A história de um jovem que precisou vencer a falta de apoio, antes de alcançar seu objetivo
Sair de uma cidade no interior de Mato Grosso e conseguir chegar em times da Europa parece um sonho perfeito, mas a realidade por trás desse desafio é cheia de obstáculos. Para os jovens da nossa região, a distância dos grandes centros do futebol, a falta de estrutura nos clubes locais e as poucas oportunidades de serem vistos por olheiros profissionais, transformam esse caminho em um verdadeiro teste. Muito antes de pisar nos estádios europeus, o maior desafio desses atletas é conseguir vencer as dificuldades do próprio estado.
Um grande exemplo dessa superação é o atacante Kahuan Vinicius, de 22 anos. Natural de Tangará da Serra, ele sentiu na pele o que é crescer no interior de um estado e tentar a sorte no futebol sem ter por perto a estrutura dos grandes times. Mesmo com todas as adversidades, ele não desistiu, correu atrás, superou a falta de chances na região e conseguiu se firmar em uma equipe do interior de São Paulo, Capivariano. Hoje, ele joga no Karviná, na República Tcheca.
No começo, o futebol era apenas uma forma de escapar de um simples ‘medo’. Como tinha receio de ficar sozinho em casa, Kahuan acompanhava o irmão mais velho até os treinos.
“Treinávamos em um campo perto de casa, mas mesmo assim eu tinha medo de ficar sozinho, então sempre ia treinar com ele. Fui gostando e focando mais nos treinamentos, não faltava em nenhum”,
relembra.
“Uma coisa interessante é que no começo eu era zagueiro e em uma peneira do Fluminense que teve aqui na cidade, um companheiro de time não estava bem e decidiu trocar de posição comigo, eu fui pro ataque e me destaquei fazendo gols, passei no teste e fiquei um ano monitorado pelo Fluminense”,
completou.
O que começou como uma simples companhia de irmãos, com o tempo ganhou um propósito muito maior, virou o sonho e a meta de dar uma vida melhor para a sua família, transformando em uma força necessária para encarar o mundo e vencer no futebol.
Apesar de ser seu grande sonho jogar fora do Brasil, essa mudança não foi fácil.
“Foram meses difíceis até a minha adaptação fora do Brasil, saudades da família, dificuldades com a culinária e idioma. Minha família e meus empresários sempre me deram todo o apoio possível para essa nova fase que eu estava vivendo em minha vida. Mas, mesmo assim, não é fácil para uma pessoa que nunca saiu do país conviver com essa mudança drástica”,
conta Kahuan Vinicius, de 22 anos, que há quatro anos é jogador do Karviná, na República Tcheca.
Ele foi o grande destaque na final da copa MOL, da Republica Tcheca. Autor de dois gols decisivos, ele teve participação fundamental na conquista do título e foi eleito o melhor jogador da partida. A equipe nunca havia ganhado uma competição de grande expressão no país. Com personalidade e raça em campo, ele entrou para a história do clube.
“Esse título é muito importante para mim e principalmente para a equipe. Fazer parte desse momento único é muito gratificante, foi uma final difícil, mas sabíamos que se cada um desse o seu máximo, sairíamos com a taça. Um título que ficará marcado em toda a minha vida”.
Kahuan hoje olha para trás e vê que cada esforço valeu a pena.
“Hoje vivo bem, ganho um bom salário, consegui me destacar no time que estou e firmar contrato profissional até final de 2028. Hoje vejo que cada passo valeu a pena”.