Diário da Serra

TANGARÁ 50 ANOS – Suzeli Porfírio: memória viva de uma Tangará que nasceu do sonho e da coragem

Alexandre Rolim / Especial DS 13/05/2026 Memória

pioneira relembra os primeiros passos da cidade e emociona ao falar do legado da família

Suzeli com os pais Porfírio e Dona Arlete

Suzeli Porfírio: memória viva de uma Tangará que nasceu do sonho e da coragem

Suzelí Porfírio de Brito guarda na memória uma Tangará da Serra que nasceu da coragem e do positivismo de famílias determinadas, que acreditaram no impossível e transformaram sonhos em realidade.
Entre essas famílias, destaca-se a do Senhor Antonio Porfírio de Brito e de Dona Arlete Daisy Cichetti de Brito, que deixaram São Paulo para desbravar Tangará entre os anos de 1968 e 1970. Antonio Porfírio, que mais tarde se tornaria um dos grandes nomes da administração pública da década de 80, carregava um lema que guiava sua vida e sua gestão:

“Nada resiste ao trabalho”.

Esse princípio não era apenas uma frase, mas uma prática diária em favor de todos os tangaraenses, sem distinção.

Suzelí, filha caçula, cresceu acompanhando de perto os desafios e as conquistas de quem acreditou nesta terra.

“Era uma Tangará simples, de ruas de chão e muita esperança. Tudo era difícil, mas havia um espírito altruísta que dá saudade”,

relembra.

E foi nesse ambiente de luta e solidariedade que ela, como tantas outras crianças, cresceu junto com a cidade.

Hoje, ao contemplar a Tangará da Serra desenvolvida, cheia de oportunidades e reconhecida por sua força, Suzelí sente orgulho e realização.

“Foi uma transformação grandiosa. Ter participado desse crescimento é uma satisfação imensa”,

afirma.

Para ela, os 50 anos de emancipação não são apenas uma data comemorativa, mas um marco de uma história construída por muitas mãos.

“Cada pessoa que passou por aqui deixou seu legado. Nada veio fácil, tudo foi conquistado com muito trabalho”,

destaca.

Suzelí faz questão de ressaltar a importância de manter viva a memória dos pioneiros:

“Não devemos nos esquecer de quem veio antes. Foram pessoas extraordinárias que abriram caminho para tudo que temos hoje”.

Sua mensagem final é de gratidão e esperança:

“Tangará é uma cidade abençoada. Que continue crescendo, mas sem perder suas raízes, sua história e o valor do seu povo”.

Uma fala simples, mas carregada de emoção e significado – como a própria trajetória de Tangará da Serra e de seus pioneiros.


Dé: o homem simples que ajudou a construir uma cidade com trabalho e honestidade

A história de José Carlos de Jesus, conhecido por todos como Dé, é daquelas que mostram que não é preciso ter discurso político bonito para deixar um legado. Basta ter caráter, coragem e vontade de trabalhar.

Em Tangará da Serra, ele ficou conhecido como um homem simples, direto, mas extremamente honesto. Uma daquelas figuras respeitadas por todos, justamente pela forma como sempre conduziu sua vida.

Antes de chegar a Tangará, Dé construiu sua base em São Paulo, onde trabalhou por muitos anos ao lado de Antônio Porfírio de Brito na empresa Expresso Real. Ali, sob a liderança de empresários japoneses, aprendeu lições que levaria para a vida inteira: respeito, disciplina e compromisso com a palavra.

“Lá a gente aprendeu que o que fala, cumpre. E que o respeito vem antes de qualquer coisa”,

resume o espírito daquela época.

E foi com esse aprendizado que ele ajudou a construir Tangará.

Mesmo sem ter o chamado “tino político”, Dé assumiu uma função de grande responsabilidade: foi secretário de Obras no final da gestão de Antônio Porfírio. E fez do jeito dele — trabalhando.

Sem promessa, sem discurso, mas com resultado.

“Ele não era de falar muito, era de fazer”,

é o que muitos lembram.

Na prática, ajudou a organizar, estruturar e dar andamento em obras importantes em um período em que a cidade ainda estava crescendo e precisava de tudo: estrada, estrutura, planejamento.

Mas o que mais marcou não foi só o trabalho.

Foi a postura.

Dé sempre foi visto como um homem de palavra, daqueles que não passavam por cima de ninguém e que tratavam todos com igualdade. Um jeito simples de ser, mas que fez toda diferença numa cidade que estava se formando.

Hoje, ao olhar para Tangará da Serra aos 50 anos, histórias como a dele mostram que o crescimento da cidade não veio por acaso.

Veio de gente que trabalhou de verdade.

De gente que não buscava aparecer, mas fazia acontecer.

E Dé é um desses nomes.

Um homem comum, com atitudes extraordinárias.

Daqueles que ajudaram a levantar uma cidade inteira — sem precisar subir em palanque.



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