Diário da Serra

MEMÓRIA – Antenor Gonçalves: O desbravador

Rosi Oliveira / Especial DS 30/05/2026 Memória

Chegou em Tangará da Serra em 1970, acompanhado de filhos mais velhos

Antenor nasceu em Colatina, no Espírito Santo

Antenor Gonçalves: O desbravador

Há pessoas que já nascem com o desejo do novo, de conhecer, de desbravar. Assim era Antenor Gonçalves, filho de Valdemiro Gonçalves e Maria Pereira, ávido por descobertas e novidades. Em uma família humilde, desde muito cedo começou a ajudar na roça, de onde tiravam o sustento.

Nascido em Colatina, no Espírito Santo, em 11 de novembro de 1929, cresceu em um lar onde se ensinava a retidão e a perseverança, e foi educado para saber que nada vinha sem que o trabalho fosse exercido.

Aos 22 anos conheceu em Cachoeira do Itapemirim, Anna Pianna Gonçalves, com quem vislumbrou a vida do amanhã e construiu uma família, onde 10 filhos nasceram. O casamento foi em 14 de agosto de 1951.

“Eles eram vizinhos de sítio e participavam de grupo de jovens. Ali se conheceram e começaram a namorar, casando-se depois”,

relata a filha Iraci.

O primeiro filho do casal foi Belmiro Pianna Gonçalves, depois Maria da Penha Pianna Gonçalves, seguido de Milton Pianna Gonçalves, José Pianna Gonçalves, Luzia Pianna Gonçalves, Iraci Pianna Gonçalves, Irene Pianna Gonçalves, Isabel Pianna Gonçalves, Jonas Pianna Gonçalves, e o caçula Francisco, mais conhecido como Chico Pianna.

Com espírito irrequieto, Antenor decide que o Espírito Santo já não comportava suas necessidades e sonhos e decide se mudar, indo para Poxoréu, se estabelecendo em Aparecida do Leste.

“Viemos em um caminhão, trazendo inclusive meus avós. Meu pai não os deixava de jeito nenhum”.

Ali fica por algum tempo e ao ouvir falar de Tangará da Serra, decide conhecer o lugar, aonde chega em 1970, acompanhado de filhos mais velhos. Para chegar na localidade, que ainda estava em formação, a família utilizava do facão para abrir a mata fechada.

Na cidade os visitantes ficaram pelo período de seis meses, quando a malária se abate, tirando a vida de muitos moradores.

Antenor decide então, retornar a Aparecida do Leste, onde havia deixado o restante da família.


O retorno: Coração preso em Tangará da Serra

Em 1976 retornou, já no período de emancipação do município, trazendo desta vez toda a família, já que havia decidido que aqui, reconstruiria sua vida. “O pai era aquela pessoa que nunca teve os filhos longe, sempre perto. Toda a vida ele gostou de ter a família, os filhos, mesmo casados, os filhos tinham que estar por perto”, conta a filha.

Antenor chegou a Tangará da Serra logo antes da primeira eleição, onde Thais Barbosa foi eleita prefeita.

Aqui se estabeleceu na Vila Alta e começou a fazer o que sabia de melhor: construir.

Exímio construtor de casas, se destacou e deixou sua marca em diversos prédios que hoje estão transformando a paisagem do município, dentre as quais podemos citar a Igreja Santa Terezinha, o Hospital e Maternidade Mater Dei (extinto).

Era trabalhador e o que não tinha, fabricava.

“Desde quando eu me entendi por gente, meu pai sempre foi pedreiro, e fazia tanto parte de alvenaria como de madeira, carpintaria, essas coisas. E no lugar que não tinha, naquela época indústria de tijolos, meu pai mesmo fabricava, e construía a casa para nós”.


A fé que via no amanhã a resposta da vida

A filha descreve Antenor como calmo e tímido, ressaltando sua devoção.

“Ele era uma pessoa muito religiosa, quando a gente morava em lugar que não tinha a igreja perto, meu pai tinha o propósito de reunir os filhos e fazer um terço com toda a família”.

Outra característica gritante que trazia era o coração imenso que cabia muita gente, inclusive, os não familiares. Sua casa era abrigo para os que vinham das fazendas, de outros locais, o que lhe valeu amizades preciosas.

Antenor viveu para a família que construiu, buscando ser exemplo e conseguiu por bom tempo, ter os filhos por perto, pois disso não abria mão.

Não costumava escolher serviço e fazia disso um divertimento, sem lamentar as dificuldades. Mas com o passar do tempo a saúde começou a dar sinais de que algo estava errado. Em busca de informação foi diagnosticado com um problema no pulmão, que era ativado por contato com poeira, frio, o que o deixava por vezes afastado dos afazeres.

Fez exames e buscou melhora, mas o caso se agravou lhe causando um Enfisema Pulmonar que lhe tirou a vida no dia 19 de junho de 1992.

Mas jamais será esquecido pelos seus familiares, e por aqueles a quem considerou parentes chegados, sem o mesmo sangue. Será para sempre lembrado também pelas gerações vindouras porque teve o nome eternizado em uma das ruas do município. A homenagem foi do vereador Edmilson Porfirio que nominou a Rua 20 do bairro Buritis 2, que passou a se chamar Antenor Gonçalves.



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