Cristiane Daleffe destaca que a prevenção começa na cadeira do dentista e se mantém no hábito diário da escovação
O gesto é simples e cotidiano: escovar os dentes, passar o fio dental e limpar a língua. No entanto, para além da estética e do hálito fresco, esses hábitos compõem a primeira linha de defesa contra uma condição silenciosa e potencialmente fatal.
Na Unidade de Saúde da Família do bairro Jardim Santa Lúcia, a cirurgiã dentista Cristiane Varanda Ventresqui Guedes Daleffe atua na conscientização de que um sorriso negligenciado pode ser o ponto de partida para a endocardite bacteriana.
A doença consiste em uma inflamação grave do endocárdio, a membrana interna que reveste as paredes das câmaras e as válvulas cardíacas. A conexão entre a boca e o peito ocorre por meio da corrente sanguínea.
“Bactérias decorrentes de infecções dentárias ou de uma gengiva doente podem cair na corrente sanguínea durante atividades simples, como a mastigação ou uma escovação mais vigorosa em tecidos inflamados e se alojar no coração”,
explica.
O alerta é redobrado para o grupo de risco. As pessoas cardiopatas, que já possuem alguma alteração ou histórico de doenças cardíacas, são as mais vulneráveis. Nelas, as bactérias encontram o terreno propicio para se fixar e proliferar, causando danos sérios e que pode levar a óbito.
A especialista enfatiza ainda que a humanização do atendimento passa por ensinar ao paciente que o autocuidado vai além da estética, é um ato de preservação da vida.
“A receita para a prevenção é totalmente acessível e eficaz: escovação criteriosa, uso indispensável do fio dental após as refeições e a limpeza correta da língua”.
Manter as consultas regulares na unidade de saúde garante que pequenos problemas não se tornem portas abertas para invasores invisíveis que miram o coração.