Saúde disse que somente se manifestará após o resultado do exame
Sob forte comoção dos pais, familiares e amigos aconteceu o enterro de Thauan da Silva Moreira, de apenas três meses de idade. A criança faleceu na sexta, dia 29, e a suspeita é de que a morte tenha ocorrido por meningite.
“Apareceu do nada uma manchinha na perna dele. A minha esposa relatou para a médica, e ela se quer olhou”
desabafa o pai de Thauan em vídeo nas redes sociais, ao classificar o caso como negligência médica.
“Se eles tivessem ao menos olhado essa mancha, na perna do meu filho, durante o dia, eu tenho certeza de que o meu filho estaria vivo”,
desabafa.
O pai do bebê relata que levou a esposa a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) nas primeiras horas da manhã.
“Tenho certeza que houve uma negligência porque deixei meu filho com minha esposa lá de manhã, provavelmente, por volta das 7h, passou pela triagem e colocaram ele na fila de espera, como se ele estivesse com uma virose, um leve resfriado”, narra. “Ao decorrer do tempo ele foi ficando cada vez pior”.
O pai alega que a esposa, diante da piora, insistiu novamente para a mancha que a criança apresentava.
“A médica disse que ia fazer a internação dele e foi dando os remédios que tem na UPA, o tal do dipirona”,
relata.
“Daí, o quadro dele foi só piorando, a mancha foi aumentando”,
ressalta, ao assegurar que a mancha foi aumentando de forma célere. Afirma ainda ter documentado por fotos o desenvolvimento da equimose.
“Só foram dar a atenção necessária para o meu filho já de madrugada, quando ele estava quase morrendo”.
A Vigilância Epidemiológica de Tangará da Serra expediu nota, através da qual informou o óbito do bebê e da suspeita da doença.
“Desde a notificação do caso, todas as medidas de vigência e controle preconizadas pelo Ministério da Saúde foram imediatamente adotadas, incluindo a investigação epidemiológica, a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial, a identificação e o monitoramento dos contatos próximos, bem como as demais ações cabíveis conforme os protocolos vigentes”.
Ainda, destacaram que
“até o momento, a causa do óbito permanece em investigação, não sendo possível confirmar o diagnóstico até a conclusão dos exames e análises epidemiológicas”.
À redação do Diário da Serra entrou em contato com a secretária municipal de Saúde, Angela Belizário, que disse que somente se manifestará após o resultado do exame, que deverá ser informado possivelmente, até a quarta-feira, 3 de junho.
Até o momento, Mato Grosso já contabiliza 46 casos confirmados e oito óbitos por meningite, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT). Os casos já foram mapeados em quinze municípios do estado, com maior concentração nas seguintes cidades: dez casos confirmados e 2 mortes em Cuiabá, oito casos confirmados em Várzea Grande, três em Cáceres e Sinop. Os demais óbitos ocorreram nos municípios de Juscimeira, Sorriso e Vila Bela da Santíssima Trindade.
No caso de Thauan da Silva Moreira, possivelmente ainda nesta semana, o exame deverá confirmar ou descartar a doença que se manifesta de diversas formas, dentre as quais a Meningite Bacteriana: a forma mais grave e perigosa, podendo ser fatal ou deixar sequelas em poucas horas. As principais bactérias são o Meningococo, Pneumococo, que exige internação hospitalar urgente para uso de antibióticos.
Também a Meningite Viral, que é o tipo mais comum e geralmente apresenta sintomas mais brandos, evoluindo bem na maioria dos casos. É causada por vírus como enterovírus, herpes simplex e influenza. O tratamento foca em aliviar os sintomas em casa, com acompanhamento médico. Em Tangará da Serra, desse caso, foram registrados dois em crianças, que evoluíram para cura.
A meningite é uma doença grave que evolui rápido. Ao apresentar sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca e manchas na pele, é fundamental buscar atendimento médico de urgência imediatamente.
Apesar do aumento nos registros em comparação aos anos anteriores, a SES-MT reforça que a situação não caracteriza um surto ou transmissão comunitária descontrolada.
A prevenção é feita exclusivamente por meio da imunização. As vacinas contra os principais tipos de meningite estão disponíveis nos postos de saúde pelo Ministério da Saúde.