O trabalho da psicologia é extremamente importante, é uma âncora no meio de uma tempestade sem fim
Manhã de ontem. Estava na cozinha preparando meu tradicional guaraná ralado, quando minha filha entrou correndo, parou na porta e ficou me observando. Ela olhou para a parede onde fica meu diploma, tombou a cabeça para o lado com aquela lógica infantil encantadora e disparou:
— Papai, depois de amanhã é o dia do seu trabalho, né? Você conserta a cabeça das pessoas igual o mecânico conserta o carro?
— Mais ou menos isso, filha – respondi, rindo. Mas a cabeça dá bem mais trabalho que um motor.
Quando ouvi isso, confesso que meu olho encheu d’água e fiquei ali, encostado na pia, refletindo. Passou um filme na minha cabeça. Desde o dia em que me formei, há exatos 16 anos, até o exato momento de hoje. O peso dessa profissão nunca foi tão real.
Vocês já pararam para pensar no quão doente o nosso mundo está? A mãe que chora no banho por exaustão seja dona de casa ou aquela que trabalha fora. O homem que engole o choro e foge para o trabalho. Chegou para o adulto que tem crise de ansiedade no banheiro da empresa e, em seguida, volta para a mesa sorrindo. A saúde mental das pessoas simplesmente despencou.
As estatísticas gritam na nossa cara todos os dias: os transtornos mentais, a depressão e a ansiedade social e angústia aumentaram assustadoramente. O trabalho da psicologia é extremamente importante, é uma âncora no meio de uma tempestade sem fim. Porém, ironicamente, ainda é visto por muitos como algo não tão importante quanto outras áreas médicas. Se o corpo dói, a pessoa corre para a emergência. Mas e quando o emocional sangra? Escondem debaixo do tapete. NÃO PODEMOS NORMALIZAR O ADOECIMENTO MENTAL.
A dor emocional é silenciosa e implacável. Ela não deixa marcas roxas na pele para o mundo ver, mas paralisa, sufoca e tira completamente o brilho do olhar. Aquele adolescente trancado no quarto escuro não é apenas “aborrescente” ou preguiçoso, ele pode estar se afogando em sua própria ansiedade social, sem saber pedir socorro. Pais, fiquem atentos. Não basta apenas garantir o teto e a comida; é urgente nutrir o afeto, o abraço apertado e a escuta verdadeira.
Amanhã, dia 27 de agosto, é o Dia do Psicólogo. Em nome da minha esposa, a psicóloga Ana Flávia, especialista em terapia de casal, individual e família, parabenizo todos os psicólogos e psicólogas da cidade de Tangará da Serra, que lutam diariamente.