Entrevistados cobram melhorias na mobilidade urbana e maior cumprimento das normas de acessibilidade
A falta de acessibilidade em diversos pontos de Tangará da Serra ainda é motivo de preocupação para pessoas com deficiência, especialistas e representantes do poder público. Calçadas irregulares, ausência de piso tátil, obstáculos nas vias e rampas inadequadas estão entre os principais problemas relatados por moradores entrevistados pelo Diário da Serra.
Deficiente visual, José Carlos dos Santos afirma que a realidade encontrada em muitos bairros dificulta sua locomoção diária. Segundo ele, embora algumas áreas centrais apresentem melhorias, a situação ainda é precária em várias regiões do município.
“Tem lugar que não existe acessibilidade. Aqui no centro até que é bom, mas nas vilas é muita calçada quebrada, calçada alta e outra mais baixa. É moto atravessada em cima da calçada. Esse que é o problema nosso”,
relata.
José Carlos explica que raramente consegue caminhar sozinho próximo de sua residência.
“No meu bairro eu só ando com a minha neta, porque tem muita calçada que tem entulho em cima. Os vizinhos colocam motos atravessadas na calçada e isso atrapalha muito. A gente anda pouco sozinho”.
Para ele, a ampliação do piso tátil e melhorias na infraestrutura urbana são fundamentais para garantir mais independência às pessoas com deficiência visual.
“Colocar mais pisos em outros lugares, porque tem muitos lugares que não têm. Também melhorar as calçadas e dar mais prioridade para nós. Cego é um problema para andar, qualquer coisinha está atrapalhando. Se a cidade fosse mais planejada em acessibilidade, a gente andava mais sem medo”.
A realidade também é enfrentada pelo cadeirante Eduardo Paulo de Oliveira. Segundo ele, os obstáculos estão espalhados por diversos pontos da cidade.
“As calçadas não têm acessibilidade. Muitas pessoas ocupam as calçadas, colocam obstáculos, têm rampas e degraus com níveis diferentes. Não é uma calçada adequada para cadeirante.”
Eduardo afirma que até mesmo adaptações existentes nem sempre atendem às necessidades dos usuários.
“Os pontos críticos são em toda a cidade. Até aqueles acessos que fizeram na avenida, para mim não têm acesso, porque você desce ali e é uma valeta. Se descer a cadeira, vira de costas. Então, para mim, aquilo não serve”.
Ele também aponta dificuldades dentro de espaços públicos e locais de trabalho.
“Aqui também tem acesso, mas não tem acessibilidade. Tem uma rampa, mas não é adequada. O banheiro também não é adequado para cadeirante. É bem precária a acessibilidade”.
Enquanto moradores relatam dificuldades diárias para circular pelas ruas de Tangará da Serra, especialistas e representantes públicos apontam que a cidade ainda enfrenta desafios estruturais importantes para garantir acessibilidade plena.
Do ponto de vista técnico, a engenheira civil Jéssica Labadessa explica que um dos principais problemas observados é a falta de continuidade das estruturas acessíveis.
“Hoje a prefeitura exige que as construções novas tenham acessibilidade, piso tátil e espaço para cadeirantes. Porém, as construções antigas ainda não têm essa adaptação. Então encontramos uma calçada perfeita e, ao lado, outra sem acessibilidade”.
Segundo ela, essa descontinuidade afeta principalmente pessoas com deficiência visual.
“A pessoa está sendo conduzida pelo piso tátil e, de repente, ele acaba. Isso é um grande problema. Também vemos árvores e postes no meio das calçadas, o que prejudica cadeirantes, idosos e pessoas com deficiência visual”.
A engenheira destaca ainda que a Norma Brasileira NBR 9050 estabelece parâmetros técnicos para a construção de calçadas, rampas, corrimãos e demais elementos urbanos.
Na Câmara Municipal, o vereador Sebastian Ramos afirma que o tema vem sendo acompanhado constantemente pelo Legislativo.
“As cobranças e articulações acontecem diariamente através de indicações, requerimentos e projetos”.
O parlamentar destacou iniciativas voltadas à inclusão das pessoas com deficiência auditiva e visual.
“Eu sou autor da lei que isenta pessoas com deficiência auditiva da taxa de inscrição em concurso público municipal. Também sou autor da resolução que garante intérpretes de Libras nas sessões da Câmara”.
Sobre a deficiência visual, Sebastian defende a ampliação do uso do Braille no município.
O vereador também destacou o Plano de Mobilidade Urbana que está em elaboração.
“O plano de mobilidade urbana considera o aspecto da acessibilidade e busca garantir o direito de ir e vir de todo cidadão. Meu compromisso é continuar lutando por essa pauta e buscando melhorias para nossa cidade”.