Desde cedo decidiu se espelhar no pai, que era escrivão da Polícia Civil
Com uma vida marcada pela retidão e o dom de servir, Jucemilson Nazário de Carvalho fez jus ao sobrenome que lhe foi conferido pelos pais Nestor de Carvalho (in memoriam) e Ana Nilda Nazário.
Nascido em 26 de agosto de 1964, em Cuiabá, teve como companheiras as irmãs Judy Carvalho e Jucilena Carvalho Rossetti, e desde cedo, decidiu se espelhar no pai, que era escrivão da Polícia Civil, e seguir a carreira do serviço público.
Criado em um lar amoroso e sendo o mais velho dos filhos, Nazário recebeu os melhores ideais para seguir na trajetória que traçou. Em Cuiabá estudou e ingressou na Polícia Civil. No ano de 1991 veio para Tangará da Serra participar da investigação do sequestro do filho do então prefeito Manoel Ferreira de Andrade, o Manoel do Presidente, e pelo serviço de excelência prestado, com o desvendamento do caso, foi convidado a permanecer em Tangará da Serra. No município fez duas faculdades, de Administração e Direito, mas devido ao concurso, não exercia a profissão.
Também em Tangará da Serra conheceu Elis Regina Dall Agnol, com quem viveu o amor de toda a sua vida e que foi por 30 anos sua fiel escudeira.
“Um dia ele me confundiu com uma pessoa e perguntou meu nome”,
conta a esposa.
“Ele estava de carro e eu de bicicleta e ele me abordou”.
Depois desse encontro os dois se encontraram uma segunda vez, quando Elis estava indo à uma floricultura comprar flores para a esposa de um amigo, houve uma conversa rápida que resultou em um buquê de flores com um convite para jantar. Ali, no ano de 1992, nasceu a certeza do primeiro passo do que seria uma linda e forte história de amor.
“Eu demorei para aceitar esse convite”,
sorri Elis, ao contar que o namoro só iniciou em 1993. Seguiu com noivado em 1996 e o casamento em 1998.
“No dia de Natal, em um almoço, ele pediu para meu pai para nos casarmos”.
Ao narrar a história da vida do companheiro, a esposa deixa claro o quanto Nazário era carinhoso, responsável e principalmente, família. Destaca ainda que o esposo jamais misturou trabalho com o cotidiano familiar e trazia a ética em seu ser.
“Às vezes eu sabia das coisas igual todos, pela TV ou rádio porque ele nunca comentava nada comigo, até para me resguardar”.
A vida do casal era boa e no ano de 2004, chega o primeiro e único filho, Paulo Roberto Dall Agnol de Carvalho, em 17 de dezembro.
“Era um paizão, protetor e de muito diálogo. Alertava sempre para que ele e a mãe fossem os primeiros a saber caso algo houvesse acontecido”,
destaca Elis, ao frisar que Nazário era extremamente presente na vida do filho e que jamais esquecia uma data comemorativa da esposa ou do filho.
Em Tangará, destacou-se também como presidente do Sindicato dos Policiais Civis (SIMPOL) e como Secretário do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) contribuindo significativamente para o fortalecimento institucional da segurança pública.
Além da sua carreira exemplar, Jucemilson esteve à frente de diversos projetos sociais, como a Campanha de Natal, com doação de cestas básicas, a Campanha do Agasalho e o Projeto “Cara Limpa”, voltado à prevenção ao uso de drogas. Sua preocupação com a comunidade sempre esteve além do uniforme: era um homem de ação, empatia e compromisso com o bem-estar social.
Se envolveu em causas sociais e buscava sempre ajudar, e, por esse perfil, recebeu medalhas de bronze, prata e ouro.
A certa idade da vida foi diagnosticado como portador de ortoartrose que provocou desgaste da rótula do quadril, mas isso não o impediu de continuar atuante em casos e investigações de grande repercussão. Mas, com o passar do tempo o carvalho começou a ter problemas de saúde, tendo como o primeiro diagnóstico, artrite reumatoide que provocava dores e dificuldade na locomoção.
Embora a doença dificultasse seu trabalho, não se permitia ficar em casa, sempre esteve em seu posto no horário determinado.
No ano de 2021 passou por um dos momentos mais difíceis de sua vida. Com dores intensas foi atendido com diagnóstico de gases e enviado para casa, mas os sintomas se intensificaram após 10 dias, o que causou seu retorno ao atendimento médico, onde foi diagnosticada uma pedra no rim que já estava se movimento sentido ao canal urinário. A cirurgia foi feita rapidamente e o pós cirúrgico que deveria ser de 24 horas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) como segurança, se tornou 27 dias. O momento causou receio, medo e dor aos familiares que se uniram em orações, que colocaram Nazário de volta em pé e na rotina, recebendo inclusive, homenagem dos companheiros de trabalho.
Infelizmente, por tantos dias na UTI, os rins deram sinais de fracasso e Nazário passou a depender de hemodiálise. O período inicial o deixou imensamente abatido, mas tinha apoio incondicional dos amigos, que ao seu lado estavam, como Marciano e Juninho. Eles o buscavam, colocavam e tiravam da cadeira de rodas e por isso, Elis dedica todo agradecimento, bem como a Cleuzair, apoiadora da família.
Apesar de todas as adversidades se manteve como um carvalho, uma árvore que é conhecida por sua madeira resistente e durável.
Ao sair do hospital, tomou a decisão de se batizar na Igreja Congregação Cristã, onde congregou por anos.
Mesmo com a saúde debilitada, continuou a trabalhar e inclusive no ano de 2023 fez questão de fazer o baile da escolha da Rainha da Exposerra.
Seguia se esforçando ao extremo, dando jeitinhos para as dores e fazendo de tudo para não retornar ao hospital. O receio era de novamente ficar dias acamado, mas o retorno não pode mais ser adiado, ele mesmo solicitou à esposa que o levasse. Foi internado na UTI no dia 12 de setembro, com água no pulmão e ali foi partindo aos poucos. O carvalho tombou no dia 24 de setembro de 2023, deixando um legado de ética e dedicação de 36 anos de trabalho ao serviço público, o que o fez ser lembrado pelo vereador Niltinho do Lanche para ser homenageado com nome de rua. A escolhida foi a Rua 23A, localizada no bairro Santa Lúcia, que passou a ser nominada oficialmente como “Rua Jucemilson Nazário de Carvalho”.