Diário da Serra

Dorflex

Lévender Mattos 11/09/2020 Artigos

Quando se tem um bebê os dias são mais longos, as noites mais curtas, as semanas mais intensas

Artigo 'Dorflex'

Na véspera do último Natal eu comentei com minha esposa: "Se o Théo fosse o primeiro filho a gente não teria outro". Ela disse: "Você está ficando velho". Eu acenei com a cabeça. Ela sorriu.


Quem ainda não foi ou não é pai/mãe ainda, não conhece seu limite físico e mental, sério, não conhece, ainda. Somos levados ao limite diariamente, e em todas as fases de criação.


Quando se tem um bebê os dias são mais longos, as noites mais curtas, as semanas mais intensas, num dia a gente acha que não vai dar conta, no dia seguinte tem certeza. A coluna dói, o joelho estala, você não sente os braços e ombros, espera aí já volto – (pausa), ele começou a chorar e eu tenho que descobri porquê. Será que já tomei meu Dorflex hoje?


Eu criei um radar paterno, em todo local que chegamos eu fico monitorando outros casais e seus filhos, em comparação parece que sempre os bebês (dos outros) estão calmos, comportados, em paz, em comparação com meu furacão que não senta para comer, que dorme a noite toda, mas não dorme nada durante o dia, que se irrita quando tem sono, que fica bravo quando você tem que trocar as fraldas ou a roupa, que pula da cama, coloca o dedo no ventilador, que cospe o remédio.


Mania que o ser humano tem de comparar e de ver o lado difícil das coisas, manias de velho, tô ficando... mas independente da sua dor, filhos são sempre remédio! E te tiram do tédio e monotonia dos dias, colorem a vida e mostram quão forte você é, e nem percebe.


Recorrentemente ouço sobre o dia de nascimento do filho como o melhor dia da vida de qualquer pai ou mãe, ele nasceu e eu renasci, mas é assim mesmo, descobrimos sentimentos e intensificamos outros, que antagonismo com o parágrafo mais acima. Ser pai é isso!


Hoje o Théo faz 1 ano e 7 meses, vejo todos os dias o vigor da vida, ele já faz coreografias, corre na velocidade 5, tropeça o dia todo, sobe em tudo, balbucia várias palavras, grita e chora muito alto, come de tudo (menos pedra), imita animais como ninguém e a algum tempo começou a falar papai, cara ele já fala PAPAI, na verdade ele grita, tudo é lindo, ele acordando, ele dormindo, tudo, nessas horas eu só lamento dos dias que não estive por perto, agradeço os sentimentos intensos que me causa!


Parabéns meu dinossauro e desculpe seu velho e rabugento pai, eu ainda tô apreendendo, eu ainda tô, tô... Ow Paty, você viu a cartela do Dorflex? Não achei. Segura um pouco o Théo aqui, vou ter que ir na farmácia, comprar uma cartela e medir minha pressão, preciso.

 

Lévender Mattos – Xômano de VG. Pai do focado Gabriel, do curioso Enzo e do intenso Théo. Casado com Patrícia Fernanda “Fada”. Escreve como passatempo e terapia, e quando sobra tempo. IG @levender_mattos. Idealizador da página @paiterapia.



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