Diário da Serra

Ciência, tecnologia e insanidade virtual

Fernando Wosgrau 31/03/2021 Artigos

O seu uso de forma positiva ou negativa dependerá da intenção do usuário

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Entre muitos acontecimentos, a década de 90 é lembrada por hits musicais que marcaram época. Um dos grupos que se destacou no período, foi a banda britânica de funk e acid jazz, Jamiroquai. O seu álbum Travelling Without Moving, lançado em 1996, fez grande sucesso mundial e atingiu a venda de mais de um milhão de cópias.

A música "Virtual Insanity" (Insanidade Virtual), que compõem o álbum, recebeu um Grammy e quatro prêmios da MTV. O videoclipe mostra o vocalista da banda, Jay Kay, dançando e interagindo com sofás em um piso deslizante, mas na verdade, o piso é estático, o que se move são as paredes, empurradas por pessoas. Ou seja, o clip na realidade, não é tão tecnológico quanto parece, por isso mesmo impressiona ainda mais pela criatividade.

A letra, motivada no cenário tecnológico e científico, alerta que as pessoas recém imersas na internet poderiam se desvincular da vida real. O interessante é que a reflexão foi feita anos antes da existência de mídias sociais, como Facebook e Instagram.

“Em que estamos vivendo. Deixa eu te dizer. É uma maravilha que os homens consigam comer. Quando as coisas são grandes, isso deveria ser pequeno. Quem pode dizer que feitiços faremos por nós”. Em trechos da canção como esses, ocorrem múltiplas interpretações, mas dentro do contexto de evolução tecnológica, pode-se inferir que estamos lidando com tecnologias novas e que podemos perder o controle dessa relação.

Nos anos 90 ocorria à evolução dos telefones móveis, lançamento de DVD’s e jogos de videogames, mas o surgimento do computador pessoal, a popularização do World Wilde Web e o Google, foram, sem dúvida, os principais destaques da década.

No mundo científico, o grande avanço foi a ovelha Dolly, primeiro clone animal do mundo, o que possibilitaria criar uma “Arca de Noé” genética, segundo o seu inventor, Ian Wilmut. Curiosamente, a canção do Jamiroquai foi lançada no dia do nascimento da Dolly.

Os compositores, Jason Kay e Toby Smith, escreveram: “E agora toda mãe pode escolher a cor de seu filho. Esse não é o jeito da natureza... e agora que as coisas estão mudando para pior”. Será que, de fato, essa evolução de 25 anos fez com que piorassem as coisas para a humanidade?

Hoje, uma parcela da população está imersa no mundo digital relacionando-se, de forma excessiva, esquecendo-se das pessoas próximas. Indivíduos maus intencionados ou sem conhecimento sobre determinado assunto criam e disseminam fake news. Os crimes e golpes também passaram a ser virtuais, exigindo maior atenção dos internautas.

É claro que essas evoluções trouxeram avanços extremamente benéficos e significativos. Ainda mais em meio à pandemia, com a disponibilização de tecnologias que estão sendo ainda mais utilizadas nas atividades diárias de trabalho, estudo, lazer e entretenimento.

No que concerne à ciência, a invenção de vacinas contra a Covid-19, desenvolvidas em curto espaço de tempo e produzidas em escala industrial, marcam o avanço rápido na atualidade.

É certo que o desenvolvimento tecnológico e científico visam o bem-estar das pessoas, entretanto, o seu uso de forma positiva ou negativa dependerá da intenção do usuário e de seu conhecimento cientifico para compreensão da realidade e para o uso adequado das novas tecnologias.

Fernando Wosgrau é administrador, mestre em Agronegócios. Atualmente, ocupa o cargo de Coordenador de  Educação a Distância da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. E-mail: fernandowosgrau@secitec.mt.gov.br.
 

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