Quando me procuram para falar sobre suicídio, a pergunta que mais escuto é: “Por que as pessoas se matam?” E essa talvez seja a questão mais complexa de todas, porque não existe uma única resposta. O suicídio nunca acontece por um motivo isolado. Ele é resultado de uma combinação de fatores de risco: doenças mentais não tratadas, traumas, desesperança, isolamento, uso abusivo de substâncias, contextos familiares conflituosos, entre tantos outros. É um fenômeno multifatorial, onde cada história traz suas dores e suas particularidades.

Tão importante quanto conhecer os fatores de risco é fortalecer os fatores de proteção. E aqui estamos falando de vínculos familiares sólidos, amizades verdadeiras, ambientes escolares acolhedores, acesso a serviços de saúde mental de qualidade, práticas de espiritualidade ou fé que gerem sentido, hobbies que alimentem a vida, conversas que ofereçam presença. Cada gesto de cuidado pode ser uma linha invisível que impede alguém de atravessar o abismo da desesperança.

Hoje, 10 de setembro, o mundo inteiro se une para lembrar que falar sobre suicídio é um ato de responsabilidade. Mas falar de qualquer jeito pode gerar mais dor do que alívio. Por isso, é fundamental falar com sensibilidade, sem julgamentos, sem simplificações, sem frases prontas do tipo “quem quer se matar não avisa” ou “foi falta de Deus”. Essas falas machucam e silenciam. Precisamos, ao contrário, abrir espaço para a escuta, para a empatia e para o acolhimento.

A prevenção ao suicídio é, antes de tudo, um trabalho coletivo. Não é só tarefa dos profissionais de saúde, mas de toda a sociedade. É do amigo que percebe um comportamento diferente, do professor que escuta além da nota, do pai e da mãe que param para olhar nos olhos. É de cada um de nós quando estendemos a mão em vez de virar o rosto.

E se você que lê este texto está passando por um momento difícil, lembre-se: você não está sozinho. Procure ajuda. Converse com alguém de confiança. Ligue para o CVV – 188, disponível 24 horas por dia. A dor pode parecer insuportável agora, mas ela não define quem você é e nem precisa determinar o seu futuro.

Neste 10 de setembro, que possamos não apenas compartilhar laços amarelos nas redes sociais, mas também criar laços reais de cuidado e presença. Porque a vida sempre merece ser fortalecida.

Euller Sacramento é Psicólogo Clínico.
Instagram: @eullersacramento