é incentivado a conhecer Tangará da Serra. Gosta da terra e através de telegrama, autoriza Ilda a vender tudo que tinham e vir para o Mato Grosso.
“Ela negociou tudo, colocou o dinheiro numa mala e veio. Meu pai foi nos encontrar em Cuiabá. Viemos em um ‘pau de arara’, com quatro ou cinco famílias em cima, lata de banha, cachorro, porco e tudo misturado”,
recordam os filhos.
Com o valor trazido, o casal comprou algumas propriedades em Tangará da Serra.
Enquanto o esposo saía para trabalhar, Ilda se dedicava à família.
“Minha mãe era cordata e sempre acatava o que meu pai dizia”.
Ilda é lembrada como uma pessoa que se não pudesse ajudar, jamais seria capaz de atrapalhar.
Para os filhos, foi a personificação do amor, que não ficava somente dentro de casa, aos seus, mas saía dos portões da residência.
“Ela nunca tratou ninguém mal, mesmo que ela soubesse que alguém iria prejudicar ela, jamais agia mal”,
conta a filha Larissa.
É lembrada por sua simplicidade e fé.
“Quando eu nasci, nós duas ficamos muito mal. Ela então fez uma promessa para Nossa Senhora Aparecida que se escapássemos, ela iria me batizar lá”,
relata a filha Larissa.
Promessa que confirmou ainda mais sua fé. Assim, com Larissa com três anos, e o esposo, partiu para Aparecida do Norte. Na viagem conheceram um casal que convidaram para serem padrinhos e nunca mais se viram.
Ilda seguiu fazendo o que veio ao mundo para fazer, ‘se doar’. Era companheira, mãe amorosa e conselheira, já que era dona de uma sabedoria e calma que a todos impressiona. Era participante assídua da igreja, onde buscava somente contribuir, sem cargos ou aparecimentos.
Tinha na família sua missão de vida, o desempenhou seu papel com maestria, já que era quem ficava com os pequenos, enquanto Antonio trabalhava ou viajava. Teve no esposo o amor de uma vida toda, sofrendo imensamente com sua partida, uma vez que com Antonio manteve um relacionamento pautado na abnegação.
Morreu de um infarto, deixando saudade e muitas lembranças de que ‘devemos fazer o bem, sem olhar a quem’.
“Sentiu uma falta de ar e foi ao hospital. Lá, no outro dia, partiu aos 83 anos”.
Ilda Nieto Vaz faleceu em 6 de agosto de 2019, mas jamais será esquecida, uma vez que seu nome foi eternizado com a nominação da Estrada Municipal TS36 como “Estrada Municipal Ilda Nieto Vaz”, que para a família, não é apenas um ato formal, mas um ato de gratidão e memória.
Cabe ressaltar que Ilda assinava o nome Nietto com apenas um ‘t’, e foi assim mantido nos relatos.