O grupo era formado por três cerqueiros e um vaqueiro
Quatro trabalhadores foram resgatados de situação análoga à de escravo durante ação realizada por Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT) em propriedades rurais localizadas na região dos municípios de Tangará da Serra e Diamantino.
Durante a operação, foram constatadas irregularidades trabalhistas e diversas situações relacionadas à segurança e à saúde dos trabalhadores. A ação contou com o apoio da Polícia Federal e da Justiça do Trabalho.
Em algumas das propriedades fiscalizadas, atividades em espaços confinados e trabalhos em altura foram interditados após a identificação de condições de grave e iminente risco à vida e à integridade física dos trabalhadores.
O grupo era formado por três cerqueiros e um vaqueiro. Os trabalhadores eram remunerados por diárias e estavam alojados em locais que não ofereciam condições mínimas de segurança, higiene, conforto e descanso.
Nos espaços destinados à moradia, não havia camas adequadas para o repouso noturno. Um dos trabalhadores dormia ao relento, sobre um estrado de cama sem colchão, ficando exposto às intempéries e sem qualquer condição digna de descanso.
Os três cerqueiros exerciam suas atividades diretamente sob o sol, sem o fornecimento de equipamentos de proteção individual adequados aos riscos da atividade. Também não lhes era fornecida alimentação adequada, especialmente no início da jornada.
No café da manhã, recebiam apenas café preto, sem qualquer alimento para acompanhar a bebida, apesar do intenso esforço físico exigido ao longo do dia.
O vaqueiro, por sua vez, estava alojado em uma casa que apresentava condições lastimáveis de higiene e conservação. O imóvel também possuía instalações elétricas precárias, com risco de choque elétrico e incêndio. Sem cama disponível, o trabalhador dormia em uma rede, em ambiente incompatível com os padrões mínimos de segurança, higiene e dignidade.
Pagamento de verbas rescisórias - Após o resgate, foram apuradas e pagas as verbas trabalhistas e rescisórias devidas, e os respectivos Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho foram homologados pela equipe de Auditores-Fiscais do Trabalho.
Os quatro trabalhadores também receberam assistência para retornar às respectivas cidades de origem. Todos eram oriundos de municípios do próprio estado de Mato Grosso. A ação fiscal também resultou na formalização do vínculo de emprego de dez trabalhadores que se encontravam em situação irregular.
“O trabalho escravo contemporâneo se manifesta, muitas vezes, por meio de condições degradantes de trabalho e de alojamento, que atentam contra a dignidade humana. A atuação da Auditoria-Fiscal do Trabalho busca interromper essas violações, garantir os direitos dos trabalhadores e promover a responsabilização dos empregadores pelas irregularidades constatadas”,
destacou o chefe da Seção de Fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT), Auditor-Fiscal do Trabalho Amarildo Borges.