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1º de Maio: a luta do trabalhador ontem e hoje do chão da fábrica à escala 6x1

Maycon David Caetano 30/04/2026 Artigos

Pelo viés marxista, a escala 6x1 intensifica a extração da mais-valia e amplia o desgaste físico e mental, mantendo a produtividade elevada em prol do capital, enquanto restringe o acesso do indivíduo ao lazer, à cultura e à convivência familiar

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O Dia do Trabalhador, celebrado neste 1º de maio, é uma conquista universal. Esta data carrega consigo as grandes lutas da classe trabalhadora que, a duras penas, tem trilhado uma trajetória árdua na busca por direitos. É preciso recordarmos que, há pouco tempo, historicamente falando, por volta do século XIX, os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas de até 16 horas diárias, baixos salários e condições insalubres, especialmente em centros ind  ustriais dos Estados Unidos e da Europa. Foi diante deste cenário que surgiram movimentos sociais e operários para reivindicar direitos que hoje consideramos básicos, como  a jornada de oito horas. Um marco importante desse movimento mundial ocorreu no dia 4 de maio de 1886, na Praça Haymarket, em Chicago, no episódio conhecido como a “Revolta de Haymarket”. Na ocasião, milhares de trabalhadores entraram em greve, culminando em um confronto direto com a polícia. O conflito resultou na morte de um policial e sete feridos. Em reação à explosão de uma bomba, cuja autoria permanece desconhecida até hoje, a polícia abriu fogo contra a multidão, causando a morte de quatro trabalhadores e deixando dezenas de feridos. A manifestação, até então pacífica, transformou-se em caos. Mais tarde, durante o Congresso Internacional Operário de Paris, em julho de 1889 (Segunda Internacional), o dia 1º de maio foi consagrado como o Dia do Trabalhador em memória aos “Mártires de Chicago”. No século XXI, o debate acerca da jornada de trabalho intensificou-se, sobretudo no Brasil, com o movimento pelo fim da escala 6x1. Para compreendermos esse embate, é válido recorrermos às lições de dois pilares da sociologia clássica que são: Karl Marx e Max Weber. Para Marx, conforme exposto em sua obra seminal O Capital (1867), o trabalho é o elemento central da exploração capitalista por meio da “mais-valia” que é o conceito de que o trabalhador recebe, em forma de salário, um valor muito inferior ao que ele efetivamente produz, sendo o excedente apropriado pelo capitalista. Já na perspectiva de Weber, em especial em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905), o trabalho deve ser interpretado através da racionalização, da disciplina e da vocação, dentro de um contexto de organização burocrática e eficiência técnica. Ambos os autores se moldam ao debate contemporâneo. Pelo viés marxista, a escala 6x1 intensifica a extração da mais-valia e amplia o desgaste físico e mental, mantendo a produtividade elevada em prol do capital, enquanto restringe o acesso do indivíduo ao lazer, à cultura e à convivência familiar. Por outro lado, sob a ótica weberiana, essa mesma escala pode ser enxergada como um desdobramento da racionalização do trabalho, visando a maximização da produção e a previsibilidade em setores que demandam funcionamento contínuo, como o comércio e os serviços. Paralelamente, não podemos ignorar as transformações tecnológicas que, como previsto por Marx no capítulo sobre “Maquinaria e Grande Indústria”, suprimem postos de trabalho e exigem a flexibilização da mão de obra. Para citar um exemplo próximo a você, caro leitor, aqui em Tangará da Serra, observamos essa prática crescente nos supermercados, onde os operadores de caixa são, aos poucos, substituídos por terminais de autoatendimento eletrônico. Portanto, a discussão sobre a escala 6x1 revela o quanto as reflexões do século XIX ainda são atuais: de um lado, a crítica às desigualdades estruturais e de outro lado a compreensão da engrenagem organizacional do sistema. Refletir sobre o trabalho hoje é reconhecer o desafio de equilibrar a eficiência econômica com condições dignas de existência, nesse sentido o fim da escala 6x1 é um imperativo categórico. Quem sabe, assim, a celebração do 1º de maio finalmente encontre respaldo pleno na realidade, fazendo com que o sacrifício histórico de cada trabalhador tenha, enfim, valido a pena.
Feliz Primeiro de Maio.


Maycon David Caetano, bacharel em direito pela Universidade do Estado de Mato Grosso, pós-graduado em direito público e gestão financeira pelas Faculdades Unidas de Brasília, licenciado em História pela faculdade Paulistana de educação e mestre em ambientes e sistemas de produção agrícola pelo programa de pós-graduação PPGASP da Unemat de Tangará da Serra-MT.

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