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MEMÓRIA – Sebastião Alves Pessoa: Um mineiro sinônimo de insistência e perseverança

Rosi Oliveira / Especial DS 07/08/2026 Memória

Sebastião Alves Pessoa chegou em Tangará da Serra no ano de 1966

Memória

Sebastião Alves Pessoa: Um mineiro sinônimo de insistência e perseverança

Desde o ano de 2025, através de uma indicação do vereador Edmilson Porfírio, aconteceu a unificação das ruas 180 e 180-A, localizada no Bairro Jardim Tarumã, que passou a ser nominada oficialmente como Sebastião Alves Pessoa. 

O homenageado chegou em Tangará da Serra no ano de 1966 e, desde então, fincou no ainda pequeno lugarejo suas raízes.

Nascido em 29 de março de 1924, em Itambacuri/MG, casou-se com Laurinda Ramos Pessoa com quem teve sete filhos: Jorge Alves Pessoa, Edvaldo Alves Pessoa, Maria de Fátima Alves Pessoa, Jame Alves Pessoa, Anelita Alves Pessoa, Adilson Alves Pessoa e Maria das Graças Alves Pessoa.

Embora tenha se casado, Sebastião sempre manteve uma ligação muito forte e firme com os pais e irmãos, de forma que, aonde um ia, os outros acompanhavam.

Após uma perda inesperada das terras que possuíam em Minas Gerais, se viram obrigados a buscar novo pouso. Em busca de melhorias, mudaram-se para o Paraná. Ali permaneceram por um tempo, mas ainda não era o que a família buscava. Sendo assim, uma nova mudança ocorreu e o destino foi Mato Grosso do Sul, onde a família não se adaptou ao clima frio e novamente, uma mudança foi necessária. Dessa vez, Mato Grosso foi o destino escolhido, e a família se estabeleceu em Rondonópolis.

“Pegou uma área para abrir, plantar e a colheita era nossa. Depois virava pasto”,

relata o filho Jorge, que conta a história.

Então, ouvem falar de Tangará da Serra.

“A fama de Tangará da Serra estava muito grande. Diziam que era uma terra muito boa para cultivo”.

Cheio de esperança e coragem, parte para conhecer o lugar acompanhado do irmão mais velho, Raul.

“Eles passaram por Diamantino e Santo Afonso. Chegando no lugarejo, [meu pai] gostou, e já comprou uma área na ‘Reserva’, divisa com o Córrego das Pedras”.


O começo do sonho de ter o seu

Em 1967, no mês de setembro, a família que havia ficado em Rondonópolis se muda para Tangará da Serra.

“Viemos em um caminhão ‘pau de arara’ com mais seis famílias. Estava de noite e as crianças e mulheres desciam, e os homens iam atrás dos pneus calçando com pedras para o caminhão não voltar de ré”,

lembra o filho.

Ao chegar ao lugarejo, a família, agora reunida, viu a oportunidade de recomeçar em algo que fosse seu.

Pousaram na pensão do José Corsino, na Rua Sebastião Barreto, e dias depois, um dos irmãos de Sebastião comprou uma casa nas proximidades da antiga Coranja onde as seis famílias se acomodaram.

“Papai trabalhou com o João Diogo em uma área na região do Monte Líbano, tocando roça de ameia”.

Para a terra adquirida a família somente se mudou em 1969, após derrubar a mata, fazer um ‘pé de meia’ e construir uma casa.


A segunda vez que a terra sumiu de debaixo dos pés

No ano de 1971, passaram por um momento que se tornou marca do município, ‘a febre’, que se abateu sobre Tangará da Serra e matou muitas pessoas. Com medo da doença, muitos dos vizinhos de terra venderam as propriedades e foram embora. Com medo também, os filhos começaram a dizer que não queriam mais ficar no lugar. Imprensado entre terras adquiridas por outros, Sebastião vendeu a terrinha que possuía e voltou para a cidade. Nessa época, uma das filhas já havia casado e morava em Tangará da Serra para onde todos vieram.

Como a venda foi feita às pressas, boa parte não foi recebida.

Indignado com a vida que a família estava levando, de morar com a filha e pensando no aperto e atrapalho do casal, Sebastião um dia pegou uma enxada e desceu sem destino em busca de um local em pudesse construir uma casa para os seus. O lugar escolhido foi nas proximidades do antigo cemitério (Memorial dos Pioneiros) até a Avenida Ismael Jose do Nascimento.

Do resultado da venda da terra, um burro entrou como pagamento. Com o animal, iniciou trabalho de carroceiro e fazia fretes. Após sua entrada na terra, outras pessoas também limparam áreas e construíram moradias.

Tempos depois, a Sociedade Imobiliária Tupã para a Agricultura (Sita) determinou que área deveria ser legalizada. Sem dinheiro para pagar às custas do processo e com a esposa doente, Sebastião preferiu vender o animal que possuía e ficar com a propriedade para não deixar a família ao léu.

“Vendeu o animal e pagou, já pensando em ter um o lote para vender e tratar da esposa, caso fosse necessário”.


O homem que sabia que deserto não é lugar de moradia, só de passagem

Como não era de ficar parado ou enjeitar trabalhos, partiu para o serviço braçal. Vendo que a idade já estava avançada, um dos filhos abriu um ‘bolicho’ e deu para Sebastião trabalhar. Visionário e nada acomodado, viu que o negócio poderia melhorar. Montou uma carretinha sob rodas e colocou na rua da Foto Canon, onde vendia algumas coisas. Certo dia, resolveu matar um porco e vender, o que se tornou o ganha pão da família. A fama correu o negócio prosperou, com foco total em carne de porco.

Anos depois Sebastião vendeu a barraca e comprou terras no ‘Canta Galo’, próximo ao Joaquim do Boche, onde ficou por cerca de cinco anos. Mas como era inquieto, com a chegada de um irmão de Minas Gerais, montou novamente um açougue que seguiu de 1975 até 1980.

Em 1981 decide vender o açougue e vai conhecer Terra Nova no Norte. Foi com dois filhos e lá comprou lotes, mas dessa vez, a esposa não o acompanhou. Sendo assim, tentando convencer amada, ficava lá e cá, mas a firmeza da esposa fez com que retornasse tempos depois, de vez. Ao retornar passou a trabalhar na construção civil novamente.


‘Tião Malaquias’, o homem que sabia recomeçar

Mas como ficar no chão não era opção para Sebastião, na esquina de sua casa, no ano de 2002 iniciou uma lanchonete.

“Comprou umas bebidas e fez alguns espetinhos, e a coisa deslanchou”.

O estabelecimento foi batizado com Skinão e era um dos points mais famosos de Tangará da Serra.

Embora os negócios fossem de vento em polpa, acabou sendo fechado e depois disso, voltou a trabalhar como pedreiro.

Nessa época, a saúde já não o acompanhava tão de perto e começou a sentir alguns problemas. Partiu no dia 18 de fevereiro de 2014 por Arritmia Cardíaca, deixando 15 netos e 13 bisnetos.

Talvez ao ler essa história não venha a mente quem era Sebastião, mas com certeza, muita gente se lembra de ‘Tião Malaquias’ como era conhecido.



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