Diário da Serra
Diário da Serra

Solidão Feminina: Um Silêncio que Adoece

Ana Flávia Nienov 20/03/2026 Artigos

Quantas vezes você deixou de dividir uma dor por receio de não corresponder à imagem da “mãe que dá conta de tudo”?

Artigos

Como psicóloga, tenho o privilégio de mergulhar diariamente nas histórias mais íntimas de mulheres e casais. E observo um padrão alarmante no consultório: a exaustão da mulher moderna não vem apenas do excesso de trabalho, mas de uma profunda e silenciosa solidão.

Sejam dificuldades no casamento, desafios da maternidade, questões relacionadas à intimidade, à saúde mental ou até à saúde ginecológica, tudo isso muitas vezes é vivido em silêncio. Sem espaço para troca, sem escuta, sem validação. E, pouco a pouco, algo essencial vai sendo deixado de lado: o vínculo com outras mulheres.

Quando não compartilhados, os problemas tendem a se ampliar. Surge a sensação de que “só eu passo por isso”. E o sofrimento solitário se torna um terreno fértil para a culpa e a vergonha.

Quantas vezes você deixou de dividir uma dor por receio de não corresponder à imagem da “mãe que dá conta de tudo”? Ou por acreditar que sua dificuldade na intimidade era algo exclusivamente seu? Quando nos isolamos, perdemos o espelho da realidade. Passamos a acreditar que a vida das outras mulheres é sempre mais organizada, mais leve, mais resolvida, enquanto a nossa parece fora de controle.

E é justamente nesse ponto que o isolamento se aprofunda: quanto mais precisamos de apoio, mais nos afastamos dele.

Ter amigas com quem possamos compartilhar a vida não é um luxo, é uma necessidade emocional. São nesses encontros, que construímos um espaço seguro para rir, celebrar conquistas ou simplesmente chorar sem julgamento. Esse tipo de troca tem um efeito profundo: organiza emoções, alivia tensões e nos reconecta com a realidade.

Estar disponível para acolher a dor de uma amiga também nos ensina a sermos mais gentis com as nossas próprias vulnerabilidades. Ter uma rede de apoio é compreender que, embora a jornada seja individual, ela não precisa ser solitária.

Cultivar essas relações exige intenção. Eu sei que não existe tempo “sobrando”, mas talvez seja hora de reconhecer que essas conexões são parte essencial para a sua qualidade de vida.

Então, te convido a olhar sua agenda e se fazer uma pergunta simples e honesta: onde estão as minhas amizades, as minhas relações de troca?

Resgatar esses vínculos pode ser um dos passos mais importantes para uma vida mais leve, mais conectada e emocionalmente mais saudável.

Afinal, juntas somos realmente mais fortes.


Ana Nienov | Psicóloga e Sexóloga
@anaflavianienov



Diário da Serra

Notícias da editoria