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PROTAGONISMO FEMININO – Entre consultas e cuidado: a força de uma mulher na linha de frente da saúde da família

Ana Lucia Andruchak / Estágio Jornalismo 20/03/2026 Geral

Médica concilia maternidade, rotina intensa e atendimento humanizado para transformar a vida de pacientes na atenção básica

Médica Silmara Kariny Santos Garcia Vieira

Entre consultas e cuidado: a força de uma mulher na linha de frente da saúde da família

Ser mulher, mãe e médica é assumir diariamente o compromisso de cuidar do outro com sensibilidade e responsabilidade. Na Estratégia de Saúde da Família, a médica Silmara Kariny Santos Garcia Vieira, 32 anos, representa essa força ao unir conhecimento técnico, empatia e dedicação em uma rotina marcada por desafios e acolhimento.

Inspirada pela mãe, técnica em enfermagem, Silmara encontrou ainda na infância o caminho que seguiria na vida profissional. Hoje, além de médica, é mãe de três filhos e referência na comunidade onde atua. Para ela, o exercício da medicina vai muito além do diagnóstico.

“A Unidade de Saúde da Família abraça a integralidade do ser humano. Não é só atender, é cuidar por completo”,

afirma.

A rotina na unidade é intensa. Entre atendimentos a pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, consultas de pré-natal, puericultura e demandas espontâneas, a médica organiza a semana para atender cada necessidade com atenção. Há ainda visitas domiciliares a pacientes acamados, reforçando o compromisso com um cuidado contínuo e humanizado.

Silmara acredita que o papel do médico também é orientar e conscientizar.

“Dez por cento é medicação e olhar médico, mas 90 por cento depende do autocuidado do paciente”,

destaca, reforçando a importância da participação ativa de cada pessoa no próprio tratamento.

Mais do que atender, ela busca criar vínculos. Para a médica, não deve existir distância entre profissional e paciente. A escuta atenta e o olhar sensível permitem identificar necessidades que vão além do físico, alcançando aspectos emocionais e sociais.

Ser mulher nesse espaço também carrega um significado especial.

“O empoderamento feminino se constrói ao acolher, orientar e transformar realidades com conhecimento e voz ativa na comunidade”,

afirma.

Entre desafios e conquistas, Silmara segue inspirando outras mulheres e reforçando, todos os dias, que o cuidado também é uma forma de força.


Equipes femininas transformam atendimento nas unidades da família

Muito além de consultas e procedimentos, o trabalho nas Unidades de Saúde da Família dos bairros Jardim Paraíso e Jardim Europa é marcado pelo protagonismo de equipes formadas majoritariamente por mulheres, que fazem do acolhimento, da empatia e da dedicação os pilares do atendimento.

À frente das unidades, as enfermeiras Claudineia Santos Lemes de Passos e Rallini Diani da Silva Rodrigues representam a essência do cuidado humanizado. 

Claudineia carrega na trajetória pessoal a motivação para exercer a profissão com sensibilidade. Após vivenciar um atendimento negativo na infância, decidiu seguir a enfermagem para fazer diferente.

“Quero transmitir amor em forma de cuidado”,

resume.

Já Rallini escolheu a profissão ainda criança e encontrou na atenção básica um espaço de atuação mais amplo.

“Aqui fazemos consultas, orientamos, prescrevemos cuidados e acompanhamos a comunidade de perto”,

explica.

O trabalho nas unidades envolve desde o atendimento a pacientes crônicos, gestantes e crianças, até ações preventivas e educativas. Palestras, rodas de conversa e atividades coletivas fazem parte da rotina, promovendo não apenas saúde física, mas também bem-estar emocional.

Um dos destaques é a integração entre as duas unidades, que realizam caminhadas semanais com grupos de hipertensos e diabéticos. A iniciativa fortalece vínculos, incentiva hábitos saudáveis e cria um ambiente de apoio entre os pacientes.

Os resultados vão além dos indicadores clínicos. Segundo as profissionais, pacientes antes tímidos passaram a interagir mais, enquanto idosos encontraram nas atividades coletivas um espaço de acolhimento e socialização.

Mesmo diante de desafios, como alta demanda e limitações estruturais, as profissionais mantêm o compromisso de oferecer um atendimento ágil e humanizado. Casos urgentes são acolhidos imediatamente e, quando necessário, encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Mais do que organizar fluxos e atender pacientes, essas mulheres constroem relações. Para elas, a unidade de saúde é um espaço onde a comunidade se reconhece como família.



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