Médica concilia maternidade, rotina intensa e atendimento humanizado para transformar a vida de pacientes na atenção básica
Ser mulher, mãe e médica é assumir diariamente o compromisso de cuidar do outro com sensibilidade e responsabilidade. Na Estratégia de Saúde da Família, a médica Silmara Kariny Santos Garcia Vieira, 32 anos, representa essa força ao unir conhecimento técnico, empatia e dedicação em uma rotina marcada por desafios e acolhimento.
Inspirada pela mãe, técnica em enfermagem, Silmara encontrou ainda na infância o caminho que seguiria na vida profissional. Hoje, além de médica, é mãe de três filhos e referência na comunidade onde atua. Para ela, o exercício da medicina vai muito além do diagnóstico.
“A Unidade de Saúde da Família abraça a integralidade do ser humano. Não é só atender, é cuidar por completo”,
afirma.
A rotina na unidade é intensa. Entre atendimentos a pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, consultas de pré-natal, puericultura e demandas espontâneas, a médica organiza a semana para atender cada necessidade com atenção. Há ainda visitas domiciliares a pacientes acamados, reforçando o compromisso com um cuidado contínuo e humanizado.
Silmara acredita que o papel do médico também é orientar e conscientizar.
“Dez por cento é medicação e olhar médico, mas 90 por cento depende do autocuidado do paciente”,
destaca, reforçando a importância da participação ativa de cada pessoa no próprio tratamento.
Mais do que atender, ela busca criar vínculos. Para a médica, não deve existir distância entre profissional e paciente. A escuta atenta e o olhar sensível permitem identificar necessidades que vão além do físico, alcançando aspectos emocionais e sociais.
Ser mulher nesse espaço também carrega um significado especial.
“O empoderamento feminino se constrói ao acolher, orientar e transformar realidades com conhecimento e voz ativa na comunidade”,
afirma.
Entre desafios e conquistas, Silmara segue inspirando outras mulheres e reforçando, todos os dias, que o cuidado também é uma forma de força.
Muito além de consultas e procedimentos, o trabalho nas Unidades de Saúde da Família dos bairros Jardim Paraíso e Jardim Europa é marcado pelo protagonismo de equipes formadas majoritariamente por mulheres, que fazem do acolhimento, da empatia e da dedicação os pilares do atendimento.
À frente das unidades, as enfermeiras Claudineia Santos Lemes de Passos e Rallini Diani da Silva Rodrigues representam a essência do cuidado humanizado.
Claudineia carrega na trajetória pessoal a motivação para exercer a profissão com sensibilidade. Após vivenciar um atendimento negativo na infância, decidiu seguir a enfermagem para fazer diferente.
“Quero transmitir amor em forma de cuidado”,
resume.
Já Rallini escolheu a profissão ainda criança e encontrou na atenção básica um espaço de atuação mais amplo.
“Aqui fazemos consultas, orientamos, prescrevemos cuidados e acompanhamos a comunidade de perto”,
explica.
O trabalho nas unidades envolve desde o atendimento a pacientes crônicos, gestantes e crianças, até ações preventivas e educativas. Palestras, rodas de conversa e atividades coletivas fazem parte da rotina, promovendo não apenas saúde física, mas também bem-estar emocional.
Um dos destaques é a integração entre as duas unidades, que realizam caminhadas semanais com grupos de hipertensos e diabéticos. A iniciativa fortalece vínculos, incentiva hábitos saudáveis e cria um ambiente de apoio entre os pacientes.
Os resultados vão além dos indicadores clínicos. Segundo as profissionais, pacientes antes tímidos passaram a interagir mais, enquanto idosos encontraram nas atividades coletivas um espaço de acolhimento e socialização.
Mesmo diante de desafios, como alta demanda e limitações estruturais, as profissionais mantêm o compromisso de oferecer um atendimento ágil e humanizado. Casos urgentes são acolhidos imediatamente e, quando necessário, encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Mais do que organizar fluxos e atender pacientes, essas mulheres constroem relações. Para elas, a unidade de saúde é um espaço onde a comunidade se reconhece como família.