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ANIVERSÁRIO ODF – Duas décadas de história: Grupo Os de Fora celebra 20 anos

Ingridy Silva / Estágio de Jornalismo 15/04/2026 Cultura

Grupo de dança junina nasceu de um projeto escolar e hoje reúne gerações

Valorização da cultura popular

O que começou em 2006, no bairro Alto da Boa Vista, em Tangará da Serra, como um grupo de ex-alunos reunidos para participar de um festival junino, hoje se tornou uma das maiores referências culturais do município. O Grupo “Os de Fora” completa neste mês de abril 20 anos de trajetória marcada por conquistas e pela valorização da cultura popular tangaraense.

Fundado a partir de um projeto escolar, o grupo ganhou o nome de forma inusitada, após ser anunciado equivocadamente como “de fora” durante uma apresentação. A partir dali a identidade foi abraçada e se tornou marca registrada. Ao longo de duas décadas, o grupo construiu uma trajetória baseada na resistência cultural e no trabalho em equipe. Dos ensaios em escolas e praças até a consolidação como associação independente, a caminhada foi marcada por esforço.

“A gente vendia rifa, ia para o semáforo, fazia o que fosse preciso para viajar e se apresentar. Era difícil, mas era o que nos movia”,

relembra o fundador e atual secretário de Cultura e Turismo, Wellington Machado.

De acordo com ele, mais de 1.200 pessoas já passaram pelo grupo, entre bailarinos e colaboradores. Atualmente, são mais de 100 integrantes ativos.

“Era uma forma de lazer para nós, mas percebemos que poderia se tornar algo maior”,

destaca.

O reconhecimento também veio em forma de títulos. Em 2025, “Os de Fora” conquistou o primeiro lugar no Festival Mato-grossense de Quadrilhas Juninas, após anos batendo na trave. A vitória garantiu a representação do estado em Canaã dos Carajás (PA) e colocou o grupo entre os destaques nacionais.

“Foram mais de 10 anos buscando esse título. Quando veio, teve um gosto especial. Foi a consolidação de um trabalho construído com muita dedicação”,

afirma José Wellington, integrante há 13 anos.

Para ele, o grupo vai além da dança.

“Ali a gente se desenvolve como artista, mas também como pessoa e profissional. Existe um cuidado com cada integrante. Os de Fora é vida… é família. A gente aprende a caminhar junto, mesmo com as diferenças”,

completa.

Essa dimensão familiar também é vivida por quem chegou mais recentemente. Há quatro anos no grupo, Josenilda Maria da Silva participa ao lado do marido e da filha, enfrentando a distância para não ficar de fora dos ensaios. Moradora do Assentamento Antônio Conselheiro, ela percorre quilômetros para manter o vínculo com o grupo.

“A gente vai e volta, mas vale a pena, pra gente é satisfatório estar no grupo”,

conta ela.

Com apresentações em diversos estados brasileiros e presença em dezenas de municípios mato-grossenses, o Grupo “Os de Fora” se tornou símbolo da cultura popular de Tangará da Serra. Duas décadas depois, o sentimento permanece o mesmo que deu origem a tudo: paixão. E, como define o próprio grupo, essa é apenas a primeira parte de uma história que ainda tem muito a ser dançada.



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