Foram para um hospital particular e lá o obstetra que acompanhou a gestação dela, constatou o óbito fetal
Um vídeo em que uma gestante estava saindo da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tangará da Serra com soro, tomou conta das redes sociais, quando o esposo reclamava da situação da unidade, chamou atenção da população, que ficou ainda mais insatisfeita, quando recebeu a notícia do falecimento tanto da mãe, quanto do filho.
Foram vários os comentários de que o município foi negligente à situação, fato esse, negado pela secretária Municipal de Saúde, Angela Belizário que fez uma participação na manhã de quarta-feira, 20, durante o Programa 1ª Hora.
“Nunca houve negligência. Essa mãe chegou na madrugada alegando dores, e foi atendida pelos nossos profissionais e colocada em medicação e observação, mas se evadiu do hospital, sem autorização médica”,
relata.
“Foram para um hospital particular e lá o obstetra que acompanhou a gestação dela, constata o óbito fetal”,
anuncia Angela, ao salientar que após isso, a paciente fica internada por dois dias na rede particular, quando a família procura a Secretaria de Saúde, alegando que financeiramente o internamento ficaria complicado.
“Colocamos então ela, num leito SUS”,
narra.
Ao observarem os exames, os médicos da UPA perceberem alterações significativas no quadro.
“Se apavoram. Então, trouxemos ela de volta para UPA, onde ela fez vários exames e os nossos médicos pedem o leito de UTI porque a situação dela era muito complicada já dois dias após o nascimento da criança”,
salienta.
“O leito foi solicitado pelos nossos médicos do SUS, porque o médico que acompanhou a gestação não indicou nada”.
Na UTI, a paciente seguiu internada por 13 dias.
Belizário pontua ainda que o pai foi informado do tempo de falecimento da criança.
“A própria pediatra que acolheu essa criança falou para o pai que a criança já tinha mais de 12 horas de óbito dentro do útero”.
Ressalta que todos os esforços foram envidados para o tratamento e recuperação da paciente, como busca de plasma na capital do Estado junto ao Lacen. Destaca ainda que foram inúmeras as infecções, que podem ter sido oriundas do tempo que o bebê permaneceu morto no útero.
Pontuou também que o pré-natal da paciente foi feito na rede particular e apenas duas consultas foram realizadas durante a gestação em Unidade de Saúde públicas, uma delas para tratar de uma gripe, e a segunda foi com a enfermeira, sendo uma consulta de rotina, feita mensalmente.
Angela Belizário disse que os atendimentos de gestantes que apresentem risco, a competência é do Estado, mas o mesmo não tem arcado com sua parte, o que tem feito com que a saúde fique assoberbada. Por esse motivo, secretários da região deverão nesta quinta-feira, 23, se reunir com o secretário Estadual de Saúde para reivindicar a resolução dessa situação.
“Por Tangará ser polo, acaba absorvendo também as gestantes dos municípios menores que não tem esse atendimento e isso é normal, mas não podemos aceitar que o Estado fique inerte nessas situações”,
declara.