Trocas de figurinhas em pontos da cidade movimentam famílias
Mais do que completar páginas, colecionar figurinhas envolve convivência, memória afetiva e momentos compartilhados. A cada edição da Copa do Mundo, um costume antigo volta a ganhar força entre crianças, adolescentes e até adultos: colecionar figurinhas. Em Tangará da Serra, a movimentação já começou antes mesmo do início do campeonato. Escolas, grupos de amigos e pontos comerciais da cidade passaram a receber encontros improvisados para trocas de figurinhas, repetindo uma tradição que atravessa gerações.
Alguns pontos comerciais na cidade já registram aumento na procura pelos álbuns e pacotinhos. O cenário lembra outras edições da Copa: crianças sentadas mostrando seus álbuns, pais ajudando e adultos entrando novamente na brincadeira por nostalgia.
O engenheiro agrônomo Rômulo acompanhou o filho durante os encontros e acredita que a prática traz benefícios importantes para o desenvolvimento infantil, principalmente em uma época marcada pelo excesso de telas.
“É sempre bom estar conversando com amiguinhos, fazendo relacionamento, conversando. É uma forma de se relacionar com as pessoas”,
afirma.
Segundo ele, as trocas ajudam as crianças a saírem um pouco do celular e criarem vínculos no mundo real.
“Hoje em dia a criança fica muito presa à tecnologia. Isso ajuda muito na conversa do dia a dia”,
completa.
A organização das trocas também acontece de forma coletiva. Grupos de WhatsApp entre pais e mães ajudam a marcar encontros e avisar quando haverá novas rodadas de trocas.
“Um vai avisando o outro, e acaba todo mundo participando”,
relata Rômulo.
A empolgação pode ser vista nos pequenos colecionadores. Aos sete anos, Davi contou que já possui várias figurinhas, questionado sobre a sua favorita até agora, ele responde sem hesitar.
“A do Messi”.
Além da corrida pelas figurinhas difíceis, o álbum da Copa acaba se transformando em um símbolo de memória afetiva. Para muitas famílias, a brincadeira revive lembranças da infância dos próprios pais, agora compartilhadas com os filhos.
A cada edição da FIFA World Cup, uma tradição volta a mobilizar crianças, adolescentes e até adultos: colecionar figurinhas. Trocas nas escolas, busca pelas “raras” e o desafio de completar o álbum transformam a brincadeira em um verdadeiro fenômeno cultural e, segundo especialistas, a experiência pode trazer benefícios importantes para o desenvolvimento infantil.
De acordo com a neuropsicóloga Aline Graffiette, o hábito de colecionar estimula diferentes áreas cognitivas e emocionais, principalmente em crianças e adolescentes.
“Apesar de parecer apenas entretenimento, colecionar figurinhas envolve memória, organização, atenção, planejamento e interação social. O cérebro trabalha diversas habilidades durante esse processo”,
explica.
A especialista destaca que o simples ato de procurar números repetidos, identificar espaços vazios no álbum e organizar as páginas já estimula funções executivas importantes para o desenvolvimento cognitivo.
Além disso, a troca de figurinhas favorece habilidades sociais e emocionais.
“A criança aprende negociação, espera, frustração, comunicação e convivência. Existe um aspecto coletivo muito forte nessa experiência”,
afirma Aline Graffiette.
Outro ponto observado pela profissional é o impacto afetivo e nostálgico do hábito.
“Colecionar também cria memória emocional. Muitos adultos revivem experiências da infância através dos álbuns, o que ajuda a explicar por que a febre das figurinhas atravessa gerações”,
diz.
A neuropsicóloga ressalta, porém, que os pais devem acompanhar a experiência para evitar excessos ligados ao consumo ou frustração exagerada.