É o contorno emocional que nos abraça, que valida as nossas angústias diárias e que nos sustenta silenciosamente diante do mundo
Na tarde desta segunda-feira, o Brasil parou. Carlo Ancelotti, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, foi chamando os nomes um a um. E quando o nome dele saiu, Neymar, foi aquele alvoroço que todo mundo já esperava e ainda assim se surpreendeu. Redes sociais explodiram. Grupos de WhatsApp ressuscitaram. O país inteiro tinha uma opinião.
Cheguei em casa ainda com aquela energia no ar, abri o celular e fui ver os vídeos.
Mas não fiquei nos memes do Neymar. Não fiquei nas análises táticas, nos comentaristas, nas polêmicas. O que me prendeu foram as cenas que quase ninguém comentou: as famílias.
Ali, reunidas nas salas de casa, nos gramados de clube, nas arquibancadas, mães com a mão no peito, pais com os olhos marejados, irmãos se abraçando, filhos pequenos sem entender direito o tamanho daquilo tudo, mas sentindo que era grande. Porque o amor sente, mesmo quando não compreende.
E aí eu pensei: isso aqui é psicologia pura.
Porque tem uma ilusão muito bonita, e muito perigosa, que a gente carrega: a de que nas grandes conquistas, o mundo vai estar do nosso lado. Que o sucesso vai trazer pertencimento. Que a fama vai sanar a solidão.
Mas não é o mundo que aparece quando o nome é chamado. É a família.
São as pessoas que estiveram ali quando ainda não havia nada a comemorar. Quando era treino na chuva, lesão no joelho, rejeição na peneira, dúvida de madrugada. Essas pessoas não aparecem porque o nome saiu numa lista. Elas aparecem porque sempre estiveram. É nesse espaço seguro que encontramos o nosso verdadeiro porto. É o contorno emocional que nos abraça, que valida as nossas angústias diárias e que nos sustenta silenciosamente diante do mundo.
E tem algo profundo nisso que os vídeos mostraram sem querer: a conquista só completa quando tem alguém para dividir. O ser humano não foi feito para viver o melhor da vida sozinho. A alegria precisa de testemunha. A vitória precisa de abraço.
Não importa o tamanho do jogador. Não importa o tamanho da conquista. No fim, todo mundo volta para o mesmo lugar, aquele cantinho onde tem gente que te ama não pelo que você faz, mas pelo que você é.
Cuide das suas relações. Construa sua família, a biológica ou a que você escolheu. Porque quando seu nome for chamado, seja em que arena for, são elas que vão estar de pé.