Diário da Serra

Primeira biblioteca indígena de MT possibilita difusão de conhecimento e vivências

Cida Rodrigues | Secel-MT 29/12/2020 Educação

BibliÓca foi inaugurada no dia 19 de dezembro por meio de parceria entre prefeitura de Juína, comunidade Rikbaktsa e Secel

Foto por: Davison Rafael

Há pouco mais de uma semana, Mato Grosso conta com sua primeira biblioteca de temática do indígena. Instalada no distrito de Fontanillas, em Juína, a 735 quilômetros a Noroeste de Cuiabá, a BibliÓca foi inaugurada no dia 19 de dezembro para preservar e difundir a cultura e o conhecimento da etnia Rikbaktsa.


A Biblioteca foi implantada com recursos do edital da Rede de Pontos de Cultura da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), numa parceria entre a prefeitura de Juína e a comunidade indígena. O prédio, que foi construído pelos próprios indígenas com o suporte do curso de arquitetura da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), mantém a arquitetura tradicional da comunidade e leva o nome de Nelson Mutzie, liderança Rikbaktsa que coordenava a construção e que morreu recentemente vítima da Covid-19. 
 

Reconhecida como um ambiente de difusão de conhecimento e vivências, a BibliÓca é um ponto de concentração de publicações e pesquisas sobre os índios Rikbaktsa que estão espalhadas nos ambientes acadêmicos e institucionais. O acervo conta também com conteúdo especializado em temas dos povos indígenas do Brasil, como política indigenista e questão ambiental, além de dicionários e livros na língua Rikbaktsa.
 

O espaço, que integra o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso, é composto ainda por galeria de memórias do povo Rikbaktsa, redário literário, laboratório de informática com acesso à internet e por um espaço para comercialização de artesanatos, propiciando geração de renda às comunidades locais. 
 

“Nós da Secel nos orgulhamos por termos contribuído para a implantação da BibliÓca. É um projeto bastante significativo que ajuda a difundir as expressões culturais indígenas para além dos limites das comunidades, possibilitando aprendizado e respeito à diversidade étnica”, ressalta o secretário adjunto de Cultura da Secel, José Paulo Traven.
 

Com entrada gratuita e aberto ao público em geral, o local é ponto de referência para visita e contato específico com a cultura indígena. O projeto planejado com a participação da comunidade visa dar visibilidade à história do povo Rikbatsa e tem potencial para se tornar um ponto turístico do distrito de Fontanillas, que fica a 45 km de Juína, e é cortado pelo majestoso rio Juruena.

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